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sábado, 27 de fevereiro de 2021

da boca pra fora

 Já sabemos o porquê de alguns não quererem usar máscara: seu venerado chefe acha que faz mal. Vai além de não ser "coisa de homem" , faz mal. Na página 6 do Globo de hoje sábado o capitão examina fuzis na P. F. ladeado por dois policiais sem máscara, nem no queixo! em meio aos que a portam   Capitão e capitaneados preferem portar armas.

Mas com a prisão do quebrador de placa, descobrem-se agora outros pecados. Contratou uma firma particular com verba do gabinete. A digna esposa recebeu auxílio emergencial. Até se fosse do lar... Mas trabalhava, a menos que se descubra também que apenas assinava ponto. Onde? No Jardim Botânico. Quem a nomeou? Ora, o sinistro do Meio Ambiente.

A dona entende de ecologia e folha? Sem dúvida tanto quanto a diretora da Casa de Rui entende de cultura ou o Amargo  entende de Palmares. Terá de devolver o auxílio e o normal será responder a processo. Ela não tem afinal resguardo algum da Proposta de Emenda à Constituição defendida pelo Lírico e também musculoso presidente da Câmara. Que por ora é Proposta apenas. 

Mas o que estamos vendo é que inexiste nesta gente compromisso algum com ética nem honestidade de que tanto falaram.  Da boca pra fora. Queriam apenas o campo livre para roubar. Quando falam de faxina na sociedade, almejam afastar os que impedem o lucro com armas e milícias, com o desmatamento, e com os cargos. Os ministros se aferram aos postos bem remunerados, os aspones que caem ganham algum emprego de consolação, e o pastor que mais defende o capitão proibiu os deputados evangélicos de votar a favor da prisão do deputado em questão. Conclusões?

O Camboja sobreviveu ao exército de crianças formadas para assassinar, a Alemanha à sociedade nazista, não é possível que não consigamos nós também um dia mudar as cabeças por dentro depois da saída deste ilustre. Essa faxina sim será necessária. Porque senão será troca de nomes apenas.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

cristalino que Marielle VIVE!!

 - É cristalino- disse o seu superior na Polícia Militar, que esse rapaz não tem lugar na PM; o rapaz, porém, entrou na Justiça e conseguiu voltar, acumulando mais detenções, censuras e afins.

Quarta-feira de Cinzas, ao ser preso pelas declarações agressivas e incentivadoras de ódio, afirmou que não estava "nem aí" porque já tinha sido preso 90 vezes. Dois terços disso parece que só na PM.  Na delegacia criou novo problema ao se recusar a usar a máscara. - E se eu não quiser? e se eu não botar? A senhora não manda em mim- e outras pérolas. Acabou botando. 

Há quem não identifique de imediato, mas para mim esse musculoso careca nasceu no dia em que na presença do agora ex-governador quebrou uma das placas, então recém-lançadas, em homenagem à vereadora Marielle Franco. Não estava sozinho, havia outro com ele, e com este outro invadiu o Pedro II, unidade do Humaitá "porque haviam recebido denúncias de pais quanto ao ensino"  do que não se duvide. Estes pais porém nunca vieram a público, a dupla foi convidada a se retirar o que acabou fazendo sem assistir a nenhuma aula, e existe um processo correndo. Desde então o outro está em silêncio, e olha que pendurara em seu gabinete metade da placa quebrada. O nobre ex-PM  ignora o que seja silêncio.

Diga-se que porta um certificado declarando que o uso da máscara lhe provoca cefaléia, baseado numa lei mal escrita que dispensa os portadores de transtorno autista, ou "com deficiência intelectual,  com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer uso adequado da proteção facial, conforme declaração médica que poderá ser obtida por meio digital, bem como crianças de menos de três (03) anos".  O médico que assinou "sem problema nenhum" revelou-se ser um faxineiro, mas o deputado o via "sempre vestido de branco no corredor".

Que sejam punidos os quebradores de placa, como foi o barrigudo magistrado que assistia às gargalhadas. Há coisas que não têm perdão. Marielle vive!

sábado, 13 de fevereiro de 2021

aguenta!

 Concordo com o colunista, o país aguentaria sim mais uma destituição de presidente. O que não aguenta é ter as suas matas taladas com vem acontecendo. Seria o caso de cassar a chapa, e isso parece ainda mais difícil.

De todas  as destituições esta seria a mais importante. Ao lado disto que aí está, o collorido é um príncipe dourado.  Até hoje as principais vozes indígenas dizem que foi o melhor presidente para eles, no sentido que coibiu invasões e os deixou em paz. Mas TODOS parecem príncipes, do general Figueiredo em diante. Já a ex-guerrilheira não DEVIA ter sido tirada. Hoje dizem com toda calma que tudo foi para afastar o ex-presidente. Bem, "tudo" deu no que deu, removido o obstáculo, e esse ex-presidente pouco aprendeu.

O que preocupa mesmo, além da devastação e da estultice nacional, manifestada essa no egoísmo a curto prazo, no sentimentaloidismo de se vacinar primeiro todos os mais velhos, na permeabilidade ao discurso do pastor, na teima em preferir boi a árvore e na relutância em usar máscara na pandemia, entre outros, é a lentidão da oposição.

Chute na canela, indicação de nome antes de indicar o programa ou mesmo a estratégia, demora em chegar em políticos do centro, que não todos se venderam, estultice aí também. 

Na verdade é a outra face da moeda presidencial. Se estivessem realmente preocupados com a situação do país não fariam tanta política partidária. Desejo que as palavras fortes do maranhense tenham algum efeito catalisador.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

coletivos

A fala da deputada vitalícia italiana no Parlamento Europeu já teria sido extraordinária se ela não fosse sobrevivente do Holocausto, e sim "apenas" da guerra como de início imaginei. Pesquisando, vi que sofreu ataques recentemente em Milão, e ameaças,  que decerto motivavam aquela fala; e que tem o número de Auschwitz tatuado no braço.

Então me emocionei ainda mais, lembrando da sobrevivência miraculosa da minha sogra, escondida e  alimentada com mais quatro familiares num armário embutido de bairro popular em Paris, rue de Ménilmontant se não me engano. Que os tivessem avisado da leva do Velódrome d´Hiver e ajudado a se esconderem é menos incrível do que o que veio depois, alimentarem cinco pessoas tirando das próprias rações de guerra e conseguido manter a façanha por dois anos e meio. Sabiam muito bem o que lhes esperava se fossem delatados, e ninguém delatou. Muitos devem ter ajudado. Heróis anônimos, ajuda coletiva.

Pois no mesmo dia em que me chegou a fala de Liliana Segre, uma cidadezinha francesa recebeu a herança de um senhor que durante a guerra conseguiu. ele também com a sua família, fugir até ela, senhor esse que acaba de falecer aos 90. Le Chambon-sur-Loire tem longa tradição de ajudar fugitivos políticos e na guerra esconderam não uma família, mas muitas. Não foi a única localidade francesa que salvou crianças judias, muito pelo contrário. Adultos já era mais raro por ser mais difícil, e nessa escala nenhuma outra.

Pessoas como essas ainda existem? espero que sim. São a melhor desculpa que a espécie humana tem a oferecer por ainda estar por aqui. 


domingo, 31 de janeiro de 2021

é dose...

 Desculpem o tema. Mas estou preocupada com a forma de nos desfazermos dos corpos da vítimas da pandemia.

Não sou entendida na matéria. Rezo todo dia pelos coveiros e afins, junto com os demais profissionais de saúde, e descobri que são os profissionais mais importantes da face da terra. Não apenas "de saúde". Em geral. Quem pensar vai me dar razão.

E vejo nas fotos que cada vez mais estão protegidos, em todas as cidades maiores trabalham de roupa de astronauta. O problema, pois é, são as cidadezinhas de sessenta habitantes. E em todas as cidades, ocorrem enterros. Não seria o caso de exigir cremações? Infelizmente, talvez não seja. Estas não são possíveis fora de algumas grandes cidades. E levar para estes centros centenas de caixões é ideia que não se sustenta por um minuto.

O ex-ministro defenestrado já disse que o transporte de doentes vem sendo realizado de qualquer maneira, sem cuidados. Talvez não existam as condições, onde existe medo. Medo, ou o seu contrario. "A doença não pega, o pastor disse". Talvez os transportadores estejam cientes e não existam meios práticos de fazer melhor. Os vivos. Que dirá caixões

E como seja, muito mais da metade dos corpos são enterrados. Em breve, não tenho dúvida, em covas coletivas. E o vírus, que não é vivo e portanto não se pode matar, sobrevive em esgotos, que dirá na terra. Pouco animador, não é?

Mas para trazer uma nota menos sombria. Houve o caso da cidadezinha que precisou repartir sete doses entre 30 profissionais. Pois bem, noutro lugarejo Brasil adentro, o prefeito se apossou das poucas doses, porque ele é quem cuida da cidade, afinal. Vacinou alguns assessores, e a esposa, que é quem cuida dele. Sobraram duas doses.  Duas. A quem contemplar:? A prefeita teve um lampejo. Vacinaram os dois cachorros da família.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

cento e oito

 "Apesar da vacina", disse o presidente, a tal que pode fazer a gente virar jacaré ou mudar o sexo, segundo ele, ainda ele está lá. E apesar dele, a vacina começa a chegar, a conta-gotas; a menor cidade do Brasil, que tem 30 profissionais no único posto de saúde, recebeu... sete vacinas. Já escolheram os três que não podem deixar de tomar, um médico plantonista, uma auxiliar de enfermagem, não lembro do terceiro e ignoro os critérios. Iam resolver o dilema  de como repartir as quatro doses restantes entre 27 pessoas.

Discordo bastante dos critérios que põem na frente da fila os idosos de asilo acima de 90. Não por serem de asilo, mas pela idade mesmo. Entendo que profissionais da saúde e indígenas deveriam ser os primeiros. Não sei como determinam e organizam, mas todas estas categorias estão recebendo já, e menos mal. 

Infelizmente há vacinados indevidos, como as filhas de um prefeito nordestino ou dois robustos apadrinhados de outro cacique, apoiadores do governo federal, presumivelmente contra a vacina até a hora em que ela chega. Ah, as tais filhas para terem "direito" foram "contratadas" na hora no posto de saúde, espero que como voluntárias, ou demitidas também na hora, senão o desmando será muito maior.

Mas entre os que estão na prioridade, uma senhora lúcida e dona de seus movimentos recusou a vacina;  tem 108 anos. Usem numa pessoa mais jovem, disse. Um especialista consultado pelo Globo não entendeu o gesto. Lamentou a recusa porque "na idade dela a imunidade é baixa". Doutor! esta sábia centenária está pouco se lixando para a imunidade.  Ela sim entendeu tudo. Palmas para ela.

E para todos os profissionais da linha de frente, lembrando que a categoria inclui entre outros seguranças e faxineiros de hospitais e postos de saúde, maqueiros e motoristas de ambulância, e que deveria incluir os coveiros e outros trabalhando nessa área. Todo dia saem em foto entre as cruzes do campo-santo e ninguém sequer os vê. Palmas.


domingo, 10 de janeiro de 2021

fogo amigo

 Recentemente, o candidato do Planalto de lírico sobrenome escreveu no Globo, no espaço de um de seus melhores colunistas. Normal ceder, ou vender, pontualmente o espaço a algum político,  estes vêm de todos os lados. Chico Alencar e José Sarney já escreveram, creio que mais de uma vez ao longo dos anos, Haddad também, Temer, Paes e sei lá mais quem. A diversidade garante a independência. Vinha no caso recente, foto do engravatado senhor e em itálicos a informação de que o colunista excepcionalmente não escreveria naquele dia.

Em princípio estes convidados jamais ocupam espaço alheio, porém como o dono do espaço não ia escrever, vá lá. Costumam  os "visitantes" ser publicados no espaço inferior da página, ocupando toda a largura. Anormal seria a exceção virar regra; e vários dias de ausência me levaram a perguntar sobre o paradeiro do jornalista e até agora só uma mensagem automática. Na versão digital, a última coluna mencionou férias. Quando é assim, o modelo impresso traz a notícia das férias ao longo do mês inteiro, e geralmente a foto do ocupante habitual do espaço.

Agora se sabe que em 15 de dezembro houve demissões no Globo, de jornalistas e outros colaboradores, e redução de salários de vários jornalistas de primeira linha. Ente outros o colunista em questão. Ontem sábado me parece que outro, igualmente brilhante, não escreveu a coluna semanal. Além da deselegância, a prática já muda o perfil do jornal e se for continuada, mudará mais.

As fúrias presidenciais nunca deixam de acusar a imprensa de todos os males. Recentemente contrataram uma empresa para classificar jornalista em categorias. Embora não mencionados pelo nome no que saiu publicado, estes só podem ser "críticos hostis" ou que rótulo haviam escolhido. É uma pena imensa que esses profissionais levem chumbo por um lado, e depois sejam vítimas de fogo amigo.