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domingo, 10 de janeiro de 2021

fogo amigo

 Recentemente, o candidato do Planalto de lírico sobrenome escreveu no Globo, no espaço de um de seus melhores colunistas. Normal ceder, ou vender, pontualmente o espaço a algum político,  estes vêm de todos os lados. Chico Alencar e José Sarney já escreveram, creio que mais de uma vez ao longo dos anos, Haddad também, Temer, Paes e sei lá mais quem. A diversidade garante a independência. Vinha no caso recente, foto do engravatado senhor e em itálicos a informação de que o colunista excepcionalmente não escreveria naquele dia.

Em princípio estes convidados jamais ocupam espaço alheio, porém como o dono do espaço não ia escrever, vá lá. Costumam  os "visitantes" ser publicados no espaço inferior da página, ocupando toda a largura. Anormal seria a exceção virar regra; e vários dias de ausência me levaram a perguntar sobre o paradeiro do jornalista e até agora só uma mensagem automática. Na versão digital, a última coluna mencionou férias. Quando é assim, o modelo impresso traz a notícia das férias ao longo do mês inteiro, e geralmente a foto do ocupante habitual do espaço.

Agora se sabe que em 15 de dezembro houve demissões no Globo, de jornalistas e outros colaboradores, e redução de salários de vários jornalistas de primeira linha. Ente outros o colunista em questão. Ontem sábado me parece que outro, igualmente brilhante, não escreveu a coluna semanal. Além da deselegância, a prática já muda o perfil do jornal e se for continuada, mudará mais.

As fúrias presidenciais nunca deixam de acusar a imprensa de todos os males. Recentemente contrataram uma empresa para classificar jornalista em categorias. Embora não mencionados pelo nome no que saiu publicado, estes só podem ser "críticos hostis" ou que rótulo haviam escolhido. É uma pena imensa que esses profissionais levem chumbo por um lado, e depois sejam vítimas de fogo amigo.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

georgia on my mind

 Extremos de júbilo e horror neste dia de Reis..

Ontem um jornalista já previa a possibilidade da insistência do ainda presidente norte-americano em se proclamar vencedor levar ao paradoxo de uma vitória democrata para as duas vagas no Senado.

Como na eleição de Obama e pelo mesmo motivo, a emoção vem intensa. O motivo é que se elegeram para estes cargos negros num país que no século passado, mas há não tantas décadas assim, enforcou na rua a diverso negros e algumas negras apenas porque estavam bem vestidos demais.

Todos os supremacistas brancos, mais do que republicanos, tendem ao trumpismo. Com que olhos os seus partidários verão este senador, esse empate cujo voto de Minerva caberá à vice mestiça?

Crescem os pedidos para que o presidente derrotado se retire ou seja retirado, sem esperar o dia 20. Além da inflada autoimagem, há motivos bem pragmáticos para querer permanecer no poder. Ao se tornar cidadão comum, depara-se com diversos processos, acrescidos agora de novos pelas façanhas cometidas hoje.

O ano promete muita máscara de pano se prolongando e muita máscara-metáfora caindo. Talvez o presente dos Reis Magos à maior e mais antiga democracia do mundo vá além das vagas para senador .

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

tortura nuca mais

 Pra comemorar o Natal o tal engenheiro apareceu com várias facas na mochila e matou a ex, que lhe trazia as filhas para a data festiva, na frente delas. Que apodreça na cadeia,.

Outro (houve uma epidemia natalina, sobreposta à do corona)  perguntou por celular à ex-namorada se "gostava de surpresa". Pois é, a surpresa foi essa mesmo, dois tiros. 

Como digo, houve uma epidemia, mas casos assim sempre acontecem, Nada justifica um juiz se virar para o promotor e declarar belicosamente, - Ninguém agride de graça, o que é que ela fez?

Além de morrer, não é? Bem, a totalidade dessas mulheres tinham cometido o imenso pecado de se separar. Esse indigno magistrado levaria a palma da estupidez facinorosa, se a tirada de fim de ano do capitão não houvesse unido na reprovação políticos tão diversos quanto dois ex-presidentes e Maia filho. 

Não preciso ter votado na senhora ex-presidente , e não votei, para respeitar e aplaudir a sua coragem de entrar para a guerrilha, onde foi capturada, e levada às masmorras da inquisição militar. A tentativa de achincalhar a dor alheia respinga inteira sobe o achincalhador. Um ser humano de péssima qualidade, e disse um ex-presidente que entendia do risco desse bordado, um "mau militar". Mau tudo.

Em 2021 e sempre, tortura nunca mais.



terça-feira, 22 de dezembro de 2020

resta um

 Cai o rei de ouros, cai o rei de espadas..

Talvez fosse melhor para o Brasil amanhecer com chuva torrencial apagando todos os focos, e enferrujando todas as armas, até as que estão sendo fabricadas, e as máquinas que as fabricam. Sem dúvida. Mas já que, por mais que a gente peça, tanta chuva assim só cai, e em excesso, no Sul, um presente de Natal inesperado foi a prisão do imperfeito prefeito. O bispo da Universal, que se meteu com Zé Pelintra.

Já compartilhei meia dúzia de vídeos contundentes que recebi. Do que mostra Seu Zé, descalço, chutando o bispo sem amassar o terno branco, tudo com a paródia de uma frase famosa da seita em questão, até o que sobrepõe à foto do bispo sobrinho os dizeres, Avisem a ele que no xadrez é comum comerem o bispo!

Outras, como a do Krieger filho, achei que fugiam por demais ao que se convenciona chamar de caridade cristã, na semana de Natal.

O mais importante nessas prisões, e elas nem focam os sinistros "guardiões do bispo" denunciados pelo Globo, é ver abalado, trincado, o império da Universal, e através dele a maré evangélica que não respeita a nada nem a ninguém (era amiga de um padre, na Glória, a quem tentaram converter na soleira da igrejinha da Benjamin Constant. A outro, pai de santo, na porta de sua casa em Nova Iguaçu).

Existem religiões que NÃO DESEJAM ser democráticas, nem abrangentes. Já escrevi sobe isso em "Umbanda Gira!"; quando estive por um tempo no Movimento Inter-religioso do Rio, acabara de deixá-lo a única corrente muçulmana que estava lá, e logo saiu uma corrente pentecostal, idem. Ficaram os civilizados: metodistas, sufistas, et alii. Os mais raiz NÃO queriam dialogar com o inimigo, e o inimigo eram todos os demais.

Fosse um caso de autofagia à la Jim Jones... mas querem construir impérios, impor pautas, e são os primeiros a dizer, a Bancada da Bíblia tem muito a ver com a da Bala e a do Boi. Considero a Bíblia uma leitura essencial, e nela, lembrava um jornalista outro dia, está dito em Números "não poluirás a Terra que Eu criei".  É triste ver textos tão bonitos a serviço do ódio e da calúnia, como as que o bispo nao se envergonhou de proferir. 

Acabo de receber outro vídeo, o bispo e o presidente abraçados dançam no Carnaval passado, cantando, "zum zum zum zum zum zum zum, tá faltando um"


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

de bois e de burros

 O presépio gigante da igrejinha da Benjamin Constant, apesar de ainda mais provocador do que o anterior, foi benzido por Dom Orani e talvez por isso, ainda ontem se encontrava no Largo da Glória. Ano passado, tiveram de trazê-lo para o pátio da igreja, onde era visto por quem entrasse e também da calçada. Não lembro de ter lido que Dom Orani abençoasse a instalação em 2019. Alguém evoluiu, ou o arcebispo, ou aqueles membros mais fundamentalistas da vizinhança que já não tinham gostado de ver Maria amamentando, e gostaram menos da alusão à Amazônia.

O pároco não se rendeu, e este ano botou lá não apenas a Amazônia como também uma Sagrada Família negra, ou mestiça, conforme o termo de predileção de cada um. O padre escultor sabe perfeitamente que a Família não era negra, escolheu o símbolo. Não é mais absurdo, e é bem mais apto neste momento, do que nos apresentarem um Jesus louro e de olhos azuis, do modelo que enfeita tantas paredes mundo afora, contrariando as leis biológicas, ou será que quero dizer genéticas.

O padre escultor não é negro; ao contrário do inacreditável presidente da Fundação Palmares, que há algumas semanas baixou portaria excluindo, des-homenageando, homenageados de gestões anteriores. Havia  entre outros o Gil, Milton Nascimento e Marina Silva. Pois agora o Senado emitiu decreto cancelando o que ele cancelou, e até senadores que batem as fornidas pestanas para o presidente da sofrida República votaram junto. 

Num final de um ano como este, marcado pelo corona-vírus, e especialmente duro no Brasil entre políticas do absurdo, queimadas e agressões a profissionais da saúde, iniciativas civilizadas como estas são realmente bem-vindas. Contrastando com atos de selvageria lá fora, nos EUA e na França onde pelos mesmos motivos profissionais da saúde sofreram ameaças de morte. Já vimos este filme, prova que o governo e seus eleitores representam subproduto de uma civilização baseada em valores mercantis e video-jogos violentos, que sequer é original. 

Quero ter olhos pra ver, já disse....


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

detrator ou neutro informativo?

 O inacreditável governo mandou mesmo classificar os jornalistas em categorias segundo o grau de agressividade. Como conhece pouco a espécie, e aqueles cafés da manhã com os que não o incomodavam há muito foram suspensos, por inúteis, encomendou a uma empresa  a tarefa.

A notícia saiu antes do segundo turno, e desde então aguardo ler um artigo a respeito. Nesta Época há uma breve menção, já vi outra aqui e ali; soube que um dos aludidos, classificado como feio malvado, manifestou sua indignação em matéria que saiu apenas no jornal virtual, que no dia não pude ver e agora não encontro. É o colunista internacional de origem libanesa. Por que ele e não meia dúzia, no barato, de seus colegas, para não sairmos do jornal em que trabalha, para não falar da Folha e tal, é coisa que não sei. Talvez a própria empresa, que afinal é empresa que se prestou a semelhante papel, tenha pouca intimidade com a classe. Pinçou alguns artigos em alguns jornais e a coisa ficou aquém.

Os três tipos de jornalista são, vemos, o favorável ao governo, o "neutro informativo" e o detrator. Palavras deles.  O colunista do Globo de origem libanesa, que reside nos EUA e cobre com a mesma facilidade Oriente Médio ou Estados Unidos, é "detrator". Mais uma vez, se ele é, uma série de seus colegas são, o que prova a desinformação da empresa contratada, ao omiti-los da lista negra. Palmas para esses jornalistas, porque é mérito estar na lista e costumam escrever e informar muito bem.

Quero ter olhos para ver cair a vareta preta, como foram afastadas outras menos consideradas, e como até caiu a gorda vareta cor de rosa de outro hemisfério. Mas enquanto não sai, que as festas e a satisfação com alguns resultados da eleição não nos distraiam. Vigilância e luta, sempre. 


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

a consciência

 Para comemorar o Dia da Consciência Negra, dois seguranças de mercado no RS mataram a pancadas a um negro. Não sei o motivo da altercação se houve, mas a covardia já motivou o afastamento dos dois. Sim, vão responder a processo, mas o morto está morto. 

Era meu irmão-de-branco, tocador de tambor no terreiro. Me sinto enlutada como cidadã e como umbandista.

Está mais do que em tempo de exigir Ficha Limpa dos seguranças de mercado, e mais ainda, entrevista com psicólogos. São demais os atos violentos e criminosos praticados por eles em suposta defesa da propriedade alheia. Mataram, lembro, só no Rio pré- pandemia, a um rapaz acompanhado da mãe que fizera uma pergunta, à cachorrinha mascote de outra loja, e agora isso, dois contra um, o que no pátio do recreio se aprende que é errado; nem o rapaz que acabava de pôr o pé no mercado nem a cachorra haviam apresentado qualquer ameaça ou intenção de roubar coisa que fosse, e nem isso justificaria a violência. Não são pagos para exercê-la; e estes são só os casos de que melhor lembro.

O sempre surpreendente vice-presidente declarou que não há racismo no Brasil; escolheu mal o momento. Recentemente lembrei aqui que a governadora interina de SC é filha de pais nazistas. Racismo, venha de quem venha e direcione-se a quem se direcione, é nojento sempre.

Essa noticia ofuscou o brilho de outra, referente ao Camboatá, de que falarei noutra hora.