Bem-vindo ao Blog do Caminho das Folhas.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

abriu caminho

A lua de São Jorge este ano não teve o aspecto que à data se associa na cabeça dos fiéis e nas quadras populares e pontos de Umbanda. Ano passado foi num sábado de Lua Cheia e comemorei numa festa em homenagem a Pixinguinha (cujo aniversário verdadeiro dizem que afinal não caía dia 23, não..)
Em 2017 porém, longe de ser Lua cheia, perto de cheia ou pelo menos gibosa, o astro estava a dois ou três dias da Lua Preta.
E isso é ruim? não, é inevitável e principalmente diferente; se a Lua está perto do fim do ciclo não representa esplendor mas traz características de limpeza e desobstrução; se chove muito como choveu então isso ajuda na limpeza.
Saravá Ogun!
Após quase três meses fora do ar por problemas técnicos impossíveis de resolver sozinha o caminhodasfolhas está de volta; Voltamos na noite do dia 23. São Jorge deu caminho.
Não é à toa que o abre-caminho além de pertencer a Ossãe é também erva de Ogun.

De tantos comentários que deixaram de ser feitos e com duas ou três semanas de atraso, solidarizo-me com todos os jornalistas, artistas, rabinos e outros que protestaram contra o convite pela Hebraica a um político notoriamente intolerante com tendências francamente fascistas; aquele de quem falei aqui quando declarou que a sua colega não era digna de ser estuprada por ele. E sob pretexto tal convite, dizia na coluna do Arnaldo Bloch, que o moço "gostaria de judeus". Na mesma coluna de 8 de abril denunciava-se a presença de manifestantes gritando"judeus sem-vergonha". Essas pessoas estariam muito melhor na companhia do dito político. Não há diferença alguma.
Porém na mesma semana em evento no Instituto Cervantes sobre Espanha sefardi, a platéia se pôs a cantar todas as canções aludidas pela palestrante, cantigas difíceis melodicamente, e cantigas muito antigas, medievais; cultura viva não apenas nos belos discos da Fortuna mas nos lares e nas mentes.
A Hebraica não precisava de semelhante convidado para se projetar, bastava chamar a mesma pesquisadora da palestra.

Que Ogun abra caminho para a tolerância na França, nos países muçulmanos e no nosso continente.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

grafitando a violência

Bem, o prefeito carioca marcou um ponto com a arte mural, chamando os grafiteiros proibidos de desenhar em SP para cá. Que acerte muito esse bom senhor e não se desdiga...
Mas a foto publicada no Globo de domingo assusta-me. Existe uma tendência nesse campo a ilustrar com desenhos violentíssimos e esse nem é o pior. Porém acredito que mão segurando garrafa quebrada e apontada ainda por cima para perna feminina é de muito mau gosto e espero que alguém se manifeste. Alguém não, muitos. Ou vai todo mundo ficar em silêncio?
Não é possível que só a mim incomodaram os seguintes desenhos:
- um ursinho de pelúcia enforcado na saída do túnel da Barata Ribeiro, ficou anos por lá à esquerda do trânsito
- um homem sendo torturado não longe da sede do Glorioso Botafogo (ou Pinel, ou UFRJ da Praia Vermelha, qualquer que seja a sua referência). Esquerda do trânsito.
- uma cabeça cortada e de olhos e boca costurados na parede da agora extinta favela da Rua Alice.
Tenho pena dos primeiros moradores da dita, e conheci alguns, nada felizes com os novos habitantes; foi comunidade pequena com casas bem-feitas... até ser tomada pelo tráfico que ilustrou da forma citada o muro e acabou levando a que pagassem como tantas vezes os justos, junto com os pecadores.
Ao lado dessas belezas o vidro ameaçador (São Cristóvão, diz o jornal) é café pequeno mas se os funks "proibidões" são proibidos por incitarem á violência, para quê permitir estas manifestações que atingem a TODOS inclusive crianças?
Adoro o camaradinha de bigode e a sua namorada, os fradinhos transformados em Playmobil e todo grafite INTELIGENTE.  Usar arte para na via pública exibir cenas de brutalidade me parece e sem trocadilho um tiro no pé.

domingo, 29 de janeiro de 2017

criançando

No Centro do Rio está em cartaz a exposição Brinquedos feitos a Mão; incrivelmente é tudo uma só coleção, de artesã que também sabe fabricar bonecos e carrinho.
Tem de pano, de pau, de lata, de plástico  reciclado (garrafa PET; tampa de garrafa); tem cozinha e dormitório de boneca caprichadíssimo, caminhão e barco de todo tipo, boneca amamentando, boneca grávida, boneca que engatinha, Lampião e Maria Bonita. Só indo ver.
Há um espaço pras crianças brincarem com amarelinha, corda de pular, jogo-da-velha, cinco-marias e latas que aumentam a estatura.
Nesse mês de janeiro em que as chuvas pouco ficam e por conseguinte pouco refrescam, com tanta notícia preocupante, essa oásis que ainda por cima é refrigerada alivia o corpo e o coração.
Vale lembrar que ali do lado há os doces da baiana do acarajé, e o melhor acarajé da cidade para os pais. E que brincar é aprender; ser criança é brincar, e brincar não é ficar sentado no sofá com o celular na mão acessando jogos virtuais.
Que a Mãe das Águas em seu dia que se aproxima possa nos fazer a todos crianças.
Odô Yá!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ao senhor das matas

O candomblé tende a acentuar mais o aspecto "caçador" de Oxoce, não é á toa que na Bahia o santo é sincretizado com São Jorge, matando o dragão. Aqui nestas plagas, numa estranha inversão, usamos a imagem de São Sebastião. Imagens da Umbanda tendem a não exibir flechas, só o santo amarrado ou encostado no tronco. (Da mesma forma o Oxalá umbandista é o Cristo abençoando, vestido, jamais o crucificado.)
O que a Umbanda acentua bastante é que Oxoce é o senhor das matas, Caboclo e Oxoce é praticamente a mesma coisa na maioria das casas para a maioria das pessoas; "no es lo mismo pero es igual".
Existe sim diferença, e muita, guia é guia, orixá é orixá; mas ponto de Umbanda muitas vezes é assim mesmo... O importante são as matas. Boa notícia de SP, recuperaram importante área da Mata Atlântica daquele estado.
Mas o santo tem ainda muito trabalho pela frente. E como tem. Na Amazônia além de recuperar o que recentemente foi criminosamente queimado, e menos recentemente criminosamente devastado, será bom punir executantes e mandantes. Não se atenha o santo apenas ao Brasil; veja a área colombiana do Magdalena e faça alguma coisa por ela.
E não esqueça de caçar, não os bichos de pelo mas sim os caçadores, encabeçando a lista os chineses que mandam matar onça-pintada para vender como "tigre" nas suas poções. Fitoterapia chinesa que se preza não usa partes de animais, apenas folhas e sementes.
Saravá Oxoce!
Salve o Senhor da Mata, saravá Caboclo.
Okê Arô. Okê Odé!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Não é necessário ter votado no novo Prefeito para desejar que dê mais certo do que o anterior. Vejo que quer criar sementeira, reflorestar a cidade, e rever a "racionalização" com aspas, dos ônibus cariocas (que deixaram de circular à noite). Se esse prefeito fizer tudo que disse aos jornais que ia fazer, e não fizer tudo que declarou que evitaria, estaremos no lucro. Torçamos!
Que não traga a ojeriza a árvores do antigo (em quem também não votei). Até o último dia o senhor Paes mandou a Limpeza Urbana cortar árvore por toda a cidade, e nas redes sociais havia denúncias, cuja exatidão não tenho como avaliar, de que estariam vendendo a madeira pelo quilo.
O que explicaria a febre de cortar e cortar até o último instante.
Fica a dica pro novo Prefeito, proíba qualquer artefato de plástico perto do mar o ano inteiro e mais nas festas, pois as pessoas descartam na areia sem pensar, e muitas devem acabar no mar. Catei um monte na noite do 31 mas foi pouco... Basta querer; e os fabricantes inventarão outras embalagens. Eu já ando com a minha caneca de ágata há meses... Criem garrafa, sei lá, de fibra de coco? De papelão tipo caixinha de suco?
Desculpem mas meu otimismo está em baixa no geral. Mais PMs morreram no Estado do Rio do que há dias no Ano Novo, e no Pará já mataram o primeiro ambientalista, um blogueiro que se refugiou dos desmandos do governo angolano para criar filha no Brasil. O Pará tem um dos mais baixos níveis de mortes de ambientalista resolvidas e punidas, creio. E esse crime nem foi em Belém, e sim no sudoeste do estado. O diferencial é a nacionalidade da vítima, que talvez nessa hora ajude.
Dizem que o ano é de Oxóssi, além de Oxum, então que o Senhor das Matas ajude e vingue o que é seu.
Se replantarem em todo o país duas árvores para cada uma que se cortou, aqui, no Pará e onde seja, verdejaremos...





domingo, 4 de dezembro de 2016

túneis

Sim, que haja luz no final desse...
Mas queria falar do túnel Santa Bárbara. Creio que nunca o fiz aqui e se o fiz, pois faço de novo e pronto.
As pistas de ida e vinda, como se sabe, são separadas no túnel por uma parede, erguida na década de 1980 para diminuir a poluição e diminuiu mesmo. Antes, muitos lembram, os vapores e metais pesados ficavam presos lá dentro e eram inalados.
Sim, continuou-se a sujar o ar, apenas não se aspirou tanto material tóxico ao entrar ali (motorista de ônibus então agradece mais ainda).
E no começo da obra os operários que usavam um espaço normalmente fechado para trocar de roupa e guardar ferramentas encontraram um imenso e lindo painel de Djanira em homenagem à santa. E não menos aos operários que haviam se acidentado durante a construção. Mosaicos creio.
Começou então uma luta de várias Associações de moradores, Laranjeiras, Catumbi e Santa Teresa, todas declarando terem mais direito. No final das contas se fez a coisa pior de todas, se desmontou , CRIMINALMENTE, o painel e se levou pra algum lugar (certamente mais um galpão) da Prefeitura.
Gostaria de saber que foi reinstalado no túnel, oculto, para a santa e os operários. Exatamente como a artista desejara. Ela bem sabia que expô-lo à fumaça não era boa idéia e atiçaria as cobiças dos que passariam.
Como nunca mais ouvi falar do painel, desconfio que se estraga no depósito onde o deixaram. Ou foi dali levado por alguém que gosta de arte e achou que fazia um favor ao ficar com ele.
Adoraríamos saber que voltou ao seu lugar original, já que não foi feito para ser exposto. Fazia parte da homenagem e removê-lo foi um estupro.
Mas, se não voltou, que a santa ajude em seu dia e sempre para que seja reinstalado.
Salve Iansã, salve Santa Bárbara, e salve o Riode Janeiro. De todos os lados do túnel.
Epa Hei Oyá.

domingo, 27 de novembro de 2016

.. e as outras palavras!

O neném gostou do desenho de um peixe rosa e amarelo e a mãe baixou  da rede. Muito bem, uma hora pediu pra ver.

Era um vídeo infantil sim, mas evangélico. Juro que não é implicância com o prefeito eleito (que apoiou o que sai e que agora sai de vez, pra Miami parece. Prefeito de uma cidade e o seu sonho era morar fora dela... meu Deus).
Voltando ao vídeo, foi oportuna coincidência, oportuna porque agora sei exatamente com quem vamos lidar.
Primeiro e por muitos minutos e cenas, a afirmação seguinte, 
- Quem não lê a Bíblia não cresce/ Tem que ler a Bíblia pra poder crescer. 
As imagens não variavam, crianças e Bíblias abertas. Depois vieram os bichinhos que justificavam o desenho do peixe, em número de três. -Se eu fosse um elefante, com a minha tromba eu louvaria o Senhor. Se eu fosse um urso polar, com todo o meu pelo eu louvaria o Senhor. Se eu fosse um peixinho no fundo do mar, eu louvaria o Senhor.
Não havia acabado. As crianças voltaram, vestidas de soldados, não de soldadinho de chumbo mas uniformes verde-oliva com capacetes brilhosos. Declaravam que eram o exército da Bíblia.
Comentei com a irmã do neném que se eu achasse que ler a Bíblia fosse ruim em si, não a lia volta e meia na minha casa, nem menos dava uma edição infantil ilustrada para ela. Mas que jamais me passaria pela cabeça proferir ameaças do tipo "ou lê ou não cresce" e pra mim estava de bom tamanho. Ela assentiu gravemente e como o neném não permitia que se desligasse, saí da sala.
Logo apareceu a menina, indignada. Tinha atingido ela também o seu limite, que era declararem as crianças que eles eram Os Cristãos. Como a mãe é católica praticante e o primo acaba de fazer comunhão, se sentiu atingida.
E agora sabe exatamente ela também com quem lida, sem ninguém ter precisado fazer a cabeça. 
Pois é, há palavras de boa vontade; mas como disse antes, há as outras.