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sábado, 15 de junho de 2019

das fobias, das psicoses

Homofobia foi equiparada legalmente a racismo. Mas o mandatário supremo (ficam as minúsculas) não concorda. Explica o porquê: prejudica o homossexual, ficará mais difícil de conseguir emprego, o patrão (forçosamente hétero na visão dele) terá receio de ser processado. E se por exemplo alguém diz ao homossexual que o hotel está cheio, e ele descobre depois que havia sim um quarto, processa o dono do hotel.
Não sei se a lei permite ao dono alugar a quem quer e prefere. Mas já vislumbramos a quem o mandatário ia preferir não alugar.
E emenda que por isso é que era bom um juiz evangélico no STF, para coibir semelhante absurdo..
Ah tá.

Bem, o maluco "da facada" foi internado num manicômio judiciário e se for um dia dado por são irá para o presídio comum. Mas o mandatário não se conforma e "ia ligar pro advogado dele". Terá mais de um, porém um destes, aliás uma, concordou plenamente que o autor da facada deva ser internado e assinou o parecer.

Já  governador lamenta não poder pedir à ONU licença pra mandar um míssil e explodir a favela onde viu imagens de traficantes.
Governador, traficante armado em favela não é só na que o senhor viu, não. Em todas ou quase. Em raríssimas o comércio ilícito se faz sem armas à vista. Nem é de agora. Meados dos anos 90 subia eu o Dona Marta (não, não ia à boca) e atrás da primeira esquina à esquerda havia um bando de garotos mais baixos do que eu portando fuzis maiores do que eu. Diante da casa da saudosa Tia Maria do Jongo que acaba de falecer, em Madureira, poucos anos depois disso circulavam outros garotos de arma na mão. A mãe até denunciou um deles para que ele saísse do  tráfico.
Então o ilustre não entendeu nem as raízes nem as ramificações do problema. Eu concordo com ele que seja um. E quem acha que bombardear favela resolveria é digno de assistir gargalhando à destruição da placa da Marielle, grande empoderadora de jovens favelados, gargalhadas essas dadas pelo nobre governador.



sábado, 1 de junho de 2019

vieses

Diz o presidente que está na hora de haver um evangélico no STF. Não esá não, senhor. Como foi rebatido por magistrados e jornalistas, a condição tem de ser não o gênero, religião ou cor da pele mas sim a capacidade.
Barbosa não entrou porque era negro (talvez, em 1950 não entrasse , sendo negro, nem com os diplomas e conhecimento que possui). Isso já dizem, muito melhor do que eu.
Mas por que o presidente sai-se com essa justo agora?
Bem, a tal bancada evangélica tende a não gostar da excessiva flexibilização de posse e porte de armas. Não combina muito com caridade cristã, verdade? Um afago desses torna a pílula digerível.
E naturalmente se for anticonstitucional e não deixarem, os vilões estão já apontados.
Mas acredito também que haja outro motivo, ao que o ex-capitão reagiu de bate-pronto: o vazamento de informação um tanto delicada dois dias antes, sobre o tio da sua esposa. Que segundo o que vazou está preso por crimes comuns e é integrante de milícia.
Agora aliás se entende o afinco  familiar em defender paramilitar.
E mais uma vez o afago demonstra o quão boa gente é a pessoa...

Mas vamos combinar uma coisa, o vocábulo cristão (o moço se declarou ontem cristão, querendo dizer evangélico e sendo católico) foi encampado pelos pentecostais e neos, e de forma incorreta. Todo católico, ortodoxo ou romano é cristão. Isso é como os adeptos do presidente dizerem que eles são brasileiros e os outros não.
Não sou católica mas se fosse não estaria periodicamente reclamando do abuso, estaria escrevendo para o Papa e fazendo um escândalo.  Ademais me parece que os espíritas cardecistas e  consideram cristãos e assim não poucos umbandistas.
Então o bom ex-capitão não nos venha com demagogias. Que vai parecer "viés ideológico".

quarta-feira, 29 de maio de 2019

café pequeno?

As soluções do presidente sempre têm algo de errado no aspecto da legalidade. Amenizou o decreto das armas mas permanece inconstitucional. Para dar um exemplo.
Resolveu pôr, ou fazer de conta que punha, panos quentes nos ânimos dos seguidores mas depois de ter incentivado. Agora convoca os três importantes nomes que vimos para o seu sempiterno café da manhã, e não compraria um carro usado de nenhum dos quatro.
Nem o da Câmara nem muito menos o do Senado e ainda menos o magistrado. E muito menos ainda...
Meus botões pensaram, - Não é bem assim que as coisas vão para a frente,. Mas acontece  que nem é legal o pacto proposto, leio. Não é apenas canhestro e esquisito, tem aspectos qu ferem a lei.

Alguns colunistas analisaram os atos de domingo com bem menos otimismo do que outros.Mas o que deixa de cabelos em pé foi a notícia curitibana, divulgada por um deles, que os manifestantes subiram os degraus de uma universidade para arrancar a faixa que dizia "Educação Livre".
E foram aplaudidos.
Na educada Curitiba, ou na Curitiba que foi educada ou tinha tal fama.
É mais do que tempo de todos os que votaram no capitão, sem contudo desejarem ver achincalhados valores democráticos, abrirem os olhos e se demarcarem. Do Oiapoque ao Chuí.



sexta-feira, 24 de maio de 2019

cabeça de papel

Mata soldado, cabeça de papel; mas que vergonha, soltaram do quartel.
Mata soldado, mãozinha no fuzil, se está meio perdido atira no civil.
Quanto soldado com o nome no jornal. Nove soldados, vergonha nacional.

domingo, 19 de maio de 2019

os anjos vão dançar jongo

Tia Maria do Jongo, Vó Maria da Serrinha, essa mesma senhora bonitona se foi. Também aos 98 anos não foi surpresa,
Ainda esta semana saiu citada no jornal a respeito de crianças no jongo. Opção polêmica de Mestre Darcy, esse já nos deixou em 2001; mas que salvou o jongo, o da Serrinha em todo caso.
Há gente que pensa que todo jongo é da Serrinha e gente que pensa que todo floral é de Bach. Não há porém dúvida que o renascer do jongo da Serrinha favoreceu o renascer do jongo salgueirense, quase morto perto da virada do século e que brotou das cinzas há poucos anos.
Favoreceu também não a continuidade, pois ia muito bem das pernas, mas a divulgação do jongo da serra fluminense e paulista e a existência de festivais. O jongo como se sabe se expandiu com os escravos bantos; Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.
Esse renascer específico na Serrinha teve um preço: a teatralização do jongo local, com a entrada de instrumentos como o violão, e a permissão e mesmo estímulo aos impúberes; não se permitia pois o jongo pertence a Exu.
Cada vez mais distante da curimba e cada vez mais teatralizado, haja vista as roupas de palco que  há anos deixaram de ser brancas, o jongo da Serrinha tinha sofrido uma espécie de cisão, com jovens mais comprometidos com tradição formando o seu próprio grupo. Que até onde tenho notícia não pretendia subir em palco e não subiu.
Tia Maria era católica, não sentia falta das tradições mais religiosas da dança, e seu coração se alegrava quando via um garoto ou garota crescer e continuar a dançar o jongo nas rodas.
Mas venerava as Almas, cultuadas tanto pelo catolicismo como pela Umbanda.
Agora que se encantou, que ela própria é uma Alma, olhe pela "proteção ao jongueiro novo, pro jongo não se acabar!" 
E na sua grande generosidade, ensine os anjos a jongar.




segunda-feira, 13 de maio de 2019

triste de maio

Pouco há que se comemorar nesse Treze de Maio. Menos porque foi ontem o dia das Mães e o coração coletivo ainda sangra por mortos recentes, escandalosamente abatidos.
Duas viúvas, uma já mãe e a outra futura, e livrando-se (até agora) por um triz de ter de provar que os companheiros não eram bandidos. Mas entre perícia, relatos de testemunha e um morador que filmou a cena, cai por terra a versão do catador armado com Uzi ou o que fosse.
O Exército precisa assumir o erro, não basta manter encarcerados os soldados (que nem isso queriam fazer, viva as duas juízas militares que  decidiram); é essencial o contato com as famílias não apenas para desculpar-se, como para assumir alguns custos.
Além disso muitas balas erraram o alvo e perfuraram automóveis e lojas. Por acaso não houve mais mortes. Tiros porcos, como definiu o vice-presidente. Mas a qualidade do tiro é o de menos no caso.
Estas vítimas são exemplo de como o armamentismo não soluciona nada.
Que os santos todos possam proteger crianças, inocentes e a terra em que vivemos, vista por alguns como galinha dos ovos de ouro em vez de ser reverenciada. Aí está o calor absurdo para  época do no, demonstrando a triste verdade do aquecimento do planeta.
Mas será que esses engravatados sentem calor, em seus escritórios refrigerados o ano inteiro?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

bancos e brasis

Não tive acesso à publicidade para o BB que circulou diz que  por uma quinzena, apenas vi algumas fotos e a notícia.O filmete desagradou ao Mandatário e o responsável pela criação foi simplesmente demitido. Ainda não há a Rainha Negra para dizer - Cortem-lhe a cabeça! - e a execução  sumária foi simbólica.
A idéia era atrair público jovem, então o profissional pôs em cena tatuados, negros e negras jovens, homens de brinco e cabelo comprido, por aí. Desagradou.
Pois então.

 E não reparei na época mas este foi o segundo entrevero presidencial com o BB, que pretendia montar um curso ou oficina de diversidade há uns tempos. Foi obrigado a cancelar mas antes disso o distinto senhor produziu uma frase, reproduzida pelo Globo hoje e que não resisto, a carne é fraca e a sintaxe alheia pior, a copiar:
- Um conselho que eu dou a vocês é, se porventura, alguém que for aprovado no concurso e for exigido esse diploma, você pode entrar na Justiça que tu vai ganhar. Se bem que eu vou tentar junto ao BB para que evite isso..-

Bem, a diversidade assusta muito, ao que se vê, e opiniões divergentes mais ainda.

terça-feira, 23 de abril de 2019

jorge

E ridículo, sem sentido e nocivo que um auto-denominado filósofo vivendo fora das fronteiras nacionais dite as suas idéias descabidas para quem aqui reside, e, supostamente, governa.
Cabo-de-guerra entre facções. Dança do caranguejo, um pra lá dois pra cá. Simplesmente este senhor deve ser varrido para o lixo astral.
Com os seus apadrinhados e apoiadores.
Que em seu dia o senhor Ogun ajude a limpar estas lamas tóxicas do caminho do entendimento. Salve a lua de São Jorge, salve o dia de terça.
Salve o santo guerreiro sempre.
Saravá Ogun..


sexta-feira, 12 de abril de 2019

só falta dizerem "Saiu, pô!"

Queria saber o que o décimo soldado do Exército fez ou deixou de fazer para ser solto. Jogou o fuzil no chão e tentou demover os nove outros ? Ainda assim já devia estar morto o infeliz músico carioca.
Oitenta balas não é brincadeira, e se fosse realmente o carro do assalto, cujo motorista eles procuravam, seria reação descabida. Duas ou três nos pneus deveriam bastar, não?
Como descabido é o governador afirmar que não pode emitir julgamento.
E após seis dias de silêncio o presidente enfim se pronuncia, dizendo que é preciso aguardar, o culpado aparecerá (será que um dos soldados pertence ao PSOL e tentam pendurar a culpa nele ?) e..".o Exército não matou ninguém. Foi um incidente. Foi uma morte lamentável."
Será que ele pensa que foi suicídio? Nesse caso, concertado com os nove, ou dez, fuziladores. Crime, pela lei vigente.
Será que pensa que a população acusa o Estado-Maior de ter encomendado a matança?
Como é que uma pessoa morre de oitenta balas sem que haja dedos nos gatilhos disparadores?
Ou então, foi "canelada". Oitenta balas fora do lugar, nove ou dez canos de fuzil, pertencendo a soldado se chama incidente?
Será que os soldados vão adotar a técnica oratória do chefe da Nação e declarar, - Saiu, pô!
E o músico partiu perguntando, Por que o quartel fez isso?
Acho que todos estamos de luto.

sábado, 6 de abril de 2019

metáforas e realidades

Haverá pessoas mais afinadas com as metáforas presidenciais. Essa do xixi na cama acho deplorável, porque alude a áudios  que ele postou recentemente e nos quais diz não se reconhecer. Menos mal?
Aí completa, -Mas não vou pedir desculpa! vou pedir desculpa porque fiz xixi na cama aos cinco anos? Saiu, pô.
Bem. O País não é sua cama. O senhor não tem cinco anos. E se o que grava equivale a xixi, comentários se fazem desnecessários.

A da aliança ministerial tampouco entendi. Tirara a aliança da mão direita e botar na esquerda ou na gaveta? Mas aliança quem usa usa na esquerda mesmo; será um ato falho, indicando sucessor ao colombiano situado mais para o centro? Prouvera a Deus. Aquele do Instituto Senna saiu hoje no jornal lembrando que foi desconvidado porque para bancadas que apoiavam o presidente ele não interessava.

Enquanto a bagunça impera no ministério, sempre bom lembrar o que só vi até agora na ÉPOCA, num pé de página: o diretor da EBC foi exonerado em março pelo mandatário supremo. Por ora as rádios funcionam normalmente. Mas bom ficar de olho.
E onde quero chegar é que de fato o colombiano nada fez de válido por falta de experiência e mais ainda porque não o deixam.
Deixarão trabalhar o sucessor? E de que forma?
As perguntas que vejo serem feitas relativas a esse ministério são QUANDO E QUEM; parece-me que seriam bem mais oportunas COMO e COM A AJUDA DE QUEM.
Nem tanto "Quando et quis"  mas sim "Quomodo et Quibus auxiliis".

sábado, 9 de março de 2019

as datas

Nem é que eu guarde ou valorize muito a data; dia da Mulher é todo dia mas viva quem festeja!
 Nesta semana da Mulher, no Brasil, além de outras que ficaram anônimas, duas mulheres foram mortas pelo marido, longe das cidades grandes do Sul. Mas uma foi em Fortaleza, pera aí. E a outra no Estado do Rio, nenhuma delas em perdido sertão.
A de Barra Mansa, grávida, ainda chegou a denunciar o marido no hospital, ele foi preso e... solto.
A de Fortaleza levou tiro na cabeça com a arma oficial do marido. Esse foi detido, foi solto ao lhe verem a patente, mas prevaleceu o bom senso e tornou a ser preso.

Fico perplexa ao ler a declaração da ministra Goiabinha, segundo a qual se acharem menina igual a menino vão achar que menina também é pra apanhar. Ministra, também não quero que menino apanhe como a senhora está pensando, não aceito surras diferenciadas por gênero.
Não vi graça nenhuma (se foi gracejo, pode não ter sido) na afirmação presidencial declarando o seu ministério o mais equilibrado que já houve em termos de gênero porque só tem duas mulheres mas cada uma vale por dez homens.

E vai completando um ano o crime ainda sem solução que vitimou a vereadora Marielle Franco. Durante a apuração, ventou frio, trovejou e caiu chuva fina; sem estar acompanhando a votação percebi que ganhara a Mangueira, com a sua homenagem a ela.
Um dos primeiros-filhos postou que a escola era dominada por bicheiros, traficantes e milicianos. O carnavalesco na hora respondeu,
- Cara, que mundo pequeno! que coincidência! dizem a mesma coisa do teu irmão.

sexta-feira, 8 de março de 2019

sobrevivências

Só sei mesmo o que ela me contou. Foi pouco e o resto foi dedução.
Então em algum momento do início do século passado, tendo conseguido fugir dos pogroms na Polônia e na Rússia, e possivelmente pelo intermédio do casamenteiro, casaram-se em Paris dois sobreviventes da intolerância; não tiveram filho varão mas sim duas meninas que crescendo entraram para a indústria do couro, tido como mais limpa (um pouco) do que o ofício de sapateiro remendão que era do pai.
Mas veio a invasão alemã da França e vieram as leis discriminatórias. Além da estrela amarela que elas tinham de usar, todos os judeus não franceses deviam ser deportados. Essa parte ela não contava, mas se o casal e a tia sobreviveram é porque não apenas os vizinhos católicos não denunciaram como as duas moças alimentaram os três com as próprias e minguadas rações. Rações de tempo de guerra para duas pessoas e essas judias, para que cinco comessem.
Em 1942 foram avisadas pela vizinha mais chegada que era para se esconder imediatamente, num corredor embutido atrás de armário que já estava preparado. Pois acabava de começar a "rafle du Vel´d´Hiv´", Vélodrome d´Hiver, demolido depois da guerra por ter servido de depósito transitório de judeus franceses rumo aos campos de extermínio.
Até Paris ser liberada em maio de 44 pelas tropas norte-americanas, os cinco viveram ali dentro, sem dúvida colaborando com muito remendo em sapato alheio, e sem que nenhum outro vizinho denunciasse a presença deles. A coragem dos moradores da Escada X do prédio da rua de Ménilmontant, ladeira tradicional em bairro popular, protegeu a família por cerca de dois anos e pormenores práticos podem ser intuídos.
Depois da guerra foi casada por breve tempo com outro sobrevivente, que fugira a pé da Bessarábia deixando para trás a vida antiga. O ditador da Romênia tinha simpatias pro-nazistas e o moço imaginava sem dúvida que a Zona Livre francesa o acolheria. Ao chegar no que já fora anexado igualmente, onde vigiam agora as mesmas leis que em Paris, após peripécias que ela não queria saber de contar embora devia ter ouvido, teve a sorte de ser achado primeiro pela Resistência francesa e não pelos nazistas. Como todo judeu culto da Europa central, falava francês fluente.
Se caísse seria fuzilado como resistente em vez de ser deportado. Mas não caiu e casou-se com a moça do armário meses depois do fim da guerra.
Essa moça, agora anciã, deixando filho e netos, acaba de fechar os olhos, como o ex-cidadão romeno também fechou há tempos. Sobreviventes.
Salve a resistência de quem preferiu a vida.



sobrevivências

nnn

segunda-feira, 4 de março de 2019

itinerâncias

A jornalista e professora emérita de Bolle tem sido atacada, denuncia, nas redes onde possui contatos por agressores sempre homens brancos de classe media que têm a ver com o mercado financeiro. Muitos lhe fizeram ameaças veladas ou explícitas, pela sua posição crítica ao atual governo.
Acrescenta ela que de alguns recebeu solidariedade; e que por outro lado, é impossível usar rede social sem deixar rastros, e rastros foram deixados e ela comprou a briga.
 Parabéns a ela.

O filho mais velho do presidente, investigado por alguma (outra, não ligada àquele senhor careca)  irregularidade financeira, declarou que não tinha conhecimento do assunto pois nunca vira notícias do andamento do seu caso. Mas seguindo o rastro viram que ele acessara 66 vezes o portal do usuário ou seja, perfeito conhecimento tinha.

E o preclaro edil de São Sebastião do Rio e Janeiro nos explica que quer tornar todos os assentos dos ônibus "especiais".
Como é que é, senhor?  Contradição em termos. Se são TODOS, então nenhum é especial. Senhor Prefeito, poupe aos cofres públicos o ônus de vestir todos os assentos de amarelinho. Voltamos à estaca zero, demos a volta completa, o que induz o deixar o assento para gravidezes visíveis ou idade indiscutível é a educação e pronto. Proibir o grosso da população de sentar é ridículo e não vai funcionar.

Por fim, que o Igarapé tenha um bom caminho escondido sob as ramagens que nutre como lhe é próprio e longe das rampas brasilienses. Longa vida a essa fundamental itinerância.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Dando continuidade a declarações do eleito durante a campanha, a sempre surpreendente ministra das Famílias e Tal declara que vão tornar possível o ensino em casa supervisionado pelos pais.
Assim é bom, nem paga professor, nem renova escola (só aquela em Caxias com o nome do pai do dito cujo, e é pra filhos de militares )  e nem há preocupação com a merenda escolar.
Vai haver pai pesando na balança se é melhor mandar o rebento comer a merenda ou botá-lo na lavoura.
A ministra, que na adolescência padeceu com violência em casa, e na mão de supostos benfeitores da família, violências essas inclusive sexuais, que a levaram a pensar em suicídio, mais do que ninguém deveria saber que há famílias que se devem fiscalizar e de quem se deve até muitas vezes retirar a guarda dos filhos.
Pais que não são confiáveis para simplesmente criar os filhos com saúde, o que dirá educá-los "cinco horas por dia" como ela recomenda.
A repórter quis saber quem haveria de fiscalizar tamanha empreitada e ouviu que "poderia ser o Conselho Tutelar" que então vai precisar triplicar os efetivos, pois agora dão conta da violência familiar e abandono de menor. Fiscalizar estudos já é outro capítulo. Isso num país imenso onde o Conselho, creio, não chega a todas as glebas e recantos.
Ministra, pode ser que se reduz assim a categoria dos perigosos docentes, mas haverá que pagar esse povo. Já pensou?
A vantagem que vislumbro é que analfabeto não acessa rede social. É minguada.
Que vergonha.
Ministra, fique a senhora em casa!



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

tudo pelo social?



 Regimes autoritários e violentos não merecem aprovação. Na mesma semana em que morreu o jornalista saudita, um venezuelano não resistiu às torturas, e como ele há outros. Não se entende o que o PT foi fazer naquela posse nem se podem perdoar camisetas da "Ursal" como as que vi expostas em Laranjeiras, e que o MST vendeu recentemente na Carioca. Por um lado se diz aos extremista de direita deste país que tal coisa não existe. Por outro se alimenta o mito. E claro, um dos países "socialistas" seria a infeliz Venezuela.
Socialismo é um dos termos mais vilipendiados do Brasil onde nunca existiu um PS nos moldes europeus para demonstrar a diferença. Quase todos os partidos possuem o S de Social (até AQUELE) e o mais parecido com certeza é o PSOL.
Regimes totalitários podem se chamar como quiserem, socialismo não é o que tropas, torturas e policiais armados impõem. Não sujem a memória de Salvador Allende.

Com tudo isso deve o Brasil intervir com sanções à Venezuela? Não e não; primeiro porque fere a tradição de neutralidade itamaratiana, que se relaciona com nações e não com governos. O que está Maduro deve cair por vontade da população. Depois o candidato mais óbvio, que agradece a ajuda obtida do atual governo brasileiro, periga trazer algo não necessariamente melhor, apenas diferente. Tem estreitas ligações familiares com o Exército, negou-se a comentar para os jornalistas brasileiros, e a ajuda que tanto preza é de um ex-capitão que povoou o governo de generais. Temos muitos problemas a resolver, não acrescentemos essa eventual culpa no futuro alheio.

Generais são insubstituíveis em seus lugares, e festejada seja a volta do general Franklimberg, de origem indígena por sinal, à Funai. Além das qualidades demonstradas, interessante no posto alguém que saiba e queira vigiar as fronteira, não pelo temor de invasões bélicas mas pela nefasta ação dos madeireiros.

Mas falando em fronteiras, o estranho filósofo que vive fora delas mas indica ministro xingou muito os parlamentares do partido do presidente que foram à China. Não porque eram muitos, e um ou dois bastavam para aprender sobre reconhecimento facial. Não porque não fosse, talvez, de bom alvitre, ou de bom agouro. Nada disso. O filósofo exaltou-se porque foram visitar um "país socialista". E isso ele proibira.
Obrigada, filósofo. Deu para rir bem num momento tão tenebroso.
 
 
 
Gisela D'Arruda