Bem-vindo ao Blog do Caminho das Folhas.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

h20

Quase que morre a esposa do zelador aqui do prédio por não beber água. Obstrução intestinal, agravada por também não gostar de comer frutas.
Um ano atrás já a tinha advertido dos males que lhe podiam acontecer. Fora um caso de unheiro renitente com queda de defesas e não lembro quais outras mazelas. Tratei com sementinhas aurículares, em emergência, ficara feliz com a melhora rapida mas nem por isso se emendara. Agora está tentando. Conheço outra moça que está tratando pedra nos rins porque não bebia água. Ah sim: a mulher do zelador também tem pedra, mas na vesícula.
Se formos ver, mais da metade da população está consumindo pão e manteiga de baixíssima qualidade. O tal pão "francês" que lá na França também era bem ruim (melhorou nos últimos anos) só presta quentinho e depois vira gesso. Baixo poder nutritivo. A manteiga., aqui, tantas vezes é margarina. Quando a delicatessen vizinha assa os seus strudels caríssimos o cheiro é semi-apetitoso porque se mistura ao de plástico queimado. Por que será? Porque margarina e plásico só diferem por UMA molécula.
E esse pão e essa suposta "manteiga" servem de alimento todo dia de manhã e não raro de noite. Se a isso acrescentarmos não beber água e não consumir fruta nem verdura...  Há um filme rodado no sertão, (acho que não é "Amarelo Manga"; só estou pensando na manga por causa da mulher do zelador, e porque também nos veio de lá esta outra fita) em que oferecem "verdura" à visitante paulista. E a verdura é aipim, cebola e tomate, os dois últimos quase sempre usados como temperos (doses mímimas, e cozidos).
Pois existe pão de aipim, e é mais nutritivo e saudável do que essa coisa esfarinhenta que se come por aí. Faltam campanhas educativas, Beber água é simples e barato. Baixa a pressão e até ajuda a emagrecer. Fruta, da estação, não é tão caro. Tudo sai mais barato do que depois cobrar medicamentos ao governo... descbrir que acabou o estoque na farmácia popular e ter de adquiri-los do próprio bolso.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

os bons hábitos..


O Brasil se fez, independente de todas as mazelas, tomando banho no rio, geralmente duas vezes por dia  ;pelo menos o Brasil rural e pobre. Hábito saudável, herdado dios indígenas. E fosse aos domingos, fosse aos sábados, o banho de cuia em casa,  esse o banho oficial, pra chegar limpo à missa, e era quando se vestia roupa limpa por modesta que pudesse ser.
Pois ouço falar de gente muito idosa que, ao perder o rio como local de higiene por conta da urbanização, manteve o banho "oficial" que antecede a missa.... e não trocou os múltiplos banhos de rio por banho em casa... mesmo tendo já um chuveiro. Simplesmente não ligaram uma coisa à outra. Dia de banho continuou sendo o "da missa", os do rio eram brincadeira, não eram coisa séria, e não foram substituídos. A informante mineira, espontânea, tem pais bem idosos, com banheiro em casa, e como eles há outros velhinhos que nem isso têm (e têm a desculpa, se é desculpa, de não o possuir).
Hábitos nascem na mente antes de moldarem os gestos, e o país está cheio de maus hábitos. Não separar lixo. Tomar banhos longos. Abrir as torneiras ao máximo.... e como se vê, até mesmo dormir porquinho sem se lavar porque nõ é dia d emissa e o rio ficou longe!
Pois para que não fique longe demais, impedindo o acesso de todos nós à água, pelo viés de torneiras em estado de seca, vamos poupar, usar com respeito, e plantar para chamar mais água. Muita água em 2013, no céu, no copo e nos rios, deseja o caminhodasfolhas.



domingo, 16 de dezembro de 2012

museu da polícia outra vez!


Leio no Globo de hoje domingo que a Polícia Civil planeja abrir no prédio da Rua da Relação,que é tombado por suas qualidades arquitetônicas e que abrigou o DOPS de mui triste memória, um centro comercial.
Lendo mais, vejo que este ficaria no térreo apenas; mas o segundo andar abrigaria salas comerciais. o ùltimo andar continua pertencendo à Polícia, e seguiria aberta à visitação.
Ora, para a Polícia, que atualmente se espalha por dois andares, conseguir se apertar no terceiro, as ex-salas do ex-DOPS serão  decerto"modernizadas", repaginadas, e já há um movimento, abrangendo entidades diversas, membros da OAB, membros da Comissão Nacional da Verdade, de repúdio a este uso.
Subscrevo a esta indignação e tenho outro motivo para ela:
o que vai ser feito das COLEÇÕES AFROBRASILEIRAS APREENDIDAS? Estas ficam no andar das futuras "salas comerciais".
Já falei deste problema aqui no blog, que pesquisado revelará o texto a quem procurar; falei dele também no UMBANDA GIRA! no capítulo sobre preconceitos. Havia eu prometido a um dos delegados, que era umbandista, levar pessoalmente um exemplar a ele, quando publicado, e se não o fiz não foi esquecimento nem má vontade de minha parte, viu Comissário!: apenas, quando telefonava e temtava agendar uma visita, ouvia desculpas esfarrapadas e não conseguia ir adiante. Depois vieram as obras... e agora este susto  embrulhado como presente natalino. Presente de grego.
A Coleção Afro-brasileira fica em sala à parte, trancada. É quase impossível visitá-la, e agora será que vão resolver o problema, levando os tambores para não se sabe onde?
Continuo na mesma opinião: ocultar é um erro, o DOPS existiu, as apreensões de objetos litúrgicos existiram, censurar não corrige o passado e não se faz História censurando. Vamoa pôr a boca no mundo pra saber qual será o destino da Coleção.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"ewó" andino






Descobri que tenho "ewó", proibição ritual de comer algo, com amaranto. Descobr, como sempre se costuma descobrir: às minhas próprias custas. Não tenho até onde sei alergia a nada, pólen, poeira, peixe, e tal; mas não posso tomar chá de melão-de-são caetano ou passo mal, logo esse chá, tão curativo, afirmam, e recomendado às mulheres na Umbanda.
É que melão-de-são-caetano é uma cucurbitácea ,e quem é do meu orixá deve evitá-las- mas nunca passei mal com o verdadeiro melão, que como pouquíssimo mas com prazer e sem seqüelas. Todavia a única vez que tomei o chá que nos recomendavam, senti enjôos horríveis como de gravidez- os mesmos que senti ao ingerir comida com amaranto. Da primeira vez foram suaves e atribuí ao paladar do farelo de trigo que há muito não comia. Desta segunda cuidei de não pôr o farelo, mas o amaranto estava em dose maior... para quê!
Recomendo a sua ingestão a quem puder, este grão andino é da trilogia quínua-chia-amaranto, extremamente saudável. Não comprrendi ainda os motivos da quizília, amaranto é grão e é andino.... Talvez vendo a planta entendesse melhor. Vendo a cor, a forma....
Ficarei com a quínua, ou quinoa, muito mais saborosa (amaranto é saudável mas não tem gosto de nada) e que felizmente não me causa os enjôos que anunciam o ewó.



domingo, 2 de dezembro de 2012

bela oyá



Melhor do que aquela restauração dio Cristo ficou... mas puseram aqui no RJ  Santa Bárbara com cara de Barbie. Cútis branca reluzente, olhos pintados à egípcia, batom.... A intenção foi boa, o resultado nem tanto, e a data, da entrega às vésperas do 4 de dezembro, infeliz coincidência....
No mais, haviam prometido para o fim do ano passado a edição da Revista da universidade de Ilhéus com o meu poema homenageando Oyá Muito bem, pensei, será então por volta do dia dela. Pois nada. O ano inteiro para a revista sair...todos esses meses e a publicação só veio agora. Em tempo para o seu dia DESTE ano. Bela Oyá!

IANSÃ
I- O vento uivando na rua
com raiva de tudo que é vivo.
II- Na vereda o vento louco
sopra a brasa da caatinga
cala os pássaros da tarde
seca os pântanos da mente
anestesia o pensar.
III- Minha senhora do leque empinado
bailando veloz
coroa de luz
feche o leque!
Deixe subir o perfume das flores
deixe descer o sereno, senhora
deixe que a chuva lhe venha limpar a espada
permita-se sorrir.



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

novembros





Que traga bons ventos o Joaquim Barbosa, de quem , sendo ministro, ainda não se disse mal- só por isso já é digno de nota. Inevitável reparar na sua cor, estando onde está: o Brasil precisa com urgência miscigenar-se mais. Misgigenada é a Umbanda, e para consolar-me que não houve a segunda edição da Festa Africana no Calouste (foi um sonho, duas vezes no mesmo ano.... a edição de maio foi maravilhosa), que o Back to Black está fora d epreço, irei à comemoração na Assembléia pelos 104 anos oficiais.

Martinho da Vila declarou algo no sentido que "Machado de Assis era negro e não causou aos negros o orgulho que Joaquim Barbosa traz;" ora pitombas, Machado tentava confundir-se na soociedade dominante e não combatè-la, nem sequer corrigi-la. Machado era mestiço, e em seu tempo a maioria dos negros infelzmente não o liam, e sequer liam,: nem davam pela sua existência.

Muita gente esquece que André Rebouças,  dedicado abolicionista por sinal. era tão mestiço quanto Machado, e que chegou a engenheiro ainda no tempo da escravatura. Recusou mão-de-obra escrava na obra que o tornou famosso, trazendo enfim mais água para a cidade, terminado alguns anos antes da Lei Áurea. Por esses anos muitos, como o Mosteiro deSão Bento, já libertavam todos os cativos, transformando-os em empregados. E quanto às necessidades específicas de Rebouças, já então abundavam os pedreiros livres de todas os matizes, muitos deles nascidos em Portugal ou na Itália. Possivelmente tvários destes trabalharam incrédulos por receberem ordens de um negro...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

encruzilhadas

Hoje é dia 15 de novembro, e enfim, com a ajuda de meu filho, o  blog voltou a funcionar apesar da mexida que o provedor volta e meia faz, baralhando e atrapalhando tudo. Há duas semanas pelo menos não conseguia escrever nele; a energia da Umbanda deve ter ajudado. Pois dia 15 é o aniversário oficial.
Sou da opinião, baseada em fatos, que a Umbanda existia antes do 15 de novembro, e que a mesa branca de São Gonçalo veio trazer apenas ventos cardecistas para a canjira cambinda. Desde então inúmeros matizes coexistem nela, qualificando duas ou três  linhas principais.
Sempre me chamou a atenção que no meu bairro não existem encruzas macho (irmãos de branco da linha mais cardectista, isso pouco tem a ver cm vocês, creio...) Fêmeas há; existindo ruas, a probabilidade é alta que a maioria seja em ângulo reto. Aqui também é assim.
O bairro nasceu em volta do rio Carioca, com sub-bairrinhos aqui e acolá, e não há encruzilhadas em  cruz, apenas em T, ou cruz grega se preferirem, em Tau.: o tipo considerado feminino, pertencente à Pomba-Gira.
Há pouco tempo me caiu a ficha que houve, sim, uma única encruza macho no bairro, exatamente a dois passos de onde moro, e que não existe mais. Por ter existido, ainda há gente que arria oferenda por aqui.  Mas as obras de duas ou três décadas atrás (não morava no bairro) criando uma ilha central para disciplinar o trãnsito, acabaram com os engarrafamentos, tristemente famosos; e tambem com a encruzilhada, que passou a não ser nem macho nem fêmea, não servindo para despacho portanto.
Só existem, liturgicamente, dois tipos, ambos de ângulo reto e este, singelo. Variantes, Exu não aceita...
E quem precisa muito de encruza macho por aqui, tem de ir até outro bairro.
Laroiê Exu nesse dia, que comemora a união das encruzas com a mesa branca; laroiê Exu que dá caminho!