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domingo, 16 de dezembro de 2012

museu da polícia outra vez!


Leio no Globo de hoje domingo que a Polícia Civil planeja abrir no prédio da Rua da Relação,que é tombado por suas qualidades arquitetônicas e que abrigou o DOPS de mui triste memória, um centro comercial.
Lendo mais, vejo que este ficaria no térreo apenas; mas o segundo andar abrigaria salas comerciais. o ùltimo andar continua pertencendo à Polícia, e seguiria aberta à visitação.
Ora, para a Polícia, que atualmente se espalha por dois andares, conseguir se apertar no terceiro, as ex-salas do ex-DOPS serão  decerto"modernizadas", repaginadas, e já há um movimento, abrangendo entidades diversas, membros da OAB, membros da Comissão Nacional da Verdade, de repúdio a este uso.
Subscrevo a esta indignação e tenho outro motivo para ela:
o que vai ser feito das COLEÇÕES AFROBRASILEIRAS APREENDIDAS? Estas ficam no andar das futuras "salas comerciais".
Já falei deste problema aqui no blog, que pesquisado revelará o texto a quem procurar; falei dele também no UMBANDA GIRA! no capítulo sobre preconceitos. Havia eu prometido a um dos delegados, que era umbandista, levar pessoalmente um exemplar a ele, quando publicado, e se não o fiz não foi esquecimento nem má vontade de minha parte, viu Comissário!: apenas, quando telefonava e temtava agendar uma visita, ouvia desculpas esfarrapadas e não conseguia ir adiante. Depois vieram as obras... e agora este susto  embrulhado como presente natalino. Presente de grego.
A Coleção Afro-brasileira fica em sala à parte, trancada. É quase impossível visitá-la, e agora será que vão resolver o problema, levando os tambores para não se sabe onde?
Continuo na mesma opinião: ocultar é um erro, o DOPS existiu, as apreensões de objetos litúrgicos existiram, censurar não corrige o passado e não se faz História censurando. Vamoa pôr a boca no mundo pra saber qual será o destino da Coleção.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"ewó" andino






Descobri que tenho "ewó", proibição ritual de comer algo, com amaranto. Descobr, como sempre se costuma descobrir: às minhas próprias custas. Não tenho até onde sei alergia a nada, pólen, poeira, peixe, e tal; mas não posso tomar chá de melão-de-são caetano ou passo mal, logo esse chá, tão curativo, afirmam, e recomendado às mulheres na Umbanda.
É que melão-de-são-caetano é uma cucurbitácea ,e quem é do meu orixá deve evitá-las- mas nunca passei mal com o verdadeiro melão, que como pouquíssimo mas com prazer e sem seqüelas. Todavia a única vez que tomei o chá que nos recomendavam, senti enjôos horríveis como de gravidez- os mesmos que senti ao ingerir comida com amaranto. Da primeira vez foram suaves e atribuí ao paladar do farelo de trigo que há muito não comia. Desta segunda cuidei de não pôr o farelo, mas o amaranto estava em dose maior... para quê!
Recomendo a sua ingestão a quem puder, este grão andino é da trilogia quínua-chia-amaranto, extremamente saudável. Não comprrendi ainda os motivos da quizília, amaranto é grão e é andino.... Talvez vendo a planta entendesse melhor. Vendo a cor, a forma....
Ficarei com a quínua, ou quinoa, muito mais saborosa (amaranto é saudável mas não tem gosto de nada) e que felizmente não me causa os enjôos que anunciam o ewó.



domingo, 2 de dezembro de 2012

bela oyá



Melhor do que aquela restauração dio Cristo ficou... mas puseram aqui no RJ  Santa Bárbara com cara de Barbie. Cútis branca reluzente, olhos pintados à egípcia, batom.... A intenção foi boa, o resultado nem tanto, e a data, da entrega às vésperas do 4 de dezembro, infeliz coincidência....
No mais, haviam prometido para o fim do ano passado a edição da Revista da universidade de Ilhéus com o meu poema homenageando Oyá Muito bem, pensei, será então por volta do dia dela. Pois nada. O ano inteiro para a revista sair...todos esses meses e a publicação só veio agora. Em tempo para o seu dia DESTE ano. Bela Oyá!

IANSÃ
I- O vento uivando na rua
com raiva de tudo que é vivo.
II- Na vereda o vento louco
sopra a brasa da caatinga
cala os pássaros da tarde
seca os pântanos da mente
anestesia o pensar.
III- Minha senhora do leque empinado
bailando veloz
coroa de luz
feche o leque!
Deixe subir o perfume das flores
deixe descer o sereno, senhora
deixe que a chuva lhe venha limpar a espada
permita-se sorrir.



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

novembros





Que traga bons ventos o Joaquim Barbosa, de quem , sendo ministro, ainda não se disse mal- só por isso já é digno de nota. Inevitável reparar na sua cor, estando onde está: o Brasil precisa com urgência miscigenar-se mais. Misgigenada é a Umbanda, e para consolar-me que não houve a segunda edição da Festa Africana no Calouste (foi um sonho, duas vezes no mesmo ano.... a edição de maio foi maravilhosa), que o Back to Black está fora d epreço, irei à comemoração na Assembléia pelos 104 anos oficiais.

Martinho da Vila declarou algo no sentido que "Machado de Assis era negro e não causou aos negros o orgulho que Joaquim Barbosa traz;" ora pitombas, Machado tentava confundir-se na soociedade dominante e não combatè-la, nem sequer corrigi-la. Machado era mestiço, e em seu tempo a maioria dos negros infelzmente não o liam, e sequer liam,: nem davam pela sua existência.

Muita gente esquece que André Rebouças,  dedicado abolicionista por sinal. era tão mestiço quanto Machado, e que chegou a engenheiro ainda no tempo da escravatura. Recusou mão-de-obra escrava na obra que o tornou famosso, trazendo enfim mais água para a cidade, terminado alguns anos antes da Lei Áurea. Por esses anos muitos, como o Mosteiro deSão Bento, já libertavam todos os cativos, transformando-os em empregados. E quanto às necessidades específicas de Rebouças, já então abundavam os pedreiros livres de todas os matizes, muitos deles nascidos em Portugal ou na Itália. Possivelmente tvários destes trabalharam incrédulos por receberem ordens de um negro...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

encruzilhadas

Hoje é dia 15 de novembro, e enfim, com a ajuda de meu filho, o  blog voltou a funcionar apesar da mexida que o provedor volta e meia faz, baralhando e atrapalhando tudo. Há duas semanas pelo menos não conseguia escrever nele; a energia da Umbanda deve ter ajudado. Pois dia 15 é o aniversário oficial.
Sou da opinião, baseada em fatos, que a Umbanda existia antes do 15 de novembro, e que a mesa branca de São Gonçalo veio trazer apenas ventos cardecistas para a canjira cambinda. Desde então inúmeros matizes coexistem nela, qualificando duas ou três  linhas principais.
Sempre me chamou a atenção que no meu bairro não existem encruzas macho (irmãos de branco da linha mais cardectista, isso pouco tem a ver cm vocês, creio...) Fêmeas há; existindo ruas, a probabilidade é alta que a maioria seja em ângulo reto. Aqui também é assim.
O bairro nasceu em volta do rio Carioca, com sub-bairrinhos aqui e acolá, e não há encruzilhadas em  cruz, apenas em T, ou cruz grega se preferirem, em Tau.: o tipo considerado feminino, pertencente à Pomba-Gira.
Há pouco tempo me caiu a ficha que houve, sim, uma única encruza macho no bairro, exatamente a dois passos de onde moro, e que não existe mais. Por ter existido, ainda há gente que arria oferenda por aqui.  Mas as obras de duas ou três décadas atrás (não morava no bairro) criando uma ilha central para disciplinar o trãnsito, acabaram com os engarrafamentos, tristemente famosos; e tambem com a encruzilhada, que passou a não ser nem macho nem fêmea, não servindo para despacho portanto.
Só existem, liturgicamente, dois tipos, ambos de ângulo reto e este, singelo. Variantes, Exu não aceita...
E quem precisa muito de encruza macho por aqui, tem de ir até outro bairro.
Laroiê Exu nesse dia, que comemora a união das encruzas com a mesa branca; laroiê Exu que dá caminho!



domingo, 28 de outubro de 2012

erva da lavadeira





Há poucos dias tive a alegria de proferir uma palestra no IPHAN (Instituto de Preservação Histórica e Ambiental Nacional, salvo engano na sigla) sobre lavadeiras, tema de vasta pesqusia minha há vários anos e que motivou também a publicação d eum artigo na Revista do IGHB. O livro permanece inédito.

Além dos demais aspectos culturais, existe o viés das folhas usadas. Não apenas fitoterapicamente, para tratar eventuais unheiros (não eram raros, infelizmente) mas para entrar no lugar do sabão.

Que era de baixa qualidade, feito de cinzas e sebo, gorduroso, e fabricado artesanalmente há pouquíssimos anos senão ainda hoje em localidades rurrais fluminenses e sem dúvida de outros estados. Tendia e tende a lavar pouco e se bobeasse, ainda manchava. Então se usavam errvas que suprrissem a mesma carência. As mais divulgadas eram o melão-de-são-caetano (ou "erva das lavadeiras"); a folha de mamoeiro, principalmente nas fervuras; e o sabonete (sabonete de macaco, saboneteira) também empregado na higienre pesoal.

O lindo passarinho preto e branco, também chamado por esse motivo viuvinha, levou o nome de lavadeira porque gosta de espelhos d´água (não é condição "sinne qua non", observei; pois por aqui voejam muitos!) Perto d´água ou fora dela, dedica-se a devorar mosquitos e afins. É um tiranídeo como o bem-te-vi (saõ tiranos para os insetos) e puseram-lhe o nome oficial de "Arundinicola leucocephala", um desses horrores lingüísticos que misturam latim e grego, indicando que tem cabeça branca e rabo de andorinha (brasileira). Há uma lenda sobre a viuvinha- lavadeira, que teria lavado os cueiros do Menino Jesus para Santa Maria descansar....

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Erva e saúde



Não raro algum amigo ou total desconhecido que me achou na rede virtual me pede para receitar-lhe tratamento com ervas e passa então a descrever os seus males.

Não é essa a finalidade do portal caminhodasfolhas. Além de não haver motivo para eu tratar ninguém de graça com dicas além das que já se fornecem ali, seria injusto também para a pessoa que tenta driblar a consulta.

Cada um de nós é UM inteiro, um ser holístico com emoções e corpo energético além do físico. Pela rede não vejo nem cheiro nem avalio corretamente. Pela rede se calam inúmeras coisas.

Há outro motivo ainda, as ervas são muito boas energeticamente falando, são boas por si só, boas por existirem e por nascerem para nós. Mas como remédio, elas, na nossa fitoterapia deixam a desejar porque tratam o SINTOMA e não a pessoa. Mais uma vez: cada um de nós é um ser completo, não uma sinusute nem uma dor nas costas. Uso e sempre usarei a erva curativa como complemento apenas, da acupuntura e do floral.

Quem só admite se tratar com ervas, reparem só, recusando tratamentos mais holísticos, em geral acaba misturando com alopatia. Ou quando as ervas não resolvem tudo (raramente se resolve tratando só sintoma). Ou para supostamente potencializar o efeito, tomando por exemplo um coquetel-pesadelo de 2 ou 3 folhas fervidas no leite com algum comprimido da farmácia. E logo para gripes e resfriados, situação que as diversas folhas, pitanga, saião, eucalipto e tantas outras resolvem, aí sim, muito bem sozinhas. Acrescento, leite piora tudo que for respiratório. Só leite de mãe é indispensável quando se é pequeno, depois melhor não tomar.

E pelo amor de Deus não ferva a folha, não ferva a seiva, não ferva a vida.