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terça-feira, 18 de setembro de 2018

as fotos, os agrotóxicos os e os deputados federais

Um grande laboratório fabricante de aspirinas e também de agrotóxicos alugou em Brasília, por uma noite, o restaurante mais badalado da classe política. Muito bem. Só que pediu que fossem removidas todas as fotos de políticos vivos e mortos, gesto não, talvez, dos mais elegantes, 200 fotos incluindo todo tipo de gente, vários deles até gozando de boa fama como o dr Ulysses e Juscelino.
A classe política se revoltou. Três deputados alvoroçados, um pernambucano, um paulista e o terceiro carioca vieram correndo encontrar a reportagem do JB.
O JB, que por sinal deu mais ênfase ao pedido do laboratório e às fotos, não publicou nem o partido deles e se absteve de comentários. E as declarações que fizeram prescindem deles.
Aí vão.
Não receberão mais os lobistas da multinacional que os procuram sempre para pedir favores e defender os interesses do laboratório. Saiu sem aspas.
Aspeados: " Foi uma afronta. Vou pra tribuna esculhambar essa gente. Na hora de matar as pessoas com seus ´produtos laranja´ eles nos procuram. Deixa a [multinacional] comigo".

Só lembrem que a alternativa a eles é ainda pior. Aos deputados, claro. Eu não tomo nem aspirina há anos e anos.

sábado, 8 de setembro de 2018

miami não!

Pois muito bem, recupera-se o candidato esfaqueado e já consciente até pediu ao seu vice escolhido que moderasse o tom. Pois esse apontara o dedo para o PT declarando que não achava, sabia, que era coisa desse partido.
O que é absurdo. Atentados assim, a faca, desde sempre existem e não poupam nem os que, como Henrique IV da França, não só não incitavam à violência mas desejavam que cada francês pudesse "pôr uma galinha pra cozinhar todo domingo" o que supõe não apenas a galinha, mas a casa, a panela e lenha para o fogão. Monarca da conciliação entre católicos e protestantes, cuja oposição fizera correr muito sangue, Henrique nem por isso escapou à faca de um louco, e não tendo a sorte de estar perto de um hospital do século XXI, morreu em horas.
Todos os jornalistas e representantes de partidos já disseram todas as coisas óbvias, desejando pronto restabelecimento e afirmando que a violência não é solução. Vários, no meio da coluna, lembraram a ironia dos fatos, citando declarações do candidato, as recentes, sobre "metralhar a petralha" e as mais antigas sobre a colega que não merecia ser estuprada por ele. Não creio que proceda sua declaração de que "nunca fez mal a ninguém". Certamente ao agressor, pessoalmente, nunca fez; o agressor é desequilibrado, e só.
O ministro Jungmann havia avisado aos candidatos, e a esse em particular, do risco de posicionar-se em locais altos e mais ainda se deixar erguer por partidários. Aconteceu. Ficamos todos imersos na incerteza  mais angustiante, e em nada ajuda ver os partidários erguerem cartaz dizendo em ingreis, gente, "In [o candidato] we trust".
Era só o que faltava. E você sabia  que uma igreja evangélica da Barra, a freqüentada por evangélicos colunáveis, tem categorias com nomes em ingreis? "Seeds" são os infantes, "winners" os adolescentes. E tal.
Miami não!