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sábado, 10 de agosto de 2019

livre expressão

Viva a imprensa em geral e as colunas de notinhas em particular. Saudades das colunas do JB, aguardo o segundo renascer da versão de papel. Por ora têm de matar a minha fome as do Ancelmo, que sempre esquadrinho, e foi ali que vi o auê com o livro de Luiz Eduardo Soares, antropólogo e professor. Pretendia lançar o seu trabalho mais recente na Uerj mas o preclaro governador do meu Estado achou de costas acima e avisou que tentaria proibir, não o livro que isso ainda não pode não senhor, mas o lançamento em prédio estadual.
Acrescentou que desde já proibia a presença de PMs fazendo segurança em qualquer local onde tentassem o lançamento; o Major do partido do governo meteu a colher para declarar que tinha de ser proibido o lançamento em universidades federais também.
Ah sim. O título, certo? "Desmilitarizar". Pois é.
Diante da reação intempestiva (e a do major compreendo até mais, o nobre governador continua civil!) considerei dever cívico adquirir o livro e divulgar a sua existência.
Não sei como nem onde fluiu o lançamento, nem se conseguiram proibir a venda nas livrarias das ditas universidades, o que seria alarmante. Agradeço retorno.
Os trechos que vi me pareceram mui oportunos e fora isso, viva a liberdade de expressão.
Numa semana em que o presidente declarou entre várias pérolas (viram a receita para poluir menos?) que se houvesse cadeia pra excesso jornalistico, todos os jornalistas estariam dentro.
Viva a informação, os professores, os jornalistas e historiadores.
Ah, e não baixem versões piratas que isso é vergonhoso, comprem na livraria...


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

limites à maioria expressa

Já disse isso neste espaço mas um estava de porre, outro de férias, outro de maconha, outros preparando doutorado, e é bom repetir.
Não há número de votos que permita a um eleito, ou eleita, acabar com o meio ambiente do lugar onde foi eleito. Se a maioria dos votos for a favor do estupro de crianças, ou trabalho escravo, ou destruição das matas, e afins, tais votos não podem ter valor.
O conjunto das outras nações, a pressão internacional, as organizações de Direitos Humanos ou as que defendem o meio ambiente (não raro as mesmas) devem ir além do repúdio e punir.
Se por exemplo no Brasil a maioria decidisse que deseja a volta do cativeiro, ou o fuzilamento de todo terceiro filho varão, a ingestão coletiva de crianças canhotas, o mundo se rebelaria.
Não existe legitimidade para o absurdo que ultrapasse certas fronteiras, certo limites.
Jornalistas começaram a apontar nas mais recentes declarações presidenciais "sem estratégia" um motivo para a destituição do declarante, e eu apoio. Não reúne as condições.
Destituição antes que seja tarde.