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domingo, 12 de novembro de 2017

3MA em novembro

Em três países africanos, cada um com o seu estilo musical e seu principal instrumento de cordas nacional, formaram-se três músicos que acabaram se encontrando em algum festival, simpatizaram e fundaram o conjunto 3MA. Marrocos, Mali e Madagascar; e aí vão várias línguas além do bambara, do malgaxe e do árabe pois a comum entre eles é o francês e o marroquino na verdade é bérbere e portanto bilíngüe desde o berço.
O bérbere é longínqua parenta do árabe e você entender vinte por cento (ou mais!) de uma conversa em árabe de nada lhe servirá, porque o tamazight  dizem que mais se parece ao egípcio antigo. Nessa língua vêm compostos os versos do marroquino, porém a maioria das músicas é instrumental.
O maliense é bastante sério, como convém a um tocador de kora; as brincadeiras ficam por conta dos outros dois a bordo do alaúde e da valiha de Madagascar. Mas o riso pode ser bem amargo, como na composição "Dum-Tak" que não entrou no disco.
Dum-Tak, explicam, é a "linguagem política na África". Continente esse onde existem apenas três democracias, que Deus as conserve! e nenhum dos três veio de nenhuma das três.
Com mais algumas onomatopéias e ajuda de mimicas, Dum Tak imita discurso de general vitorioso, porrada na multidão, metralhadora (o malgaxe aponta a valiha para a plateia) e antecedido por "dic-dic dic" vira "DicdicdictaktakDUM!" na voz do marroquino ou seja "dictature", ditadura.
O 3MA esteve uma noite no Rio para o Festival MIMO, tocando no BNDES, e o disco também só se ia vender naquela noite. Aos que não tiveram a oportunidade resta vê-los pela rede virtual, e torcer por outra visita.
E nesses dias, em que são comemorados a fundação oficial da Umbanda e também a Consciência Negra, mandar um axé de volta para o outro lado da Calunga desejando melhores ventos parece adequado...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

mais notas musicais

Neste momento em que as únicas boas notícias nos vêm da música, revela-se mais uma orquestra de crianças e jovens, além da de Paquetá que comentamos recentemente. Na verdade ambas existem e florescem há alguns anos, estão é vindo a público cada vez mais. A que ouvi na MEC FM ontem, 5 de novembro só disse o nome nos minutos iniciais, que perdi; mas deu para entender que visa os jovens de determinada favela, da Gruta. A Gruta que conheço fica em Madureira, prolongando a Serrinha; será ou não a mesma Gruta. Nível muito bom, e repertório  da audição (dizia o maestro que representativo) feito para me agradar: barrocos, Guerra-Peixe, e o lindo adágio para oboé conhecido por "Anônimo Veneziano".
Mais importante que o nível e repertório é musicalizar os jovens, afastá-los do dinheiro fácil do crime e levá-los a trilhar outros caminhos: assim orgulha-se o maestro, nem todos vão seguir música. Mas se tornam apreciadores, e todos fizeram ou fazem uma faculdade; física e biomedicina, opções que as famílias consideravam de maluco, enfermagem e geografia foram citadas.
Os já formados em música musicalizam as crianças; um trabalho que deveria estender-se ao Brasil inteiro. Um dos jovens contara ao maestro que agora se sentindo cidadão de sua cidade, indo aonde melhor lhe parece, observou que a mãe quase não saía da favela; como ele antes de participar do projeto. Então levou-a a um shopping para comprar roupa. E ela entrou de cabeça baixa. E isso, segundo o rapaz, resumia para ele todo o valor da experiência: a música tornou-o um cara que anda de cabeça erguida.
Precisamos erguer a cabeça do país.



terça-feira, 24 de outubro de 2017

sonoridades

Concordamos todos que se faz cidadania com educação. Mas os pais devem lembrar que educação começa em casa. O caso tétrico do garoto que sofreu perseguição na escola e acabou matando dois colegas com a arma dos pais é emblemático. Um dos responsáveis declarou que "não há culpados"; talvez não haja é inocentes.

Um bem-intencionado programa da Secretaria (de Saúde, creio) voltado para secundaristas e destinado a evitar alcoolismo e outras dependências químicas AUMENTOU, reconhecem, o uso de álcool entre os adolescentes do programa. Algo deu errado e será preciso corrigir a trajetória... e o nome. Algo voltado pra estudantes e chamado "Tamo Junto" (sic) já tinha começado torto.
A UERJ parece que vai mesmo fechar, e o quadro geral da educação é pavoroso.. para nada dizer das aulas de religião, quando faltam professores de português e todos os religiosos consultados por pesquisas, de rabinos a pais de santo, são contra o formato que só beneficia  AQUELE grupo religioso...
Por isso, em meio ao zumbido das balas que deixam fechadas tantas escolas, merecem muitos e muitos aplausos todos os projetos que levam música às crianças e adolescentes. Orquestras estão se formando, se formaram e brilham, em Barra Mansa, na Maré, e outro dia ouvi a de Paquetá. Existe há vários anos e está fazendo bonito!
Essa, da terra da "Moreninha", que finalizou a apresentação de uma hora na Rádio MEC tocando após muitos clássicos uma composição do Tom Zé, pela qualidade, originalidade, e competência acho que vai virar meu xodó.
Palmas e mais palmas para todos os que incentivam a cultura e a cidadania, começando por onde se deve, com o cidadão de amanhã.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

as escolhas

A coluna do Ancelmo nos diz que amanhã quinta no Municipal tem...sabe o quê/ apresentação daquela bispa e marido processados por roubo nos EUA (aparentemente o tempo de cadeia foi curto, ou escaparam a ele). Pois é, o querido teatro precisa de fundos.

Mas como dizia o outro, que fundos imundos...

E a mesma coluna cita o Secretário de Direitos Humanos, ligado à Umbanda, que revela o seguinte: o atual prefeito gravou uma música, anos atrás, em  solidariedade àquele bispo safado que chutou e destruiu uma imagem.
Caramba, disso eu não sabia. Solidariedade ao ponto de se gravar cantiguinha é muita solidariedade.
Recentemente um mãe de santo do candomblé, em Nova Iguaçu, destruiu as imagens do Ilê  sob ameaça de paus e ferros. 
É fácil dizer  que "preferia morrer a fazer isso". Difícil não julgar, ainda mais que a mãe de tão assustada não quis prestar queixa, o que seria um mínimo.  A selvageria dos agressores se volta sempre contra as imagens; como eles não gostam querem que ninguém mais goste e ficam cegos à obviedade: imagens são apenas portais.
Mas, se alguma religião adorasse as imagens como divindades ainda assim eles não teriam o direito de destruí-las.
Que Xangô nos possa vingar. Salve a pedreira.

sábado, 30 de setembro de 2017

chuva na pedreira

Senhor,
que da pedreira do céu rolem nuvens da cor da pedra
que em cachoeira nos limpem
e nutram a mata
e o canto das aves nas copas
Vingue a macaia
Justiça para a folha
solte o trovão
solte o raio
libere a chuva
Fulmine!


Cauô Cabiecile

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

discriminação

Cada vez pior a relação Prefeitura- cidade.
Dois meses atrás descobri a existência de dois livros de colorir em dobro aqui e os levei à escola, defronte, para doar. Veio atender uma professora que pediu para eu esperar a diretora, ela não os poderia receber. Ponderei que eram dois livrinhos de colorir e que se por algum motivo não encaixassem nas aulas ou lei, ela os levasse e desse a quem bem entendesse; nada tinha eu com burocracias e os deixei lá.
Hoje quase não consigo doar os doces de Cosme e Damião que sempre levo no dia, se o dia cai em semana; inclusive dôo duas ou três caixas, para serem acrescentadas à merenda ou à festa, nunca saquinhos com a imagem.
Quase não consigo! ...mas fiz basicamente o mesmo que no caso dos livrinhos; e estou começando a divulgar o ocorrido.
Se isso não é discriminação não sei o que é.
Pois desta forma nem Natal nem Páscoa se poderia festejar nas escolas públicas, partindo do princípio que no Brasil existem muitos judeus e não poucos ateus, além de outras correntes menos numerosas. Sim, o Estado é laico, mas certas festas, voltadas para as crianças, sempre se festejaram.
A professora explicou que tinham recebido uma circular vetando o recebimento de material qualquer que fosse, e elas não acharam que se referia a festas, mas se bem entendi veio outro às vésperas do dia, reforçando e deixando claro a quem visavam.
Então nada de coelhos da Páscoa e nem festejos pré-natalinos, e que essa postura fique clara na Prefeitura; e que esta cesse de pesquisar a religião dos guardas municipais e usuários de material da Prefeitura nas praças.
DOCE BEIJADA!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

minorias massacradas

Pedem as organizações de Direitos Humanos, segundo a Avaaz, que enviem capacetes azuis da ONU à mal denominada República Democrática do Congo. Ora direis, lá sempre se matou muita gente, dos régulos ao sinistro atual, passando pelos belgas e o inacreditável Mobutu. Morria quem o poder queria que morresse.
Mas é que agora numa das áreas reservadas à extração pelo governo, extração como se sabe mal feita e que nada rende à população, existe uma minoria étnica. Está sendo massacrada com gosto. E seriam mais atuantes os capacetes azuis num caso assim do que para evitar desaparecimentos de opositores nas masmorras do Monsieur.

E os Rohingya. A minoria mais indesejada do mundo segundo a ONU. Parecem bangladeshis, mas vivem há cerca de um século, ou mais, no país que temos de chamar de Mianmar. Onde todos são budistas menos os Rohingya. em sua maior parte muçulmanos. Mas a minoria da minoria não o é. Nem por isso os querem os birmanos; até porque não são necessariamente budistas estes. Já o Bangladesh não os quer e muito menos estes não-muçulmanos; agora estão tolerando a idéia de receber alguns, diante do massacre que os pacíficos budistas vêm executando (e executar é o termo).
Complicado? fica mais: porque países endinheirados do Golfo como a Arábia Saudita estão patrocinando essa minoria, cuja voz mais organizada até já mudou de nome, pondo Islâmico no lugar de Rohingya. Por ora o patrocínio não os ajudou a não morrer, inclusive decapitados, enquanto os pacíficos birmanos negam tudo.Os sobreviventes correm perigo de se radicalizar, e muito.
Socorro.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

tudo depende da intenção

Mais uma vez o interessante Colégio PII motiva uma discussão, uma polêmica. Depois dos "alunx" e das saias para homem, os garotos que reproduziram banca de venda de drogas na favela, onde vivem dois dos três implicados. A menina brandia um fuzil de plástico comprado na Saara.
E foi tomada a decisão, a primeira vista sábia, de não puni-los desta vez. Serão transferidos casa haja outra façanha desse ou de outro tipo. A polêmica girou em volta da punição ou não-punição. pode ser que na assembléia de pais se tenham levantado outras questões; nesse caso para a imprensa não vazaram.
A questão da intenção antes de mais nada. Os adolescentes retratavam a realidade que viam e por isso não foram punidos; mas houve ou não apologia? Tudo depende do tom, do matiz dado á realização do trabalho.
A questão da hipocrisia. Do conjunto de professores e indignados pais de alunos, será que nenhum mesmo costuma adquirir maconha ou pó? Ah, como gostaríamos de acreditar nisso. Porque aquele que adquire sim, adquire é dali mesmo, de uma banca igualzinha à que foi montada no pátio do PII, possivelmente da idêntica favela em que moram os adolescentes.
Pode-se até achar que a direção atual do famoso colégio põe enfoque excessivo na questão do gênero e deixa de lado outras que parecem mais importantes; mas diálogo com os alunos como mantém o PII (eu insisto no plural oficial por favor, não me venham com alunx), com os alunos e alunas se preferem assim, é coisa muito louvável.
E viva o Rio de Janeiro, sem fuzis.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

juma

Claro que a reserva que excita a ganância de muitos na Amazônia deve ficar, não como está mas melhor; sem a grilagem que o presidente invocou para justificar uma quase literal entrega do ouro aos bandidos. Deve ficar é como por exemplo a reserva do Juma, de que ouvi falar na rádio MEC.

Reserva sustentável, no estado do Amazonas, e há mais 33 na região; não sei se a Juma é aquela particularmente bem sucedida em relação às demais mas foi essa a destacada para a entrevista. A idéia é frear o desmatamento trazendo-o para perto de zero, incentivar o replantio e tudo isso com a população local não apenas concordando e aprovando, mas se beneficiando do projeto e trabalhando nele.

Que se multipliquem e sobretudo primem pela excelência, como a Juma, já que criar por canetada sem base prática, fiscalização nem desejo de pouco adianta. Vergonha na cara e cuidar do que é de todos, meus senhores; viva a Juma e quem a faz acontecer.

sábado, 26 de agosto de 2017

gira no Municipal

No momento em que a Amazônia corre tanto risco, interno e externo, tanto da projetada barragem dos países andinos como da criminosa negligência do atual presidente brasileiro, não há absolutamente nada de bom no horizonte a não ser esta bonita homenagem à Umbanda, melhor dizendo a Exu, feita pelo querido Grupo Corpo no Theatro Municipal.
Digo Umbanda porque é o que dizem, anunciam e saiu publicado. Li que a maioria dos integrantes são do candomblé e o balé lembra mais candomblé, já que a Umbanda tem pouca dança, muito pouca mesmo. Mas ao ler que a homenagem é a Exu, presumivelmente através das giras de Compadres, a movimentação faz mais sentido. Exu dança, na gira: um pouco mas dança. E mais: Exu é movimento. É O movimento, poderia-se dizer. É possível ao espectador em certas horas até dizer, Ih, ela é aquela Pomba-Gira, e tal.
Noutra hora a gira, por sinal o nome do balé, muda... parece que os seis ou sete bailarinos no palco naquele instante todos receberam os Pretos Velhos ao mesmo tempo. Todas estas impressões duram segundos apenas ou não seria balé. A roda gira...
"Gira" não é, evidentemente uma gira, giras têm cheiros e vibrações e cantos; mas que bonita lembrança esta. Valorizar a tradição e quem cuida da folha; quando governos federais, municipais, estaduais e além-fronteira tudo fazem para desvalorizá-la.
Laroiê Exu, e saravá Umbanda sempre! que possa fazer por merecer.

domingo, 20 de agosto de 2017

nem um a menos...

Parece que aprovaram a lei que aumenta pena para quem é preso portando fuzil; muito bem, mas como foi possível que até agora o porte não recebesse a pena mais pesada existente?
Diversos países considerados civilizados transferem o menor assassino que atinge a maioridade. não para as ruas e sim para presídio "normal".  Claro que a ninguém aqui interessa isso: nem pros menores e os que insistem em dizer que são anjinhos, nem pros governos que mal fiscalizam e pior cuidam destes presídios. Nos quais ainda existem presos com a pena vencida que já deveriam ter sido soltos. Mas enfim, o garoto que matou o médico a facadas no Aterro há coisa de dois anos voltou à rua outro dia...
Não se agüenta mais PM morto em serviço (nem civil nem criança nem pessoa alguma); não são peças descartáveis, reponíveis, são pessoas com mãe, mulher, com filho. E não se pode tolerar que em certos lugares tenham de pedir permissão ao tráfico para entrar e fiscalizar. Isso é de todo surrealista.
Falando do quê, os tais tanques, que fiasco. Sem comentários.
E querem fazer uma capelania para a Guarda municipal que corta um dobrado e teria assim local para chorar as mágoas. Tudo bem se for ecumênica. Sem pesquisas de religião por favor. O "Globo" publicou há dias texto de vereador e Guarda Municipal licenciado que analisa o assunto e nos lembra a todos o que os governos do Rio vêm teimando em esquecer, O ESTADO É LAICO!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

macumbeiros?

Caro coronel Amendola, o termo "macumbeiro" só deve ser usado por macumbeiros, exatamente como o uso do termo "viado" deveria se restringir ao bater no ombro de um amigo, viado ou não; porque senão vira ofensa. Vá lá que não imprimiu o termo, e não faltava mais: porém empregou para o repórter, que publicou.
E mesmo com maior continência verbal, que não houve, que coisa ridícula, além de feia e perigosa, a pesquisa da religião na Guarda Civil! o Ministério Público não gostou nada.
Dirão, quiçá, Não sabem o que querem, na época do Censo reclamaram que NÃO se perguntava a religião de todos, apenas de alguns, agora reclamam que se pergunta. Bem, a esses diremos, Se vocês não enxergam a diferença entre todo brasileiro e os membros da Guarda carioca, primeiro pensem e depois falem.

Em Paquetá reclamam que não liberaram a verba para comemorar a data do padroeiro da ilha, São Roque, cuja festa vem agora, dia 16. Li que noutros tempos faziam (quem sabe alguém ainda faça) o banquete dos cachorros em homenagem ao santo, já que São Roque como São Lázaro, sincretizados com Omolu, foram ajudados por cães.
A Prefeitura disse aos ilhéus, segundo a única informação publicada até agora que achei no Globo, que não tinha verba para homenagem consistindo principalmente em apresentações de pagode. Será que liberavam verba para banquetear cachorros ou vestir o santo com roupa nova?
Também não gosto de pagode, a deturpação do samba que começou roubando-lhe um dos nomes; por que não põem choro, penso logo, há bons chorões vivendo em Paquetá. Contudo não vivendo na ilha me parece melhor deixar esta parte da polêmica para os moradores resolverem. Pode ser até que Obaluaiê prefira homenagem mais contida, é de seu feitio. Inaceitável seria é que podassem a homenagem por preconceitos de religião. O sr Prefeito é prefeito do Rio inteiro. Morro, asfalto, ilhas e às vésperas do dia 16, não esqueçamos, também da beira do mar.
Ah To To.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

velho -novo

Intolerância: duas vezes em uma semana atacaram a Casa do Mago no Humaitá. Não vem ao caso que a pessoa freqüente ou não, goste do lugar ou não. nunca entrei nem desejei entrar. Claramente é intolerância religiosa. "Hodie mihi, cras tibi" diziam os romanos, e é isso. Pode começar pelo outro, mas se você nada disser depois chega a você.

Intolerância ainda: camelôs acusam sírio refugiado de roubar o seu trabalho e  matar mulher e criança. Ora se o sírio é refugiado é que FUGIU dos assassinos do enfraquecido "Califado". Cabe a todos nós e à Polícia federal estar vigilantes para que não haja infiltrados; mas agredir refugiado que vende comida que não se vendia antes dele chegar (não rouba trabalho de ninguém portanto) francamente... O da esquina estudava Direito e quer estudar aqui Literatura brasileira. Tenho lhe dado alguns livros.

Estupidez ou safadeza: embora só se possa elogiar o célere replantio após reclamação, em todo o Vale das Laranjeiras até o Largo do Machado (UMA SEMANA após abrir protocolo apenas!) vemos que as estruturas montadas pela ex-prefeitura para a melhor destruição da cobertura verde do Rio ainda estão aqui. A Limpeza Urbana ainda deve estar incumbida dos cortes, e é preciso que Parques e Jardins volte a cuidar do que deve. A Limpeza Urbana tem, isso sim, que cuidar da reciclagem do lixo, o que ela própria confessa que faz de forma insuficiente.
A árvore cortada na esquina de Pereira da Silva era SAUDÁVEL, temos fotografias. O legado do sr Paes ao Rio foi árvore cortada, muita árvore cortada, por todos os bairros e até o dia 31 de dezembro de 201. Se o legado do novo prefeito for o oposto, o que não terá feito pelo seu bom nome! e pela cidade então!



sábado, 29 de julho de 2017

tanques e trouxas

Tanques nas ruas do Rio. A imagem é a pior possível. Não sou contra a intervenção do Exército se for para evitar morte de criança na porta de casa (ou na pelada, ou, ou) PM fuzilado em assalto, turista esfaqueado, e todas as mortes vergonhosas que o Rio tem propiciado a tanta gente.
Por isso dizia Chico Xavier que o lugar mais limpo não é o que mais se limpa, é aquele que menos se suja. O tráfico e SIM: o usuário! sujam a cidade. Na metáfora; e no caso do crack, concretamente.
Importam, com ajuda de quem não se sabe, armas de guerras extintas, como da Sérbia e agora da Colômbia.
(O que se sabe é que o filho de autoridade sul-mato-grossense, preso com toneladas de maconha E UM FUZIL,  foi solto e internado em casa de saúde. Vão internar todos os bandidos?)
Então para este lixo de situação, a solução foi o Exército e este é como é, vem tanque e tudo. E o Exército tem data para deixar o Rio (e menos mal). O tráfico não tem data para parar de brandir os seus fuzis e alimentar craqueiro. Seus amigos têm data para parar de alimentar o tráfico?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

miaus no documentário

Os turcos foram em toda a região mediterrânea  e adjacências sinônimo de facínoras, assassinos e estupradores. Ocuparam diversos países e outros que não ocuparam, como a Itália, sofreram muito com as incursões piratas. Raptavam meninas e adolescentes para os haréns e pior ainda para as famílias que acaso sobrevivessem, raptavam meninos e rapazinhos para fins similares.
Difícil associar essas arraigadas lembranças com a realidade de Istambul hoje, tal qual transparecia num documentário de anos atrás destacando a musicalidade do povo, e agora outro mostrando a vida dos bem-cuidados gatos de rua, na linda Istambul antiga, que tem áreas ameaçadas pela especulação.
Até quem não é chegado aos gatos deveria assistir, aproveitando para conhecer uma cidade humana. O que foi feito da agressividade passada não se sabe. Verdade e que estamos vendo só Istambul, não a Turquia inteira que é vasta. Mas não se tem notícia, creio, de "ratos solitários" turcos explodindo ninguém na Europa nem de soldados turcos do enfraquecido califado.
Na cidade velha, se faz música, se conversa, se pesca e se cuida, muito, dos gatos. Homens e mulheres, estas de véu ou sem.
Um ditado deles diz, "Cães e gatos nos aproximam de Deus. Os cães acham que o dono é Deus; os gatos sabem que não é."
Chamarão a atenção as ausências. De automóveis, na cidade velha. De garotos de boné virado para trás. De mendigos. Acima de tudo, de celulares e gente caminhando e digitando besteira.
Gente, nada de Miamis da vida. Vamos mandar um brasileiro em dez para estagiar em Istambul e trazer sementes de civilidade?

sábado, 15 de julho de 2017

"chame o ladrão"?!

Até parece o samba do Chico Buarque, com o pequeno pormenor, não estamos mais na ditadura a que se referia quando ele foi composto.
É inaceitável entre tanta coisa inaceitável que um estudante magrinho tenha ido dar queixa na delegacia  do furto de um celular e o policial de plantão estivesse de portas fechadas e má vontade, começando a ofender o menino e continuando por atacá-lo, por ter "incomodado o seu silêncio" como dizem os vendedores nos ônibus; o rapaz além de mestiço era efeminado e o policial, que recebe para estar ali a serviço da população, não gostou da interrupção do soninho nem menos ainda de quem interrompia. Delegacia de portas fechadas, francamente, já começava mal.
O moço foi corajoso e fez denúncia na Comissão de Direitos Humanos de Niterói; porque depois dessa fica difícil fazer B.O. na delegacia, verdade?
Não se aplaude mas se compreende PM que manda uma bala sem tempo de mirar, no sufoco do confronto e causa um acidente fatal. Mas o civil estava no seu local de trabalho, sem ameaça maior do que a que todos enfrentamos no dia a dia por vivermos no Brasil. Não foi acidente, foi agressão gratuita e bárbara.
Enquanto isso nas cracolândias cariocas, um padre italiano abraça os usuários e tenta fazer com que deixem a rua. Pessoalmente acho que a lei deve intervir, tornando compulsório o tratamento. Mas isso custa muito dinheiro, exigindo remédio, psicólogos, locais e comida, além de seguranças. Enfiar os viciados no xadrez é que não vai dar conta, as prisões já estão superlotadas. E enquanto nada se faz, o padre veio da Itália especialmente para isso. Não seríamos, na maioria, capazes de abraçar e muito menos de ficar horas a fio junto de craqueiros; eu não seria. Queremos que sejam retirados da rua. De todas as ruas. Estamos certos nisso. Mas o padre Renato deu amor, dá amor onde há ódio até por si mesmo.
Vamos ter de pôr padres como ele trabalhando nas delegacias?

quarta-feira, 5 de julho de 2017

muros de papelão

Apesar de promessa um tanto leviana, a Prefeitura não tem data para um certo revestimento anti-bala nos muros das escolas em área de risco. O material é importado e não se sabe quando chega.
Mas será que era por aí? leviano prometer no vazio e mais leviano prometer que a receita mágica resolverá tudo. Não deveria ser preciso revestir muro de escola e pior, de pouco adianta, se crianças, serventes, professores podem ser baleados a caminho. Ou na porta de casa.
Sabe-se que os traficantes prezam pouco a educação, não raro ameaçam iniciativas que se proponham alfabetizar aluno em dificuldade embora alguns lancem mão do que aprenderam para manter os livros de contas da boca. Escolas públicas em favelas são continuamente depredadas, num claro recado, e continuarão a sofrer, sem um investimento maior, em várias outras coisas.
Revestimento anti-bala impedindo que aluno ou funcionário morra no perímetro da escola, eu não quero ser mal pensada, mas até parece que é para excluir a Secretaria de Educação da responsabilidade em caso de óbito no meio da rua.
Até se não houver - tomara não haja mesmo- intenção oculta, ainda é um mau investimento.
Precisamos investir não em mais grades e revestimentos e blindagens e sim em polícia melhor paga e melhor formada; e muito além dela, em mais cidadania, educação e exemplos. Ah, os exemplos...
Blindagem e grade não impede que um bandido determinado baleie a vítima em rua movimentada do asfalto, durante a locomoção pela calçada. Que dirá um revestimento na favela?
Ah, sim, o blog escreve favela, sonora palava, que não considera palavrão que deva ser oculto pelo étimo "comunidade", outro revestimento anti-bala inócuo como esse que não vai chegar no porto de Santos.
 Imaginou o samba de Padeirinho, para ficar só nele, "é aí, é aí que o lugar então passa a se chamar , Comunidade."? Rimando com Nova Aquarela. Santo Deus.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

justiças

O que pedir a Xangô em seu dia? pedir prisão e punição para os políticos (e familiares de) corruptos envolvidos na Lava-Jato não é nem que seja muito óbvio, é que tem muita gente em cima já.
Melhor pedir a ele que ajude as finanças públicas porque não é JUSTO que por conta das roubalheiras fiquem sem receber, ameaçando fechar, orquestras e teatros públicos. Que por conta das imperícias do governo anterior, queiram agora dobrar o imposto predial territorial. Não é JUSTO que cobrem dos funcionários públicos os rombos criados por governantes.
Não é JUSTO que a corja habitual esteja se virando para ir, um para a prisão domiciliar (de onde roubará via computador) outro para o caminho que leva à absolvição, e assim por diante; nem é  JUSTO que existindo tanta jóia e tanto rombo/roubo não se possa vender umas para consertar outros.
Não é JUSTO com o planeta que os nossos governantes ainda não se tenham acostumado com a idéia de que prédios novos, mesmo e principalmente erguidos com dinheiro público, devam ser inteligentes, com teto solar e reciclagem de água.
 Sim, há o Museu do Amanhã. Mas não creio que recicle água, e vale a pergunta, por mais lindo que seja, não era melhor estar hoje pagando os funcionários e corpo de baile do Teatro Municipal? Prédio inteligente serve para baixar o consumo e energia e ser útil. O Museu do Amanhã é útil? existe uma política ecologicamente correta a qualquer nível público, municipal, estadual, federal?
Punir é muito bom. Mas punir não basta, e menos quando os culposos escorregam para todos os lados como gotas de mercúrio.
O que peço a Xangô é LIMPEZA. Mentes sãs; corpos ( jurídicos e corpo físico da nação a todo nível, corpos de baile também...)  sãos.
Cauô Cabiecile!

domingo, 18 de junho de 2017

reféns sem glória

Não era novo o carro, até eu sei disso: modelos novos têm cores e feitios surpreendentes e esse era mais achatado e esmaecido. Não era por ser novo, mas por estar ali; talvez com a janela do motorista aberta, eu não podia ver de onde estava, no banco do ônibus seguindo para o Castelo.  Um dos usuários de crack que há umas semanas sentaram praça, sem trocadilho, na praça defronte ao Outeiro, praça essa que não tem outra finalidade que a de arejar e abrir espaço, o que já é algo, levantou a cabeça, viu o carro parado no sinal e veio a passos trôpegos mas determinados, com cara de pouquíssimos amigos. O que pretendia boa coisa não era, e o motorista aguardou o sinal abrir para arrancar no instante em que o crackeiro o alcançava. Arma não portava ou no máximo uma pedra na mão fechada; dia desses pode ser mais rápido e o motorista  vir distraído.
A lei não permite que se interne compulsivamente a população de rua. Desde sempre acho que uma categoria deve sim ser retirada das ruas: as crianças, com ou sem os pais; rua não é lugar de criança. Naturalmente é para dar atenção e cuidados, e não trancafiar onde não incomode visualmente.
Agora outra categoria se junta a esta, os usuários de crack. Não temos nada com isso se eles querem se destruir. Destroem a cidade, destroem qualquer projeto de segurança e de urbanismo.
As cenas vistas em São Paulo são replicadas no Rio, em menor escala (agora é que o crack chegou à pista da Glória; não creio que dure muito por ali, é por demais visível; faz tempo que uma das escadas de acesso a Santa Teresa ali perto foi "colonizada"... entre outros). Já se ouvem vozes pedindo a internação compulsiva do dependente achado na rua. Apóio e insisto: existe cura para dependentes, principalmente crianças, havendo boa vontade de ambos os lados. Vemos depoimentos de gente que hoje trabalha com música ou toca projetos sociais.
Sim, serão aves raras. Sim: sem a mútua boa vontade não se recuperam. Sim: boa vontade falta em grandes doses ao país do jeitinho. Começar é preciso. Não podemos seguir reféns de mais isso.
Pense nas conseqüências ao alimentar o tráfico, direta ou indiretamente. Foi-se há muito o tempo em que traficante no RJ não veiculava crack: aqueles morreram todos e estes vendem sim.
Pelo fim de toda cracolândia.




segunda-feira, 12 de junho de 2017

quando for, quando vier

Mais um dia de Santo Antônio; salve todos os Compadres, as Senhoras da Rua e as entidades que vibram com eles. Uma delas, bem curiosa é Seu Zé, um dos que "tiveram corpo". Há Exus que nunca tiveram. No Rio Seu Zé é associado aos Malandros, carregando nas tintas das emoções humanas, como o humano que foi; não se exime de sentir desejo de vingança nem raiva. No Norte, sem desprezar emoções que sentimos, tem forte pendor para a cura e o trato com ervas. E diz que seu nome então, para os que estão no Sul, é Seu Zé do Norte ou Seu Zé da Jurema, diferenciando a sua persona dos Malandros.
A indumentária é a mesma, mas nessa vertente ele pode ultrapassar fronteiras, ser louvado na Amazônia colombiana ou peruana por exemplo.
Seu Zé da Jurema, que no Norte é Seu Zé mesmo até onde sei, trabalha por exemplo no Marajó, sempre de terno branco e panamá.
Esta capacidade de preencher espaços, de estar aqui assim e acolá de outro jeito, é sugerida no seu ponto cantado.
Oi Zé, quando "vim" de Alagoas, toma cuidado com o balanço da canoa.
 Oi Zé, quando for, quando vier, só não maltrate o coração dessa mulher.
Há versões ligeiramente diferentes, inclusive corrigindo o erro de português, mas canto com gramática torta e tudo; dizer"quando vim, tomei cuidado" afasta a entidade exatamente desta sua característica de estar indo e vindo e sendo um aqui e outro lá.
Seu Zé pode muito, mas precisa de folha para trabalhar. Que os Céus e a Terra inspirem governantes pelo Brasil e pelo mundo. Replantio já.
Bem, o prefeito do Rio criticou o polêmico presidente dos EUA por sua atitude retrógrada em relação aos temas de ecologia. Pode ser um começo. Que replante com urgência tudo que o antecessor mandou cortar. E que seja imitado Brasil afora.
Vamos pedir a Seu Zé.
Mojubá!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

telemundo

Lá por 2004 um mestre de Feng Shui explicou que os vinte anos entrantes seriam de, palavras minhas que esqueci as reproduzíveis dele e as não reproduzíveis vocês não iam querer saber- muita telecomunicação e baixa comunicação. Comunicação real, entre as pessoas.
E o danado tinha razão a um ponto que talvez a ele próprio surpreenda.
Algum de vocês realmente acredita na amizade de dois mil amigos invisíveis? alguém deveras se orgulha de informar os seguidores que saiu do cinema?
Alguém se sente mais seguro no mundo, mais protegido ou defendido por ter celular, a não ser nas raras ocasiões em que com ele gravamos o delito alheio ou acionamos polícia ou ambulância? No mais das vezes serve pra dizer, Cheguei, ou Vou atrasar meia hora- e para isso foi pensando inicialmente.
Há quem mude de aparelho todo ano (das minas do Congo provém a matéria-prima para um dos componentes e nem vos falo das condições desumanas de trabalho) quem se penteie pelo espelho da telinha, quem se recuse a tê-lo embora use a rede virtual; quem se recuse a aprender mensagem de texto, ou mesmo a lê-las. Todos os níveis convivem num caos crescente. E sim, alguns possuem um de cada operadora, as quais certamente ficam sensibilizadas.
A onipresença das comunicações cibernéticas em nada ajudou a comunicação entre as pessoas. Recentemente expliquei a pessoas diferentes que pouco apreciava os borborigmas visuais gerados pelos celulares novos, onde carinhas amarelas substituem aos poucos as palavras. E o resultado foi sumirem do mapa, e se era assim, melhor assim.
Mas há duas categorias que se beneficiam muitíssimo com o telemundo. Uma é constituída dos facínoras islâmicos que passaram a divulgar pelas redes os atos praticados.
A outra são os amigos do alheio, seja em escala mais primitiva, de dentro ou de fora dos presídios como há pouco pudemos comprovar; seja em escala literalmente federal. Estadual. Municipal? chegamos lá.


domingo, 28 de maio de 2017

poréns e quiçás

O famigerado califado islâmico matou mais umas dezenas de coptas a caminho de um templo seu (modelo de comedimento o comunicado diz quase isso, não fala em cães infiéis ou se falou não foi divulgado) e o Exército egípcio prontamente atacou as bases do EI "no território egípcio e na Líbia".
Muito bem, mas além do exército egípcio jamais se ter distinguido, reconhecer que existem bases no território nacional é difícil de aceitar.
Os coptas são normalmente todos cristãos, a língua litúrgica  deriva do egípcio antigo ou melhor, seria o baixo-egípcio do tempo da cristianização, sendo o egípcio um distante parente das línguas semitas como o árabe e hebraico. E o próprio termo "copta" indica ligação com o aquele chão já que as consoantes "cpt" estão replicadas no nome do país e derivariam do nome do deus Ptah.
Em toda esta família lingüística importam acima e tudo as consoantes. Inclusive no árabe dos súditos do califado.

Já as bases líbias... ao ser morto o ditador Khadafi se descobriu que a Líbia não existia, era e é um vasto areal povoado por tribos inimigas e bastante agressivas, algumas ds quais acolhem e aplaudem o E.I.  Sim, era um ditador. Mas fez mas pela democracia do que os atuais alucinados, e achar que matar alguém a socos e pedradas elimina o mal é erro que o Sendero Luminoso, mais perto de nós, já cometeu.

E ainda mais perto de nós, o atual presidente merecia muitas críticas mas bradar Fora ele! volta ela! era esquecer que Ela o pusera lá. Agora, que pecados próprios são revelados, não que nos causem espanto, cabe o brado. Como diz o outro, Fora todo mundo, volta Dom Pedro II!
Um historiador sugeriu contratar Obama por quatro anos já que está desempregado, é simpático e jamais foi acusado de roubalheiras; outros pleiteiam diretas-já o que é quase tão irreal. Mas e no campo do possível torçamos pela doutora. Quiçá preenchesse o vácuo com efeitos positivos. Mas o que vemos é o moço se aferrando a todas as firulas jurídicas que encontram os advogados para permanecer grudado feito carrapato ao poder. Porém quem sobrará para votarmos em seguida?

sábado, 13 de maio de 2017

cativeiros

Mais um 13 de Maio e não contem comigo para falar mal da Princesa Isabel, que além de usar as famosas camélias do quilombo leblonense libertara todos os seus escravos muito antes da Lei Áurea, pagando-lhes salário. Está na moda, mas a data é a maior celebração da Umbanda e acabou-se.
Porém inevitável é pensar em todos os cativeiros que resistem pelo mundo. Não apenas o oficial na surpreendente Mauritânia; surpreendente também pelos contrastes e aparente fraternidade e liberdade extensiva às mulheres e que não deve abranger senão regiões específicas: ou não teríamos todos assinado, pela Avaaz ou Anistia já não lembro, manifesto contra a severa punição de um homem que libertara a escrava contrariando as leis locais.
Trabalho escravo existe, amplamente denunciado no Brasil: nos últimos anos não se têm libertado trabalhadores escravos ou porque a prática diminuiu enfim ou por motivos menos animadores. Em compensação estouraram ainda ontem cárcere privado de mais alguns chineses retidos ilegalmente em porão insalubre pelos compatriotas.  E nem se sabe se eles gostam de ser libertados pela polícia já que a família fica refém da sinistra máfia chinesa.
Trabalho escravo no Golfo; primeiro iam paquistaneses mas reclamavam demais das condições, davam entrevista a repórter, e no Golfo passaram a importar justamente chineses, na mais perfeita legalidade. Perguntados, diziam que chinês é forte e não se importa com uma coisinha como ventilador quebrado e pouca água. Ou passaporte retido. Há cativeiros voluntários.
O chocolate que comemos é geralmente processado em situação de cativeiro  em regiões da África embora haja marcas que se recusam a entrar no esquema e põem no mercado chocolate mais caro e mais difícil de se achar.
Mas quando estupradores se filmam em pleno ato, dizendo à vítima, - Cala a boca que senão todo mundo vai saber que é tu!- vemos que cativeiros atingem ainda outras dimensões. Não menos a escravidão à máquina e à rede social. Mas aí já é assunto para outro dia.
Saravá os Pretos Velhos no Treze de Maio e sempre.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

cidadania

Luaty Beirão, o rapper angolano que passou muitos meses preso e semanas em greve de fome, vem à FLIP, parece. Excelente, mas isto não significa que Angola se tornou um país democrático, há ainda opositores na cadeia, gente que deseja que a verdade e a razão prevaleçam. Significa que a pressão internacional funcionou para Luaty e os outros 16, e se não funcionou para outros casos igualmente escandalosos pode até ser, ou não, pelos contatos que a família de Luaty possui. Luaty é porém um ícone da democracia e sempre é bom ver ícones da democracia circulando em liberdade.
No continente africano onde existem apenas três democracias, as três ameaçadas o seu tanto (Botswana, Gana e Cabo Verde) outra notícia interessante foi a soltura de mais 70 daquelas moças capturadas pelo Boko Haram. Das 270 de 2-3 anos atrás, entre as fugas em massa, as libertações e infelizmente os fuzilamentos, com estas 70 o BH deve agora reter menos de cem, das quais talvez algumas se tenham convertido de coração. Não esqueçamos que engravidam lá e parem filhos. A quem é de se presumir, amam.
A notícia consideramos interessante apenas e não inteiramente boa; não apenas pelas menos de 100 que lá ficaram presas, mas porque se trata de uma troca, estas moças por cinco Bokos presos pelo Exército. Que agora ficam livres para retomara as armas.
É bom ver que a Nigéria apesar de tudo não se esqueceu dessas mulheres, e que possamos saber das restantes.
No Brasil saindo dos palcos e redes sociais as mulheres são espécie sujeita a estupros coletivo (amargamos mais um semana passada, adolescente de 12 anos) e às vezes individual com força de armas. A juíza que "ofendeu" um ator-estuprador desta última categoria foi multada em dez mil reais. A pergunta que não quer calar é, estuprador tem lá honra para se melindrar com alguma coisa?
Está faltando cidadania, comodidade que pode evoluir dentro ou fora da democracia e independe dela. O Brasil está se coisificando.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

responsabilidade

Além de assassinarem gente no asfalto e nas favelas a três por quatro, e nem falo das balas perdidas que ceifam vidas a toda hora; gente que é criança, transeunte, policial turista ou o que seja-  agora os bairros estão todos à mercê do luto do tráfico.
Necessária a  presença da polícia sem dúvida é; mas é também enxugar gelo.
Não haveria esta violência se houvesse cidadania.
Se VOCÊ deixasse de comprar do branco e do preto na boca, ou mandar comprar pelo avião o que dá na mesma pro município, até se você não se expõe ao deixar de subir até ela.
O tráfico de droga não é a única fonte que alimenta o crime. Tráfico de armas muitas vezes independe da boa vontade e consciência do cidadão comum, coisa de peixe grande e arma grande.
Peixes esses que circulam em círculos seletos e que estariam  brilhando naquelas colunas sociais à antiga que acredito nem se façam mais.
Mas cada um pode fazer o seu pouco. Dizer "não obrigado" é um bom começo. Considerar inocente de toda pecha o usuário que compra é falácia. Plante se tiver de plantar.
Países como Portugal e Colômbia que conseguiram diminuir o tráfico (em Portugal, ao liberar o uso de tudo) têm perfis e dimensões físicas bem diferentes de nós.
Mas um dos motivos que os colombianos anos atrás disseram à delegação brasileira que o implantado lá não daria certo aqui era que lá criminoso preso ficava preso. Aqui começou a mudar apesar das tornozeleiras de algumas figuras de bolsos forrados que conseguem sair das grades pra ficar em casa.
Então mudemos mesmo, se não quisermos viver reféns ilhados num espaço cada vez mais restrito.
Salve a Trezena de maio e que possa nos dar caminho.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

abriu caminho

A lua de São Jorge este ano não teve o aspecto que à data se associa na cabeça dos fiéis e nas quadras populares e pontos de Umbanda. Ano passado foi num sábado de Lua Cheia e comemorei numa festa em homenagem a Pixinguinha (cujo aniversário verdadeiro dizem que afinal não caía dia 23, não..)
Em 2017 porém, longe de ser Lua cheia, perto de cheia ou pelo menos gibosa, o astro estava a dois ou três dias da Lua Preta.
E isso é ruim? não, é inevitável e principalmente diferente; se a Lua está perto do fim do ciclo não representa esplendor mas traz características de limpeza e desobstrução; se chove muito como choveu então isso ajuda na limpeza.
Saravá Ogun!
Após quase três meses fora do ar por problemas técnicos impossíveis de resolver sozinha o caminhodasfolhas está de volta; Voltamos na noite do dia 23. São Jorge deu caminho.
Não é à toa que o abre-caminho além de pertencer a Ossãe é também erva de Ogun.

De tantos comentários que deixaram de ser feitos e com duas ou três semanas de atraso, solidarizo-me com todos os jornalistas, artistas, rabinos e outros que protestaram contra o convite pela Hebraica a um político notoriamente intolerante com tendências francamente fascistas; aquele de quem falei aqui quando declarou que a sua colega não era digna de ser estuprada por ele. E sob pretexto tal convite, dizia na coluna do Arnaldo Bloch, que o moço "gostaria de judeus". Na mesma coluna de 8 de abril denunciava-se a presença de manifestantes gritando"judeus sem-vergonha". Essas pessoas estariam muito melhor na companhia do dito político. Não há diferença alguma.
Porém na mesma semana em evento no Instituto Cervantes sobre Espanha sefardi, a platéia se pôs a cantar todas as canções aludidas pela palestrante, cantigas difíceis melodicamente, e cantigas muito antigas, medievais; cultura viva não apenas nos belos discos da Fortuna mas nos lares e nas mentes.
A Hebraica não precisava de semelhante convidado para se projetar, bastava chamar a mesma pesquisadora da palestra.

Que Ogun abra caminho para a tolerância na França, nos países muçulmanos e no nosso continente.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

grafitando a violência

Bem, o prefeito carioca marcou um ponto com a arte mural, chamando os grafiteiros proibidos de desenhar em SP para cá. Que acerte muito esse bom senhor e não se desdiga...
Mas a foto publicada no Globo de domingo assusta-me. Existe uma tendência nesse campo a ilustrar com desenhos violentíssimos e esse nem é o pior. Porém acredito que mão segurando garrafa quebrada e apontada ainda por cima para perna feminina é de muito mau gosto e espero que alguém se manifeste. Alguém não, muitos. Ou vai todo mundo ficar em silêncio?
Não é possível que só a mim incomodaram os seguintes desenhos:
- um ursinho de pelúcia enforcado na saída do túnel da Barata Ribeiro, ficou anos por lá à esquerda do trânsito
- um homem sendo torturado não longe da sede do Glorioso Botafogo (ou Pinel, ou UFRJ da Praia Vermelha, qualquer que seja a sua referência). Esquerda do trânsito.
- uma cabeça cortada e de olhos e boca costurados na parede da agora extinta favela da Rua Alice.
Tenho pena dos primeiros moradores da dita, e conheci alguns, nada felizes com os novos habitantes; foi comunidade pequena com casas bem-feitas... até ser tomada pelo tráfico que ilustrou da forma citada o muro e acabou levando a que pagassem como tantas vezes os justos, junto com os pecadores.
Ao lado dessas belezas o vidro ameaçador (São Cristóvão, diz o jornal) é café pequeno mas se os funks "proibidões" são proibidos por incitarem á violência, para quê permitir estas manifestações que atingem a TODOS inclusive crianças?
Adoro o camaradinha de bigode e a sua namorada, os fradinhos transformados em Playmobil e todo grafite INTELIGENTE.  Usar arte para na via pública exibir cenas de brutalidade me parece e sem trocadilho um tiro no pé.

domingo, 29 de janeiro de 2017

criançando

No Centro do Rio está em cartaz a exposição Brinquedos feitos a Mão; incrivelmente é tudo uma só coleção, de artesã que também sabe fabricar bonecos e carrinho.
Tem de pano, de pau, de lata, de plástico  reciclado (garrafa PET; tampa de garrafa); tem cozinha e dormitório de boneca caprichadíssimo, caminhão e barco de todo tipo, boneca amamentando, boneca grávida, boneca que engatinha, Lampião e Maria Bonita. Só indo ver.
Há um espaço pras crianças brincarem com amarelinha, corda de pular, jogo-da-velha, cinco-marias e latas que aumentam a estatura.
Nesse mês de janeiro em que as chuvas pouco ficam e por conseguinte pouco refrescam, com tanta notícia preocupante, essa oásis que ainda por cima é refrigerada alivia o corpo e o coração.
Vale lembrar que ali do lado há os doces da baiana do acarajé, e o melhor acarajé da cidade para os pais. E que brincar é aprender; ser criança é brincar, e brincar não é ficar sentado no sofá com o celular na mão acessando jogos virtuais.
Que a Mãe das Águas em seu dia que se aproxima possa nos fazer a todos crianças.
Odô Yá!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ao senhor das matas

O candomblé tende a acentuar mais o aspecto "caçador" de Oxoce, não é á toa que na Bahia o santo é sincretizado com São Jorge, matando o dragão. Aqui nestas plagas, numa estranha inversão, usamos a imagem de São Sebastião. Imagens da Umbanda tendem a não exibir flechas, só o santo amarrado ou encostado no tronco. (Da mesma forma o Oxalá umbandista é o Cristo abençoando, vestido, jamais o crucificado.)
O que a Umbanda acentua bastante é que Oxoce é o senhor das matas, Caboclo e Oxoce é praticamente a mesma coisa na maioria das casas para a maioria das pessoas; "no es lo mismo pero es igual".
Existe sim diferença, e muita, guia é guia, orixá é orixá; mas ponto de Umbanda muitas vezes é assim mesmo... O importante são as matas. Boa notícia de SP, recuperaram importante área da Mata Atlântica daquele estado.
Mas o santo tem ainda muito trabalho pela frente. E como tem. Na Amazônia além de recuperar o que recentemente foi criminosamente queimado, e menos recentemente criminosamente devastado, será bom punir executantes e mandantes. Não se atenha o santo apenas ao Brasil; veja a área colombiana do Magdalena e faça alguma coisa por ela.
E não esqueça de caçar, não os bichos de pelo mas sim os caçadores, encabeçando a lista os chineses que mandam matar onça-pintada para vender como "tigre" nas suas poções. Fitoterapia chinesa que se preza não usa partes de animais, apenas folhas e sementes.
Saravá Oxoce!
Salve o Senhor da Mata, saravá Caboclo.
Okê Arô. Okê Odé!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Não é necessário ter votado no novo Prefeito para desejar que dê mais certo do que o anterior. Vejo que quer criar sementeira, reflorestar a cidade, e rever a "racionalização" com aspas, dos ônibus cariocas (que deixaram de circular à noite). Se esse prefeito fizer tudo que disse aos jornais que ia fazer, e não fizer tudo que declarou que evitaria, estaremos no lucro. Torçamos!
Que não traga a ojeriza a árvores do antigo (em quem também não votei). Até o último dia o senhor Paes mandou a Limpeza Urbana cortar árvore por toda a cidade, e nas redes sociais havia denúncias, cuja exatidão não tenho como avaliar, de que estariam vendendo a madeira pelo quilo.
O que explicaria a febre de cortar e cortar até o último instante.
Fica a dica pro novo Prefeito, proíba qualquer artefato de plástico perto do mar o ano inteiro e mais nas festas, pois as pessoas descartam na areia sem pensar, e muitas devem acabar no mar. Catei um monte na noite do 31 mas foi pouco... Basta querer; e os fabricantes inventarão outras embalagens. Eu já ando com a minha caneca de ágata há meses... Criem garrafa, sei lá, de fibra de coco? De papelão tipo caixinha de suco?
Desculpem mas meu otimismo está em baixa no geral. Mais PMs morreram no Estado do Rio do que há dias no Ano Novo, e no Pará já mataram o primeiro ambientalista, um blogueiro que se refugiou dos desmandos do governo angolano para criar filha no Brasil. O Pará tem um dos mais baixos níveis de mortes de ambientalista resolvidas e punidas, creio. E esse crime nem foi em Belém, e sim no sudoeste do estado. O diferencial é a nacionalidade da vítima, que talvez nessa hora ajude.
Dizem que o ano é de Oxóssi, além de Oxum, então que o Senhor das Matas ajude e vingue o que é seu.
Se replantarem em todo o país duas árvores para cada uma que se cortou, aqui, no Pará e onde seja, verdejaremos...