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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

motivos para indignação

 Ficar nove dias sem navegação nem fixo porque a operadora faz "reparos".

Ler que a Câmara do Rio homenageou o  Nervoso prefeito cortador de árvores, um acinte. Os do PSOL  apenas se abstiveram, para deixar talvez o filho do presidente sozinho na contramão. Mas assim tiveram a grata companhia do 3o vereador mais votado, o jovem PM licenciado, de extrema-direita também. Este trecho mencionou aliás não um, mas os 3 mais votados, o do PSOL seguido pelos dois que se dizem "conservadores", e não são; são fascistas. Conservador era Dom Eugênio, a sra Thatcher, e por aí vai.

Reclamei no ato no zap do único pessolista de que tenho o contato. Nem foi o que escolhi na hora de votar ainda que seja gente boa; porém enquanto fazem política politiqueira o Nervoso corta árvores. Não sei quantas na Tijuca, e a Prefeitura concedeu a licença. Dois vereadores exigiram  a suspensão dos cortes (ATÉ A SEGUNDA PASSADA...) Esse referido pessolista e o simpaticíssimo frei do PT para quem puxei muito voto. Mas era " até a segunda-feira (passada)" , uma execução adiada de alguns dias. Vergonha.

Dá nojo ler que atribuíram ao catador assassinado a morte do não menos assassinado músico há dois anos e meio. Todos os disparos dos policiais militares foram, suponho, para tentar defender a vítima. 

O Brasil, infelizmente, tem dado nojo. Luto até o fim. 











terça-feira, 5 de outubro de 2021

... e Amazônia de pé!

 

Parece que foi noutra vida, mas há uns dez ou doze anos assisti nos jardins do Museu da República, a dois documentários  (pelo menos um dos Sylvio Tendler, talvez os dois). O nome do evento era Tortura Nunca Mais.  Não disse que parecia outra vida? Os documentários tratavam da repressão a militares que não haviam compactuado com o golpe de 64.

Tanto quanto me lembre, todas as Armas e patentes sofreram baixas, logo nas primeiras semanas. Um punhado diante do conjunto dos fardados, mas foram simplesmente assassinados. Um só já teria sido demais.

Então lamento só ter duas mãos para aplaudir as constantes declarações do ex-porta-voz deste governo, que é general de divisão; e em particular o artigo publicado no Globo na página de Opinião, ontem dia de São Francisco de Assis, data auspiciosa. O general tem em sua estante um livro de 2005 de Carlos Fuentes sobre um dos problemáticos presidentes mexicanos, A Cadeira da Àguia.  O artigo demolidor simplesmente comenta, no mais elegante português, trechos e mais trechos desta obra de Carlos Fuentes. Sobra para o mandatário e todos os ministros, ou "Secretários" à maneira norte-americana. Por ser curto aí fica o do Secretário da Saúde, nas palavras do general "adulador inveterado, malandrim catado na velha política provinciana, que se aproveita da função para desfrutar em vez de curar". Sem jamais citar o presente governo, retrata-o com minúcia.

O general, que recentemente andou comentando na direção do Planalto que "o poder absoluto corrompe absolutamente", termina nos desejando Paz e Bem!

O país precisa de colaborações como essa. Paz e bem, e Amazônia de pé (o secretário do Meio Ambiente, que "esparge inseticida sobre qualquer coisa que voe" é também muito bem visto...)



sábado, 25 de setembro de 2021

alhos e bugalhos

 

Quando denunciávamos o Gabinete do Ódio os odientos sempre negavam que existisse. Pois agora que a Polícia Federal encontrou referências e mais referências, o que alegam? "Era brincadeira". Em suma a oposição inventou o termo, pelo visto, e a situação se diverte usando. Ah, tá.  

Sem dúvida o pecado maior do governo não é o ministro mostrando os dedos médios de dentro do carro oficial, em visita idem; mas é um bom símbolo. Idem, o outro ministro, meu Deus, o chanceler! fazendo a arminha com a mãozinha ao ser criticado (inconscientemente deseja "metralhar a petralha", deduz-se.) Este, pelo menos, se for terraplanista, não alardeia. Demais, quem espera bom governo e boas frases de gente nomeada pelo ocupante atual do Palácio do Planalto tem raciocínio que difere do meu.

O que realmente me preocupa além do núcleo (um quinto da população) que ainda aplaude, são os adeptos da Terceira Via, os da Terceira acima de tudo. Eu também queria. Mas se não houver vota-se no que der, não sendo membro do atual governo. Ex-membro pode estar valendo. Infelizmente, não chegam lá. Poderiam compor a chapa ou ser convidados para um futuro ministério, e acho que deveriam se futuro ministério houver. Quem vai chegar lá, ao que tudo indica, é o ex-presidente, e o que me preocupa é que haja pessoas equiparando o ex e o atual. Existem, respiram, todos conhecemos pelo menos um.

Aí na hora fazem o quê, se a alternativa for essa? Fazem beicinho e anulam? Viajam pra Europa com a namorada,  como certo ex-candidato no segundo turno de 18? Dão mais quatro anos para a Coisa Ruim acabar de destruir o país? Hoje políticos de centro, como FHC e o citado candidato que se sabe fora da corrida, entendem a diferença entre esses dois e a real ameaça à democracia que representa a continuidade; para nada dizer do meio ambiente destroçado. São alhos e bugalhos, minha gente, laranja e banana. E aliás, bota laranja nisso. Fala sério!









domingo, 12 de setembro de 2021

vassoura

Não há mal que sempre dure e um dia, tomara  eu que mais cedo do que mais tarde, a linha de governo vai mudar. Não tenho a certeza que um impedimento, que nos traria o vice, apto à reeleição, seria o ideal. Cassemos a chapa... Mas no dia em que mudar para melhor, teremos dois grandes problemas.
O que fazer com os 20% de apoiadores de tudo o que é ruim, perverso, destrutivo? os que acham que se deve "armar o povo", o povo sendo claramente eles, e o resto a caça. Pode ser que o corona, outro vírus e quiçá o bom senso tenha reduzido as fileiras. Mas livrar o país de todos eles acho difícil. Lembremos de uma das causas, a principal talvez, que alimenta essa fogueira, e indiretamente as queimadas físicas.
O que esperamos para começar a botar a parte da culpa que lhes cabe onde deve caber, nas costas dos pastores, que compraram o discurso fascista em detrimento do que diz o livro sagrado? Que Deus é amor é esse? Voltamos aos poucos aos tempos da Inquisição, não há agora "Domini Canes", dominicanos (e beneditinos) sedentos de sangue suspeito; há reverendos desejosos de fechar terreiros e conquistar mentes, para uniformizar o universo inteiro. Roubando, como vemos, se parecer conveniente; e as honrosas exceções merecem aplausos e loas.
A Igreja Católica precisa reconquistar terreno.
 A outra coisa evidentemente é como replantar tudo que foi cortado e queimado, para não morrermos todos de sede.
Isso exige remover e punir os madeireiros, garimpeiros, plantadores de soja e demais criminosos; e fiscalizar perenemente. Com a ajuda dos donos  primordiais da terra, os indígenas de toda etnia.
Vemos no Rio capital a Lagoa cheia de espécies como colhereiros há muito sumidas, as que nunca saíram cresceram e se multiplicaram. Ouço onde moro os queridos de sempre, do sanhaço à corruíra, e outra meia dúzia de cantos que não identifico.
Mas onde estão as motosserras a coisa é diferente. Até a presença na  serra e em parques cariocas de tucano de bico amarelo, Ramphastus toco, pode indicar espécies fugindo para o sul. 
Não tenho na manga a solução para todos os problemas. Sei porém que antes de passar pano se varre, e se encera no fim da limpeza.  E às vezes antes de varrer a sala, se deve varrer e aguar o quintal para que a imundície não ponha tudo a perder.
Vassoura!









quarta-feira, 1 de setembro de 2021

a cor da alma

 Como ao escritor moçambicano, a mim também faz muita falta o Brasil.

Discordo do grande Martinho da Vila quando define o atual presidente da Fundação Palmares como " preto de alma branca", usado naturalmente ao revés da horrenda expressão que Monteiro Lobato gostava de pôr em seus livros. O cantor quis dizer com isso que o infeliz vive de mal consigo, quer ser branco et coetera e tal. Parece ser verdade. Mas ser branco ou não negro não significa ter a alma como este senhor. Bem, é verdade que os parâmetros deste são aqueles tomadores de leite, de sangue sem mistura e montados em motos como o Duce. Ou os neonazistas do sul do país.

Não sei se Martinho não pensou nisso, ou se foi mesmo um tanto simplista. Acerta quando diz que era preciso levantar acampamento e reerguer a Palmares noutro lugar, que lá não tem mais nada, graças ao Amargo.

Há meses quero divulgar que o pai deste senhor, ainda vivo e cheio de garra, foi homenageado com uma praça em seu nome numa cidade do interior de São Paulo, onde mora e escreve, É poeta e militante, daí a homenagem, e não ficamos ainda sabendo se a Palmares tinha alguma obra sua, e se tinha, se foi destinada às doações do diretor (Parece que remaneja os livros que exclui. Menos mal. Não os manda para a guilhotina nem para uma emblemática fogueira. Algum respeito pelos livros o pai incutiu nele. Pelas pessoas sobrou muito pouco). 

Pois há também um irmão de cabelo rasta, sorrindo no caderno cultural do Globo, que é músico. Quer ser lembrado como filho de seu pai, não como irmão do seu irmão, com quem procura manter certa paz e muita distância. Tem vários outros irmãos, nenhum  deles Amargurado. Dá na família seis ou sete pessoas ao lado de uma, ocupada em destruir a Palmares. Mas nessa proporção, se vier a ser de todo o aís, dá para a alma acreditar no Brasil. Qualquer que seja o tom da pele.








domingo, 22 de agosto de 2021

catacumba e capanema

 Ainda nada está claro nem certo sobre o `Palácio Capanema, antigo prédio do MEC, Ministério da Educação e Cultura, ali no Castelo.  Das poucas quase certezas, não era tombado como todos sempre imaginaram, e teria de fato deixado a prateleira "destinada à venda" pelo inacreditável ministro, que o teria retirado diante da pressão. Pressão determinante parece ter exercido o governador fluminense, talvez na intenção de dourar um pouco a própria imagem; fato é que saiu da cadeira, pegou um avião e foi falar com dois ministros. O sorridente prefeito devia estar sorrindo em algum churrasco sem máscara, como já ocorreu com ele, e o governador também.

Um bravo vereador de oposição conclamou para um ato que todos pensaram que estivesse organizando, mas não era. Circulou porém outro arquivo que eu mesma ajudei a divulgar, no dia seguinte à visita do governador à capital. Dizia que a ideia da venda tinha sido esquecida. A primeiríssima pessoa que o recebeu, pelo menos de mim, foi o referido vereador e passei, acho que muitos passamos, o resto do dia grudados no celular para ver se alguma confirmação chegava. No Globo descobri que não era tombado o imóvel. Pelo meio do dia seguinte, o vereador nos lembra do ato que se imaginava cancelado....

Bastante desorganizado, houve como ponto alto bailarina na pista quase vazia (enquanto o sinal lá pra cima não abria) e bandeira pintada a mão acompanhando: excelente, dança é cultura, pintura também.. Ia-se abraçar o prédio mas seríamos suficientes? Como abraçar sem dar a mão? Permaneci meia hora; pelo menos o jornal publicou foto dia seguinte.  Disseram-me que está em vias de ser declarado Patrimônio da Humanidade. E tomara. 

Quando estamos ainda de sobreaviso mas com tendência a relaxar, circula uma petição da seríssima Avaaz. Pensam erguer um prédio, onde? no parque da Catacumba. A Catacumba se vinga talvez da remoção brutal da favela para, creio, a Cidade de Deus, bem mais arborizada e agradável nos primeiros anos, ou meses, do que a Vila Kennedy que já nasceu torta. No entanto o parque, cheio de árvores frutíferas que atraem passarinhos, abriga muitas estátuas, algumas belíssimas e é outro patrimônio tantos anos depois.

Talvez se consiga reverter mais este absurdo; mas agora já sabemos o que fazia o nosso prefeito, que não se manifestava sobre o Capanema.








terça-feira, 17 de agosto de 2021

mal na foto

A foto está aí que não deixa mentir: o sodado norte-americano aponta e grita, joelhos fletidos, para o afegão que passa armado e o ignora solenemente.

Não sei a história pregressa dos principais atores da foto. Mas o soldado uniformizado ficou  mal nela. Como seria bom pensar que está ali para defender vidas afegãs. Está ali para  proteger a saída dos seus compatriotas locais, inclusive o  seu embaixador.

Relata a cineasta afegã Sahraa Karini que já foram mortos diversos artistas populares; executados, não foi bala perdida. Nem você nem eu sabemos como são os artistas populares afegãos, mas esses morreram porque cantavam; ou participavam de filmes, e o Islã fundamentalista proíbe tanto a música como a reprodução da imagem humana, o que inclui cinema além de retratos. Há uma discussão a respeito do conceito de "Islã liberal", não poucos afirmam que isso não pode existir: que seria um oxímoro, digamos. Oxímoro ou não, há interpretações mais tolerantes do que a desses combatentes. 

Os novos talibãs, filhos daqueles, afirmam estar hoje preparados ao diálogo com outros países e determinados a preservar o patrimônio artístico e arqueológico (ainda) existente. Bom ler isso. Preservar vida, respeitar o outro e a outra também seria bom. 

Só as pessoas de lá podem um dia libertar-se do jugo, se considerarem jugo. choro pelas mulheres como Karimi que pretende "ficar e lutar pelo seu país", uma atitude não islâmica apesar de noutra foto termos visto a mocinha de burca turquesa empunhando armas no tanque, ladeada pelo pai, sogro ou quiçá marido, e pelo irmão, marido ou o que fosse. Ela provavelmente não teve opção, seguiu ordens, e ainda cumpria a função de distrair o atirador do outro lado com a sua presença.

É tristíssimo, como é triste ver brasileiros abdicarem do raciocínio para obedecer ao microfone do pastor. Mas só os locais podem resolver. E para isso, rezemos.