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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

todos somos professores de História

 Los buenos empezamos a cansarnos, declarou Mafalda numa de suas tirinhas.

Os democratas forjaram uma prisão para si de que precisam sair em nome da democracia e sem danos a esta.

Lá atrás quando ainda havia o governo Mitterrand na França a sua esposa e não pouca gente defendia o direito sagrado das mulheres muçulmanas usarem o véu. Só que o véu descambou com o passar dos anos para a revindicações como a/o burquíni, o certificado de virgindade, as repetidas tentativas de realizar excisão em hospital (pagas pelo Seguro Social, certamente) e mui concretamente mulheres  com o rosto velado de preto tirando foto de identidade. Culminou com o hediondo massacre no Charlie Hebdo e sinagoga.

Recentemente puseram uma bomba onde funcionava o jornal, sem saber que faz algum tempo já se mudou para lugar não revelado ( seria, parece, um bunker adaptado, e sem dúvida é preciso pensar nas vidas de todos.) O terrorista confirmou que pretendia explodir o jornal.

Oportuno lembrar da tentativa de envenenar os cariocas na Olimpíada. A polícia desbaratou a quadrilha amadora, dez capiaus e um cabeça, de vestes branca e barrete, filho de imigrantes e que assim retribuía a acolhida. Dizia, Foi minha a ideia, ia acabar com todos vocês cães infiéis, e mais um monte de turista judeu.

Agora decapitam professor em pleno dia. Ninguém leva a cabo um crime desse sem ajuda (Claude Lanzmann explicou que são precisos 3 homens no mínimo) e a polícia francesa sabe disto.

Aos criacionistas terraplanistas só falta a faca para chegar lá. Violência contra terreiros já empregam. Antes que no globo inteiro o extremismo impere, a lei deve proteger aqueles que criaram uma armadilha em nome da democracia. Respeite-se a quem respeita os outros. E quanto aos imigrantes, adequem-se ao país onde estão. Sua crença vai só até onde começa a minha vida. Todos somos Samuel Paty. E preferimos não ser degolados.


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

malas Artes

 Embu das Artes fica perto da capital paulista, de uma represa, de um grande parque natural. 

O prefeito atual é do partido do bispo-sobrinho que se defende com "guardiões" e os seus secretários, correligionários do governador fluminense, o Afastado. De um modo geral não são pessoas que se preocupem muito com parques naturais. Nem com Artes. Diz que se preocupam com "pautas de costumes", pois não?

Deveriam portanto estar rezando, ou orando como preferem dizer. Mas o ex-secretário de Cultura, candidato a vereador, e um amigo do mesmo partido, bebiam num boteco quando estourou uma discussão com PMS que também estavam lá.

Essa bancada dos moços tem afinidade com a bancada da Bala, o que até hoje não foi muito explicado, a não ser por vagas alusões a "defender a família e os valores". São os primeiros a dizer que muitas vezes é a mesma coisa.

Isso pra dizer que estavam armados. PMs normalmente, quando a trabalho, e por obrigação, também. A briga foi feia. PMs costumam atirar muito melhor do que jovens alcoolizados, da política ou não. Saldo da briga, um policial ferido na perna, o candidato morto e o amigo com morte cerebral.

Eu queria saber que espécie de moral esse povo acha que tem.

domingo, 11 de outubro de 2020

festa mesmo assim

 Nestes tempos podemos crer, infelizmente. Mais OUTRO coronel foi nomeado sexta-feira para a Funarte. Este acho que nem produziu filme com "tema militar".

A respeito de tema militar, há menos de dez anos assisti nos jardins do Museu da República num evento sobe Tortura Nunca Mais e Anistia, um documentário sobre militares assassinados por seus pares, por ordem superior, em 1964 quando nem estava ainda em seu pior momento a ditadura. O motivo, evidentemente, era serem legalistas. Salve sempre a sua memória. Mas o tal evento hoje parece que aconteceu noutro planeta.

Li que na EBC há agora mais de 60 militares, mas por ora se comportam como gente, e que assim continue. E mesmo assim, a MEC pôs no ar uma vinheta sobre o antigo selo FESTA, que não conhecia; merece uma pesquisa no youtube. Além de Elizeth Cardoso, onde quero chegar é que ouvi já duas vezes Pablo Neruda declamando o "Castro Alves del Brasil". Nunca ouvira a voz do poeta, de arrepiar simplesmente. Nem conhecia o poema. Ouçam, e viva a MEC e o selo Festa.

Por fim, uma lágrima para Quino e para Zuza Homem de Mello, duas vidas bem vividas. Cumpriram a missão. Palmas para o Zuza sempre bem-humorado e brincando de fazer o RRRR durar um minuto (quando conseguia, ria feliz, e quando não, ria mais ainda); partiu dormindo após ter brindado com a companheira de anos tantas realizações, inclusive o último livro que até entregou à editora. Perfeição.

E como sempre digo desde antes da eleição, a cultura sempre brotará. Com o meio ambiente a coisa é mais complicada.



um certain regard

 O olhar do ser humano está precisando de correção. Quando uma estripulia acaba mal e um quase adolescente é devorado por um tigre, a reação do público não pode ser assistir e filmar. Isto ocorreu em algum zoológico da Índia e provavelmente acabou da pior maneira possível, perda total para ambas as partes. Dificilmente vão deixar vivo um tigre comedor de gente.

Além de demonstrar quão mal equipados são os zoológicos indianos, ou alguns zoológicos indianos, já que só bem depois do rapazinho morto chegou quem tivesse o equipamento que neutralizasse a fera (bala de borracha, sonífero paralisante na sarabatana, nada disso havia à mão) o episódio demonstra que boa parte da população mundial está virando um receptor de televisão, tão capaz de reagir e raciocinar quanto um. Ninguém teve coragem de descer, um pelotão de três ou quatro homens armados de vassouras ou guarda-chuvas ou o que fosse poderia distrair a fera. Em vez disso ficaram filmando. Pior do que isso, as cenas circulam, eu não vi porque não quis. Fiquei no texto. Existe um nome em ingreis para esse tipo de coisa, "snuff movies", proibido aqui (felizmente!) e derivando da gíria "to snuff it", morrer. 

Quem veicula ou assiste estas coisas falta ao respeito não apenas com o morto, mas com toda a espécie humana. Sim, houve os gladiadores romanos. Não é uma tendência que nasceu hoje. É recorrente, estará em algum neurônio nosso, e por isso mesmo não pode ser estimulada. O olhar é algo precioso demais para sujá-lo assim.

Não esqueço nem devemos esquecer o esgar de triunfo dos então fortes integrantes do E. I, filmando-se enquanto gargalhavam ao ver marchar para o fuzilamento soldados sírios capturados, apenas de cuecas. É bastante parecido com caso do idiota que filmou para ter cinco minutos de fama.

Indecência não é privilégio de alguns. Gente tem de merecer o rótulo. Viva o olhar são.


domingo, 4 de outubro de 2020

o coronel não tem quem lhe escreva

 Parece que foi só um casal de idosos, mas vai que a moda pega.

Não devem faltar entre as hostes hostis fiéis aos bovinos (bovino como em admirador do Boi sonado e como em queimador de mata para botar rebanho) quem apoiasse a iniciativa.

Rasgaram e puseram fogo nas obras de Paulo Coelho que tinham em casa porque o autor critica o presidente. Foi pena, mas até onde sei resguardaram a privacidade do casal, não divulgando o sobrenome. Mas até se nada têm a ver com Alemanha, fazem pensar nos tempos do nazismo. 

Não sou nenhuma grande admiradora da obra do escritor, mas sempre me pareceu que ajudava as pessoas a serem pessoas melhores; era o que se depreendia das citações em matérias ou (poucas) quartas capas que li. Porém não blinda estas pessoas. Se blindasse, a queima não tinha acontecido.

Já na Cultura oficial com C maiúsculo o tira-bota-deixa o zambelê ficar tirou um coronel e trouxe de volta um ex-assessor de um filho do presidente. Dessa vez na Funarte. Sentiremos saudades do coronel?

A frase não é minha, mas vem sempre a calhar.

" Quando ouço falar em armas, saco da minha cultura."

















domingo, 27 de setembro de 2020

primeiro a boa notícia

 A boa notícia, além da enxurrada de voluntários no Pantanal, é que a maioria das onças-pintadas escapa do fogo, leio. Mas apesar da agilidade salvadora se machucam, sofrem queimaduras nas patas e ficam sem as presas, que essas o fogo alcançou. 

Então além de tratar das queimaduras dos animais sedados e de ficar cuidando de sua alimentação, o que gera hábitos indesejáveis, precisamos seguir por duas linhas, punitiva e reconstrutiva.

O replantio ainda é o de menos pois com a chuva as cinzas viram fertilizante. Já  circulam fotos do rebrote. Mas rebrote e replantio sem afastamento dos vilões não adianta. Dos vilões, de seus tratores e de seus bois. Punição e fiscalização efetiva. E de alguma forma reintroduzir espécies que se multipliquem logo, sem esperar que voltem naturalmente.

Essa como disse foi a boa notícia. A inacreditável? dois dos bezerros presidenciais, o mais velho e o mais novo, foram nesta terça a uma reserva indígena SEM máscara, e mesmo portando máscara teria sido leviano. Deixaram a todos os indigenistas de queixo caído e não foi de admiração. O raciocínio deve ter sido simples. Se o vírus dizimar umas aldeias e daí? Serão problemas a menos. Se nada sofrerem, quem sabe viram heróis para essa etnia? 

E enquanto isso os ianomâmis morrem.

domingo, 13 de setembro de 2020

memoriol ,gente..

 Eu queria entender por que pessoas de bem acham que o ex-prefeito (o mais recente, não o futuro ex-prefeito de jaquetão) seja um bom candidato. Nem por que é visto como "candidato das esquerdas". Ou simpático á esquerda. Ou simplesmente uma pessoa correta, que é o que importa.

Eu hein. Memoriol, gente. Familiares votaram nele para governador, e foi derrotado pela careca lustrosa que mirava na cabecinha. Eu anulei (apesar das cobranças). Anularia se o pleito que se aproxima fosse entre ele e o bispo sem-vergonha, o Sobrinho no caso, mas rezo para estarem ambos atrás das grades.

Será que estavam cegos? Não viam as fotos nos jornais? Não viam os dois oportunistas candidatos a governador ostentarem na lapela o botão azul do então candidato de extrema-direita, que ainda está em Brasília? Em quê era melhor do que o outro?

Como sempre me lembra um primo, construiu a ciclovia sabendo que ia cair, o que faz dele um engenheiro Ca-Naya da pista. Roubou horrores, foi investigado e indiciado não sei quantas vezes, e talvez o seu pior crime tenha sido talar um bosque na Barra da Tijuca para ali erguer um estádio, hoje ás moscas. De positivo, livrou o Rio da Perimetral, certamente enchendo os bolsos no caminho. Basta de ladrões oportunistas, e basta de inimigos das árvores.

FOOOOORAAA!