Até os analfabetos em planta reconhecem espada-de-são jorge (embora ela tenha outros nomes como língua-de-sogra). Já merece algum louvor distinguir entre esta e a espada de santa-bárbara. Na verdade uma distinção que não importa ao leigo, já que a mesma planta assume uma e outra forma. A debruada de amarelo, por sinal cor de Iansã na Umbanda, pertence a este Orixá e se retorce como chama viva, ao contrário da outra, reta como um gládio, correspondendo estas formas perfeitamente à vibração respectiva dos Orixás. Curioso é notar que num vaso com excesso de espadas de santa-bárbara começam a nascer do outro tipo, sinal que é tempo de extirpar essas novas, enfraquecidas. O contrário não se dá, da espada macha não nasce a fêmea.
A planta possui algumas propriedades medicinais (é diurética, por exempo) mas raramente é usada neste sentido.
Outras folhas entre as mais conhecidas da Senhora cujo dia é festejado em 4 de dezembro são a Mimosa pudica ou dormideira, Melia azedarach ou pára-raios, perfumada e de múltiplos usos terapêuticos, além das propriedades vibracionais. Rejeite galho quebrado da árvore, deve ser destacado com cuidado e respeito em alguma articulação. Como qualquer outro, mas o carinho em caso de essência linhosa precisa ser maior. A flor lilás de Mimosa se usa para preparar florais, Minas e os holandeses, entre outros, são linhas que a empregam. Já a erva-prata só possui força de vibração, mas que força! Não podia faltar uma solanácea, família de tanta folha mágica, nas folhas de Iansã, e é exatamente ela, de flor tão semelhante à da jurubeba e à de outras da família.
Iansã tem outras ervas ainda e outros aspectos também. A força não cabe em alguns parágrafos... Que o perfume do pára-raio possa guiar e ensinar, protegendo os galhos sagrados; Eparrei Oyá.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
senhora dos ventos e dos raios
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Hoje é dia de Zumbi, ou como agora dizem da Consciência Negra. Quem é da Umbanda, qualquer que seja a cor da pele, sempre tem ou deveria ter simpatia com igualdade racial, não nos deixem mentir os guias que carregamos. E igualdade racial significa exatamente isso. Alguns discursos que se escutam por aí preocupam. Este ano ouvi uma pérola numa reunião e nada pude dizer porque eram duas pessoas que conversavam juntas às minhas costas: Minha filha me disse, mãe, que pena que não teve apartheid aqui. A mãe, negra, dava razão à filha.
Quando morava fora, entrei no boicote de laranjas sul-africanas; de volta aos pagos, incomodei meu pai para conseguir Barbies morenas e negras para minha filha (e ele conseguiu); para agora uma senhora vir lamentar que não tivemos aqui apartheid. Não penso que aqueles que sofreram com ele concordem com ela.
Já comentei como é ofensivo para um umbandista ouvir perto do Treze de Maio que essa data não vale nada. Não se pode pedir que figuras históricas como a Princesa Isabel pensassem como jovens urbanos de hoje. Ela porém apoiava de verdade o abolicionismo e muito criticada foi, por proteger o Quilombo do Leblon e usar as suas camélias. Por que a Rainha Jinga, para usar um exemplo óbvio, seria só "boa" e a Princesa só "má"? É necessário informar-se e ler História, ninguém nasce sabendo.
Zumbi vale como símbolo; existiu ou não, e se existiu todos sabem era banto e NÃO iorubá como a linda cabeça que serviu de modelo ao seu monumento. Se existiu porém, dizem os historiadores, é provável que possuísse escravos ele próprio. Sempre me pergunto (publicamente às vezes com risco de cansar os leitores) por que Luiz Gama não é festejado nesta data. Existiu sem sombra de dúvida, fez questão de não possuir escravo algum, mesmo podendo, e mesmo sendo a norma para quase todo negro alforriado no Brasil de então. Manteve as mãos limpas até o fim, atraindo com isso muitos ódios, ajudou a alforriar a muitos, direta e indiretamente; e ainda escreveu belos versos.
Jinga era angolana, e de lá, com nome quase homônimo à região da rainha, nos veio a árvore mutamba. Suas folhas serenam os ânimos e trazem amizade. Estamos disso bem precisados, até fora dos campi neo-fascistas avessos á minissaia. Ewé, mutamba; ewé assá, as folhas dão jeito.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
carrapato não tem pai
Sebo é um lugar onde você entra querendo completar a coleção de Cortázar e acha Naipaul, vai atrás de completar a coleção de Naipaul e acha Pérez-Reverte. Ou um autor desconhecido de você que transforma a sua vida.
Bem, num sebo em Botafogo achei a autobiografia da Amy Tan, The Opposite of Fate. A sino-americana Tan é uma escritora extraordinária, a meu ver em ambos sentidos, e em todo caso ao pé da letra, já que foge à norma das duas culturas a que pertence.
E o último texto que compõe a bio é dedicado à doença de Lyme, que ela contraiu. E acho de interesse público o bastante para mencionar aqui.
Como a narcolepsia já ventilada nesse espaço, Lyme nem sempre é reconhecida pelos médicos, com bem mais desculpas devido à multiplicidade dos sintomas. Não é preciso ter cachorro para contrair (por conseguinte não é preciso enxotar o cachorro para evitar). Quem nunca passa perto de um cachorro, quem nunca vai à serra? Pois a doença de Lyme é transmitida por carrapatos, e felizmente nem todo carrapato a transmite, senão eu a teria já. Bem, posso quem sabe ser imune... mas tive duas ou três infestações severas de micuim, aquele micro carrapato que dá na roça no frio e tido com razão pelo carrapato mais perigoso; e sintoma de Lyme não tenho.
Alguns deles são exaustão, dificuldade de concentração, depressão, medo, rigidez física, dor nas juntas, perda capilar intensa, e falta de memória. Muitos desses sintomas juntos já merecem um exame orientado, mas o sintoma principal é o anel de erupções ao redor de uma picada.
Na rede há comunidades de lymitas, que puseram a Tan na pista certa e lhe indicaram um médico especializado, além de dissecar os tipos de exame existentes. A doença é das que se podem controlar e suavizar mas é considerada sem cura real (como por exemplo a herpes) e explicaram à escritora que quando todos os outros sintomas estiverem controlados, a dor nas juntas persistirá.
Não sei não. Amy Tan, sino-americana, tão antenada em Feng Shui , resignada a sentir dor nas juntas até o suspiro final. Não faz sentido. Marca uma acupuntura, Amy!
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
na perna-só
Foi dia do Saci (halloween é o cacete) e ele me lembrou que a sua clássica posição pode ter sua utilidade... do jeito que você menos espera.
As toxinas da raiva se descarregam, ou não, pelo próprio organismo. Até já falei aqui, Se descarrega, é bom. Se fica, pode trazer efeitos indevidos. A raiva é sua? normalmente você se sente muito bem aliviando para cima do responsável, de forma educada e o mais prontamente possível. Veja antes se é justificada. Se for só o seu ego, é ruim socialmente e vai trazer uma sensação de falso poder. E se a raiva provém de outra pessoa? (E cadê o Saci?)
Calma. Não fique raivoso... Raiva corresponde, observaram os chineses, ao sistema hepático. Raiva contida multiplica toxinas no organismo. A raiva reprimida alheia intoxica o objeto também. Alguns indivíduos percebem no corpo e outros não. Isso já disse aqui mas houve quem não entendesse.
Dormindo, seu corpo está inocente, sem máscaras nem proteção: se a pessoa teve muita raiva de você, mas muita! e teve que disfarçar, você pode ser acordado na Hora da Vesícula, antes ou depois das duas da matina, com uma dor dilacerante descendo pela lateral externa da perna. Energia yang, superficial, do sistema hepático, o canal energético da Vesícula. Descarregando você e avisando ao mesmo tempo que Fulano não lhe quer bem, o que você provavelmente já sabia.
Agora, se Fulano, até sem ter raiva, é tóxico, ou seja, carregado, e está indevidamente na sua vida, seja na sua casa, na sua cama ou de alguma forma próximo demais, a dor pode vir com cãibra. Cãibra é o organismo protestando contra maus tratos, como a cãibra do nadador ou do corredor: o corpo reclama do excesso. Vamos deixar as cãibras atléticas para lá. Todas as outras dizem que você está se nutrindo mal, energeticamente. Comendo mal mesmo, ou deixando uma energia tóxica lhe contaminar.
E acontece o quê?
Uma cãibra vertical e absurdamente dolorida na face INTERNA da perna, na hora do Fígado (de madrugada, entre 3 e 5 horas): sistema hepático yin, o canal energético do Fígado. Carga é mais denso do que raiva, e pega mais fundo: aspectos yin. Difícil de mandar embora, porque é yin, está entranhada na carne: às vezes a cãibra sobe mais em vez de descer!
Qualquer cãibra exige ficar em pé, para passar logo. Mas essa, de tão densa, exige esforço maior para passar (veja, não vai descarregar você por si só: a cãibra é o sintoma!): fique de pé feito o Saci ensina àqueles pacientes que chegaram até aqui, equilibrando-se na perna que dói, a dor vai parar na hora; volte a dormir se a preocupação deixar... Agradecendo ao Saci, claro...
Se bater insônia, outro problema do sistema hepático, vá pensando como afastar aquelas toxinas da sua pessoa e da sua vida.
É triste:por vezes já percebemos a carga e afastamos a pessoa, mas se ela pensa muito em você pode por algum tempo persistir este sintoma...Mais coisas entre a Terra e o Céu do que suspeitava a sua vã filosofia, minha flor... No meu livro Sinais de Vida falo bastante de sinais como este; a última vez que olhei estava em destaque numa Travessa. Localizá-lo é meio brincar de “procurar o Wally” mas se acaba achando... E viva o Saci!
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domingo, 25 de outubro de 2009
ainda sobre árvores e canteiros
Aí vão os dados que faltaram da outra vez, que estudo era aquele sobre crescimento EXCEPCIONAL de árvores reduzindo o aquecimento global (heheeee.. localizei o recorte... se havia traspapelado, segundo a maravilhosa expressão castelhana). É da Universidade de Leeds, e foi divulgado pela mui séria revista Nature. Os pesquisadores não sabem o porquê, mas suspeitam que as emissões de CO2 podem estar servindo de fertilizante!
Outra coisa que infelizmente preciso acrescentar é que na minha própria esquina, onde havia um canteiro vazio que eu decidira adotar, na manhã seguinte amanheceu tapado.. não empoça mais.. e não é mais um canteiro. Mas vou reclamar com Parques e Jardins até porque não me compete e mim furar o cimento indevidamente colocado com essas mãozinhas.
Há uma curiosidade na rede sobre aguaí e suas sementes. Após pesquisa e a grata ajuda de pesquisadores mais antigos, alguns dos quais vocês acharão no google se forem lá, resulta que aguaí é o nome paulista de chapéu-de-napoleão, que tem vários nomes populares ainda; e mais de um nome científico (isso não é raro), sendo o mais comum Thevetia com alguma coisa depois, por exemplo Thevetia peruviana.
Como o nome já diz é originária desse continente, da Amazônia segundo algumas fontes, e as sementes com que estou começando a me familiarizar têm, dizem, grande poder de cura. A Umbanda usa pouco, o candomblé usa mais, e pertencem a Omolu/Obaluaiê, orixá da cura precisamente. Quem quiser ver o pé, que é lindíssimo e dá flor o ano inteiro, há por exemplo duas na esquina de Real Grandeza com Voluntários, em pleno Botafogo!
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
meio cheio ou meio vazio?
O copo está meio cheio ou meio vazio?
Em nada difere a manchete do outro dia (o presidente promete que o desmatamento cairá para 80%) da declaração da véspera (o presidente declara que não pode haver desmatamento zero).
Por insuficiente que seja, por reação à atitude da ex-ministra Marina que seja, a declaração é algo. Porém como todos sabem a letra da lei não vale sem a sua aplicação. O ministro do Meio Ambiente é taxado de viado por aqueles políticos caricaturais que ainda consideram meio ambiente coisa de viado, e isto um sério pecado.
Outro dia o Globo publicou referência a um estudo segundo o qual o crescimento de árvores estaria desacelerando, relativamente, o aquecimento global. Não sei que continuidade teve esse estudo, se os fatos corroboram ou não. Mas não precisa ser bruxo para imaginar que mais árvore = menos aquecimento.
Em Brasília e mundo afora, nem todos se conscientizaram ainda de que sem folhas, sem árvores e matinhos pelo chão, tudo faltará, á água das piscinas particulares que há trinta anos venho dizendo precisam ser proibidas, o surubim, os coletes e as perucas... Mas aqui no Rio continuamos a sofrer com a Fundação Parques & Jardins, cuja filosofia parece ser ignore, que uma hora se calam. O cortado (pela Companhia de Limpeza Urbana) não é reposto, um canteiro adotado por não sei que loja que decidiu fazer uma cerca baixa de bambus cortadinhos mereceu repreensão (não sei se ficou só nisso ou foram lá proibir), alguns locais onde HOUVE árvores receberam calçamento para que não ficassem vestígios (um exemplo entre outros? A palmeira que ficava no Largo do Machado, oficialmente rua do Catete na saída do metrô) outros nem isso, a cratera acumula chuvas. Não queremos calçamento nos buracos, queremos ÁRVORE!!!!
Faça como aquele cidadão inglês já aqui mencionado, como o sr João cá do bairro, como mais este e aquele, ignore os burocratas que ignoram você, plante aonde seja, e depois não esqueça de proteger!
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
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