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domingo, 13 de outubro de 2019

viva o Pedro II

Parabéns aos garotos do Pedro II.
 Identificaram imediatamente os dois deputados, federal e estadual que foram "vistoriar para ajudar" como os "quebradores de placa da Marielle Franco"'. E os vaiaram à vera.
Não pensei que tanta gente tivesse guardado os nomes. Não merecem perdão e não o tiveram.
E é sempre lembrar que o atual governador do RJ ria como uma hiena assistindo à cena. Depois , ano seguinte, se reuniu com a família.
Os adolescentes estão em boa companhia, porque todo mundo virou perigoso extremista (pela lente do governo todos são de esquerda)  inclusive o presidente francês e Sua Santidade  o papa Francisco.
Viva o Pedro II!


domingo, 6 de outubro de 2019

artes circenses

Levei uma criança para ver "Coppélia" por primeira vez no Theatro Municipal.  Sempre bom rever esse balé e o curioso foi que há meses, quando vejo fotos do nosso ministro da Economia, ele me lembrava alguém vagamente conhecido e eu não sabia quem.
Mas claro! é o Doutor Coppelius. Igualzinho.

Menos divertido é ler que o infame diretor de artes Cênicas da Funarte, o mesmo que do nada saiu ofendendo a nossa maior atriz viva, pretende fazer do Teatro Glauce Rocha o primeiro teatro cristão do país.
Li no Xexéo, que indignado se declara cristão e afirma não querer saber nada de teatros para cristãos. Concordo.
Religião e arte, assim como religião e política, não caminham muito bem juntas. Há uns três anos houve enxurrada de filmes cardecistas. Não vi nenhum e se fossem umbandistas também não iria ver. Lembro com horror de um catatau de três horas com o Mahabharata, que respeito muito e sei que serve de base a encenações populares de seus trechos mais conhecidos na Índia. Mas aí è outro o contexto e a dinâmica.
Respeito muito o Papa Francisco mas não irei ver biografias filmadas suas e muito menos de outros papas. E quanto à biografia daquele tio de prefeito carioca, cuja igreja compra e distribui lugares, sem comentários.
Voltando ao malfadado teatro, é aquele da Rio Branco com quiosque de flores na porta. Que tenha pouco público é uma coisa. Outra é teatro para cristãos: e se não fosse ter lido que o dito alucinado, agradecido da cura de uma doença, vai a duas missas por dia, ainda pensaria que é mais um apropriando-se do termo indevidamente, como o usam os pastores, e estamos cansados de ouvir.
Houve demissões na fundação e o energúmenos declara que assim terá a oportunidade de botar gente fiel ao governo.
Encenem chanchadas e ponham em cena micos e palhaços, pra ver se uma hora o circo pega fogo.



segunda-feira, 30 de setembro de 2019

saravá esse

Hoje dia 30 de setembro, com as obrigações feitas e contas pagas (falta levar na pedreira mas isso será de tarde) voltando para escrever o blog, ouço uma profunda discussão filosófica atrás de mim, duas vozes adolescentes, e uma das vozes declarava ser da Umbanda e querer muito respeito (que o outro não negava, por sinal. Melhor assim.)
Me voltei a perguntei quem era da Umbanda, o mais altinho talvez prevendo confusão declarou que era ele, desafiador, e se abriu em sorrisos quando o abençoei e pedi que os santos o façam crescer formoso e bonito.
Foi um alento em momento tão triste para o país, e pela mão dos orixás, porque palavras não foram ditas e o garoto entrou numa portaria.
Saravá nós, força aos guias e orixás e que o Senhor da Pedreira fulmine os que desejam dominar o mundo e implantar nele religião única.
Estou emocionada.
Vivam os jovens umbandistas e aplico a eles o ponto de jongo, que é avô da Umbanda,
"Pro jongo não se acabar, Deus dê força e proteção ao jongueiro novo pro jongo não se acabar".
Desejo que Deus dê força e proteção ao umbandista novo pra Umbanda sempre brilhar.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

pra não dizer que não falei das flores

Dom Sebastião sempre dizia
Que um dia ia se desencantar
e nós agora vai brincar n´areia
Dom Sebastião mora no fundo do mar

Esse ponto da encantaria maranhense, entre outras jóias, foi gravado por um renomado grupo de música antiga e cantado no palco e no documentário agora exibido.
Trata-se, claro, do extraordinário Música Antiga da UFF, notável e único de várias formas e não menos por ser um grupo com contrato e carteira assinada.
Há outros, e louvada seja a iniciativa da UFF, que fez o mesmo com por exemplo uma orquestra. De música medieval e renascentista nesse caso poderá haver outros pelo mundo mas no Brasil não.
Sim, há vários, e houve outros que já não existem à medida que os membros saíam de cena por idade.
Um deles se chamou Tandaradei!  o que aponta para membros fundadores afeitos à antiga poesia alemã (o canto do rouxinol para os ouvidos do autor!)
A própria Rádio MEC ouço dizer que teve o seu grupo, e para quem se espanta com tanta gente querendo saber de música medieval no Brasil eu sempre digo, nada tem de surpreendente.
Temos facilidade na pronúncia do latim, quando é o caso da letra, o nosso povo é notadamente musical, e o nosso idioma permite formar muitos sons diversos o que é útil, já que  os membros cantarão também em provençal, francês antigo, espanhol e galego. Quando não em alemão. E como se viu acima, em português.
Em todas essas línguas canta o grupo de Niterói, que tem muitissimo mais do que a vista para o Rio e enriquece a vida cultural deste.
A excelência pode ser medida assim: todos respondem à pergunta "você se arrepende?" com largo sorriso e um Nunca! isso é o que eu tinha de fazer! ... menos justamente aquele mais ou menos diretor e cujas interpretações estão entre as mais belas que conheço, basta pesquisar na rede, por exemplo para  as Carmina Burana em particular "Sic Mea Fata".
E por que se arrepende? Porque lhe falta talento, acredita.
Imagina se não faltasse.
A UFF prestigia a cultura, é referência nas artes, para cinema e para música.
Em tempos tristes e desesperançosos, em que se tem de dizer "Luto pela Amazônia" como no amargo trocadilho do Greenpeace que publicou nos jornais uma folha toda preta no Sete de Setembro, notas de música são pétalas de flores portadoras de pólen.


domingo, 25 de agosto de 2019

nas ondas



Dados da manifestação




Código de Acesso: aipe1017

Órgão ou Entidade: EBC – Empresa Brasil de Comunicação S.A.

Cidadão: Gisela

Tipo de Manifestação: Reclamação

Prazo para Atendimento: 23/09/2019

Descrição da Manifestação: Assunto: vinheta desastrosa



Prezados ouvidores, a crítica não é voltada para as rádios EBC mas foi o caminho que sugerido pelo zap de vocês.

No caso, a rádio que ouço é a MEC FM mas sei que a AM é também excelente e até acabar, quando a minha filha mamava ainda, ouvia a Nacional FM. Só tenho elogios a todos e todas.



Não se discute o direito do governo de pôr no ar as suas vinhetas já que são rádios públicas, o que quer dizer aliás de todos nós.

O presidente Temer por exemplo adorava interromper a programação para emitir comunicados.



O que questiono é a escolha da produção para iniciar esse "Fale com o Governo".

Lamentável.

Vamos lá; se alguém ligado ao atual governo fez no Sul ou em redes sociais a promessa que se instauraria a pena de morte no nosso já sofrido país pecou contra a Constituição. 

Agora, se tal promessa não existiu, por que foram escolher uma pergunta tão carregada de ódio e tão ideológica? Ou será que todas as perguntas direcionadas à produção da vinheta foram do mesmo quilate?

Este não é o meu país e também não é o país da MEC, Música, Educação e Cultura.

Me expliquem o que a pena de morte, que como ponderada e acertadamente explica o ministro, não existe em tempo de paz, tem a ver com educação e cultura para não dizer nada de música.



Tinha-se a impressão que o rapaz de Santa Catarina queria data certa para começar a cobrara a execução de seus desafetos.

Que vergonha.



Que ventos melhores nos possam abençoar.

censura ao afro-brasileiro!!!

Acabo de ler a resposta do Fernando da Quiprocó Filmes, que produziu o notável média metragem LIBERTEM O NOSSO SAGRADO. Para quem não sabe, sobre os objetos sagrados de Umbanda e candomblé, confiscados noutros tempos pela polícia; tempos esses em que por sinal não havia distinção clara nem na cabeça de quem louvava.
Os objetos estavam guardados no Museu da Polícia, na sede do antigo DOPS, na rua do Senado. Tentativas de vê-los sem vir armado de carta de universidade ou afim resultavam em pedidos para se enviar a solicitação por carta. E esta permitia à pessoa enfim adentrar o Museu, acompanhada de gentilíssimo delegado, que contava tudo mas ...NÃO MOSTRAVA a sala dos objetos sagrados, conforme narrei em "UMBANDA GIRA!" (Pallas Editora, Rio de Janeiro).
Isso tudo no passado, pois depois da obra no prédio os objetos SUMIRAM. Não é mais que não nos abrem a sala, é que não sabemos onde foram parar!
O filme dá voz a inúmeros pais e mães de santo e todo ele é um grito, Libertem o nosso sagrado.

Pois bem, este filme e dois outros sobre temáticas LGBT, creio, que reproduziam falas do atual presidente sem inventar nada, foram censurados na mostra do CCJF, no centro do Rio, na Cinelândia.
Para tomar só o caso do "Libertem nosso Sagrado", se isso não é perseguição religiosa eu não sei o que é.

PS li que os organizadores da mostra optaram pelo cancelamento, naquele espaço, evitando aceitar a mutilação do conjunto. Parabéns.
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sábado, 10 de agosto de 2019

livre expressão

Viva a imprensa em geral e as colunas de notinhas em particular. Saudades das colunas do JB, aguardo o segundo renascer da versão de papel. Por ora têm de matar a minha fome as do Ancelmo, que sempre esquadrinho, e foi ali que vi o auê com o livro de Luiz Eduardo Soares, antropólogo e professor. Pretendia lançar o seu trabalho mais recente na Uerj mas o preclaro governador do meu Estado achou de costas acima e avisou que tentaria proibir, não o livro que isso ainda não pode não senhor, mas o lançamento em prédio estadual.
Acrescentou que desde já proibia a presença de PMs fazendo segurança em qualquer local onde tentassem o lançamento; o Major do partido do governo meteu a colher para declarar que tinha de ser proibido o lançamento em universidades federais também.
Ah sim. O título, certo? "Desmilitarizar". Pois é.
Diante da reação intempestiva (e a do major compreendo até mais, o nobre governador continua civil!) considerei dever cívico adquirir o livro e divulgar a sua existência.
Não sei como nem onde fluiu o lançamento, nem se conseguiram proibir a venda nas livrarias das ditas universidades, o que seria alarmante. Agradeço retorno.
Os trechos que vi me pareceram mui oportunos e fora isso, viva a liberdade de expressão.
Numa semana em que o presidente declarou entre várias pérolas (viram a receita para poluir menos?) que se houvesse cadeia pra excesso jornalistico, todos os jornalistas estariam dentro.
Viva a informação, os professores, os jornalistas e historiadores.
Ah, e não baixem versões piratas que isso é vergonhoso, comprem na livraria...