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sexta-feira, 8 de julho de 2011

na rua do riachuelo, quem diria

Há uns anos, deslocaram de alguns metros um dos pontos de ônibus da rua do Riachuelo. Parece nada, mas salvou da degradação total o antigo chafariz do tempo d´el-Rey, quando nem sei se a rua já se chamava Matacavalos e em todo caso Machado não era nascido, nem a sua personagem Capitu. Agora voltaram a crescer plantas saudáveis na terra um dia desepejada por alguém no seu bojo de pedra, há muitíssimo tempo sem receber baldes coletores d´água, e sumiram os anúncios grudados na sua cantaria.
O motivo não foi preservação do patrimônio... e sim especulação imobiliária. Pois o ponto agora fica na altura das grades de um prédio novo, de tijolos vermelhos. Não entrou no lugar de nada preservável, acho que havia um caixotinho cinqüentista em mau estado ali. Também parece nada... mas eu sou admiradora do pouco que se vê do edifício.
No Feng Shui existe, e isto acima de qualquer escola, o conceito de SHAR, a energia negativa gerada por vias retilíneas ao excesso. Como a Presidente Vargas ou a Princesa Isabel, no Rio. Por si só as ruas tendem a seguir ou curvas de nível ou o desenho de rios, o que impede que sejam de todo retas, quando não lhes imprime curvas violentas como a rua das Laranjeiras. Isto é desejável. Ilhas para o trânsito, pracinhas, canteiros amenizam o “shar”. Corredores longos e retos em prédios e casas também possuem shar.
Pois o arquiteto ou arquiteta do tal prédio deve ter noções desta arte chinesa. Quem espera o ônibus na calçada tem a impressão de olhar para uma rua, não uma portaria. Uma rua antiga, acrescento, e os tijolinhos aumentam a sensação. Canteiros diversos, curvas, chão de pedra portuguesa, suave declive bem aproveitado, à esquerda o ângulo (ia dizer a ESQUINA) de um bloco, ao fundo à direita a portaria que parece uma casinha da rua, casinha de outra esquina, esquinas não regulares como em cidades antigas.
Para completar, uma pirâmide de pedra ou bronze de cerca de 40 cm de altura num dos canteiros. Primeiro imaginei que a arte do arquiteto chegasse ao conhecimento de linhas Ley e que a pirâmide fosse uma cura, como ensina Marco Pogacnik. Depois vi que eram DUAS pirâmides e que era, talvez, apenas enfeite. Talvez. Possivelmente estão ali por um terceiro motivo, quebrar a refração dos ângulos, e é com esta interpretação que fico. Os ângulos incidiriam sobre os pedestres naquela calçada, entre os quais não poucas vezes estou.
Se você conhece a pessoa responsável pela obra da rua do Riachuelo, transmita a minha eterna admiração.

Um comentário:

Calundu disse...

Gisela, as curvas do antigo Caminho de Matacavalos são do tempo em que a baixada que hoje é a Lapa era um lodaçal. A rua foi construída então margeando o morro de Santa Teresa e o do Senado (já demolido), provavelmente para evitar a área alagada. A Mem de Sá, de início do século XX, já é reta, obedecendo ao padrão moderno de urbanismo e se beneficiando da drenagem e dos aterros feitos. Acontece parecido em Botafogo, com o caminho antigo de São Clemente sinuoso, evitando a várzea alagada do rio Banana Podre. Já a Voluntários da Pátria é do início do XX (ou fim do XIX), com o vale de Botafogo já drenado e os rios canalizados.

Desculpe se me estendi e saí um pouco do seu assunto, mas adoro essas conversas. Claro que você já deve saber disso tudo, mas falei assim mesmo.

Helion