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quarta-feira, 3 de junho de 2020

amargo de engolir

O amargo senhor à frente da Fundação Palmares está de várias formas no lugar errado. Além de chamar de escória todo o Movimento Negro, vejam: ele defende retrospectivamente a escravidão, então o que faz num lugar cujo nome lembra a resistência a ela?
Por outro lado ele diz que são necessárias políticas para todos e não um segmento, poderia ter razão se a razão de existir da Fundação não fosse esta. É como exigir que a associação dos Delegados do Rio tenha por meta fornecer boletins do corona para o país todo, ou que o Sindicato dos Professores de São Paulo plante abacateiro em todo o território nacional. Na Palmares podem caber atribuições diversas, o que não cabem são as idéias do referido senhor; não cabem em lugar algum, com a exceção do presente governo.
A filha caçula do presidente norte-americano se juntou aos protestos contra a morte do pai de família assassinado por um policial; pode ser que seja sincera a adesão, torçamos por isto.
Como se sabe supremacistas brancos votaram em massa naquele presidente e formam parte de sua base eleitoral. O seu êmulo tupiniquim é valentemente defendido por manifestantes agora portadores de chapéus lembrando o KKK. além de tochas. Não chegaram ainda a usar capuz branco com furos na altura dos olhos mas a semelhança não deve ser coincidência, afinal a chefe desse grupo foi nazista.
Infelizmente existem pessoas, de todos os matizes e idades, que ainda acreditam que o tom de pele faz alguém pior ou melhor. Um garotinho blogueiro de 12 anos foi agredido por outro menino, que lhe recomendava se conformar, pois "lugar de negro era na lavoura", fosse pegar logo numa enxada. O garotinho não se abateu, respondeu com educação e clareza, avisou que ia continuar lendo muito e a ABL doou uma caixa de livros novos para ele.
Todo racismo é vil.
Quando muitos ativistas negros se uniram contra a atriz, clara demais segundo eles, que interpretaria a grande dama do samba, avisei neste espaço que não era hora de buscar pinimbas à toa e sim de nos unirmos, braços dados na rua, para evitar o que não evitamos. Agora os amargos da vida estão difíceis de engolir.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

de cores e obeliscos

Factóides, por motivos que só ele pode apreciar, fazia o ex-prefeito Maia. Achava bonitinho. Entendo que cunhou o termo, ou então o importou, um sinônimo muderno para "inverdade". E os dois prefeitos seguintes me provocam intensas saudades daquele tempo assaz grotesco, com Obelisco de Ipanema e tudo mais. Tudo é relativo. Ah, sim, o Obelisco não era factóide, quem dera.
Chamar porém o vociferante presidente de "factóide" as ameaças de seu bezerro 3, um de seus três zeros como definiu o brilhante colunista, é mais uma forma que encontrou de atirar a culpa no colo dos outros. Porque o referido deputado mais uma vez e mui claramente proferiu ameaças ao Estado de Direito, obrigando os generais em posição de maior evidência a ir declarar que ele "fala o que quer" para desmenti-lo. Ninguém sonhou, o moço disse aquilo mesmo.
Se o papai quer dizer que era "retórica", deveria ter criado melhor aos seus pimpolhos; por retóricas assim estão investigando os mais estridentes de seus apoiadores.
Os indecisos, os que achavam esse desgoverno regular ou não sabiam o que dizer, estão migrando para o campo dos que o acham condenável.
Mas como fomos  produzir em solo nacional a ainda inalterada dízima periódica que mantém o apoio e ainda o acha paciente ou dito com outras palavras, que ouvi na rua, "bundão"?
Como nasceu aqui esse movimento extremista, violento, de simpatias não raro nazi-fascistas e ainda por cima terraplanistas e ninguém notou?
Quando em fins de 2016 vi no jornal um movimento de militantes evangélicos uniformizados de preto, cabelo quase raspado, formando batalhão ao que só faltava (então) os fuzis, achei que tinha ligado o sinal amarelo em algum lugar.
Estava errada, era vermelho e agora incandesce.

sábado, 23 de maio de 2020

criatividade nacional

É o rapaz aproveitar que foi acordado pelo barulho das barracas da feira livre sendo montada, para berrar com voz de sono, Fora o presidente!
É o fumante inveterado, cansado de ouvir comentar o absurdo que é ver-se pelas ruas outros fumantes abaixarem a máscara para fumar, perfurar a sua para inserir no orifício um cigarro, quando a vontade aperta. Não é de se louvar. Mas pelo menos respeita o corona, que não gosta que manipulem a máscara.
É o presidente afirmar que não falou em Polícia Federal, falou em P.F., abreviação que chama de "palavra".
É dizer que não falou em interferência, porque usou o verbo "intervir", que ficou gravado.
É o segundo ex-ministro da Saúde desmontar o gabinete de crise montado pelo primeiro, antes de resolver ele também bater a linda plumagem. Foi, creio, a única medida concreta que tomou. Aplausos.
Mas criatividade mesmo é haver uma reunião ministerial durante a pandemia e quase não se falar nela. Por assim dizer nenhuma menção. O aludido ministro, afinal era seu papel. O presidente, rapidamente. Ah e o mackenzista do anti-Meio Ambiente, sugerindo aproveitar o momento confortável em que a imprensa fala tanto do corona, para assinar pareceres e "passar a boiada" .

domingo, 17 de maio de 2020

de balde e na veia

Íamos ter mais um pronunciamento ontem sábado, pra quem fosse ficar sintonizado; os mesmos ministros que recomendaram não efetivar logo o general "da cloroquina" devem ter recomendado não ir ao ar.
Então o herói dos insanos foi a outra manifestação, levando alguns ministros, e os manifestantes berravam cloroquina! cloroquina!
E dá imensa vontade de concordar, dizer, tomem cloroquina sim, por isso não seja, entupam-se, injetem, tomem a baldes, e acrescentem o famoso detergente como tempero.
Assim diminuiria o número dos agressores de enfermeiro (a policia filmou quem era) e dos ameaçadores de pesquisador.
Soube pela Época que foi uma equipe manauara que primeiro descobriu os efeitos danosos da cloroquina e os efeitos nulos para trata o vírus. Inicialmente sofreu pressões e leu ofensas dos lobistas norte-americanos mas agora existem outros estudos dizendo o mesmo e o Food & Drug Administration já recomenda evitar  O estudo dos manauaras passou a ser reconhecido, mas a história ainda não teve um final feliz, pois o deputado filho caçula do presidente avisou "Você vai pagar pelo que fez!" e as ameaças. montanhas de ameaças incluindo a família do pesquisador, começaram a chegar.
Menciono porque a cloroquina já é liberada, como disse aqui, se a pessoa assina um termo no hospital. Poderia seguir assim e esse povo tomar a vontade. Eles não querem isso. Querem que se acabe com o isolamento JÁ QUE EXISTE CLOROQUINA, RE-CO--MEN-DA-DA.
Hoje a polícia dissolveu em SC uma festa de 50 pessoas. No Estado onde mais mortes houve até agora. O ministro da Economia andou declarando que é um direito sagrado do cidadão se contaminar, porque não afeta a mais ninguém (ministro, que sandice!)
Por estas e outras há um movimento querendo cancelar a eleição.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

ave maria!

A vida é feita de escolhas, escolho sair, declarou o novo ex-ministro da Saúde. Fez mal, talvez, em entrar, mas fez bem em sair: a sua tentativa de exibir flexibilidade e compreensão, indo pesquisar os efeitos da cloroquina em hospitais só deve ter irritado o chefão, que requer obediência, como verbalizou anteriormente. Não requer raciocínio.
O risco, entre tantos que corremos, é que o medicamento venha a se tornar obrigatório. O vírus já traz bastantes seqüelas sem as da cura milagrosa e duvidosa.
Parte o coração ler os depoimentos dos médicos e enfermeiros da linha de frente. Não se entende, nem sequer vindo de onde vêm, das hostes mais radicais ainda fiéis a esse governo, a iniciativa de buzinar defronte aos hospitais.
Qual é a idéia exatamente: mostrar que estão acima das leis? acusar as vítimas do vírus de fingimento? exigir cloroquina para estas vítimas (que no momento precisam assinar um termo de responsabilidade caso desejem o medicamento)? Tudo junto? Depois de buzinar defronte aos hospitais qual será o próximo passo, conspurcar os túmulos nos cemitérios, vestidos naturalmente a caráter, com o verde-amarelo que apropriaram indevidamente ?
Em cidades norte-americanas há pessoas escrevendo na calçada, com giz, defronte aos hospitais, Muito Obrigado em vários idiomas. gente oferecendo um litro de leite a todo trabalhador da saúde. O capitão precisa doutrinar melhor os seguidores.
Por estas e outras começamos ontem uma corrente de solidariedade com os profissionais da Saúde que estão na linha de frente em nosso país. Por favor, junte-se a nós dizendo ou mentalizando uma Ave Maria todas as tardes às 18 horas, exclusivamente para estes profissionais.
Se a sua religião, ou falta de, não inclui Ave Maria, não há problema, você nessa hora envia-lhes um pensamento de amor, para fazer uma corrente que ajude a confortá-os e protegê-los.
Eles estão precisando.

sábado, 9 de maio de 2020

que o vento leve!

Li hoje no Globo que vírus nem é um organismo vivo, é uma partícula de matéria.
Alguns não vão embora nunca,como o da gripe por exemplo, a gripe comum; o da espanhola sumiu. O vírus da comum sempre está nos rondando.
Como brincou um especialista  bem antes da explosão do corona, o vírus mais burro é muito mais esperto do que o cientista mais inteligente. Talvez por isto não se entenda por que certos vírus somem e outros fazem parte da paisagem. E por isso também ainda não se pode adivinhar qual vai ser o comportamento desta praga mais recente.
Poucos sabem, mas dentre os vírus que desapareceram (isola, isola!!) está o do "suor inglês" de que já se falou aqui há uns poucos anos.
Era da família do ebola, sabemos hoje; o contágio devia se dar pela proximidade, muitos eram imunes, e pouco mais se sabe já que em tempos elizabetanos  e pré-, ninguém imaginava o que fosse um vírus. A mulher e uma das filhas do conselheiro Cromwell morreram disto, e o seu filho, já pai de família e bem situado, também.
Chamavam-no assim mesmo, English Sweat, ou simplesmente "the sweat", e como vírus não se pode imaginar um mais gentil, pois matava de forma rápida e indolor.
A pessoa estava conversando, trabalhando, sentia-se cansada, ia se deitar um pouco e não acordava. Se iam vê-la dormir notavam que suava muito. Só isso.
E este vírus carinhoso sumiu como veio, praticamente junto com a dinastia Tudor.

Já esta versão do corona não tem sido carinhosa, e não esperemos dela igual celeridade para desaparecer. Pode ser que seja um mal castigando os descaminhos da humanidade, a Terra reagindo. Aqui temos três dias de luto nacional, e como estes mortos em sua maioria não eram da área cultural, a Secretária fica desobrigada de carregá-los às costas, para empregar a sua metáfora tão solidária.
Afinal se trata de uma "pessoa leve".
Tomara  então que o vento disperse rapidamente essa leveza..

domingo, 3 de maio de 2020

Nas janelas

Das janelas, varandas, sacadas, é que batemos panela, quem tem vista pra rua estende faixa, canta, toca saxofone. Em Portugal sei de quem pendurou cravo vermelho pelo 25 de Abril, e pode ser que fossem muitos.
As panelas, só aqui porque aqui lutamos com mais de um vírus. o resto do mundo luta com um.
Nem por isso é menos devastador (pelo menos em tese. O Brasil está progredindo, nesse quesito pelo menos, com muitas ganas de chegar ao primeiro lugar dos países mais afetados.)
Mas ao mesmo tempo as rádios lembram que é um ano dedicado a Beethoven, que nasceu há 250 outonos, ou primaveras segundo o hemisfério.
E numa cidade alemã, não lembro agora qual, Frankfurt? Berlin? alguns músicos se entenderam para tocar na hora tal e cada um no seu instrumento o Hino á Alegria. E cada um deles avisou a outros mais. E na hora foi um concerto espraiado pela cidade, e muitos que não tinham instrumento cantavam a letra. Tudo pela janela, claro; com a provável exceção dos pianos.
Você pode ter outros períodos ou compositores como prediletos; isso não vem ao caso. A iniciativa é extraordinária e já demonstra a tal criatividade que nos dizem, vamos ter de desenvolver após a pandemia.
Nas janelas fica quem tem sentido cívico.
Os outros vão à Esplanada dos Ministérios em Brasília apoiar um demente e pedir intervenção militar.
Vergonha!