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terça-feira, 23 de abril de 2019

jorge

E ridículo, sem sentido e nocivo que um auto-denominado filósofo vivendo fora das fronteiras nacionais dite as suas idéias descabidas para quem aqui reside, e, supostamente, governa.
Cabo-de-guerra entre facções. Dança do caranguejo, um pra lá dois pra cá. Simplesmente este senhor deve ser varrido para o lixo astral.
Com os seus apadrinhados e apoiadores.
Que em seu dia o senhor Ogun ajude a limpar estas lamas tóxicas do caminho do entendimento. Salve a lua de São Jorge, salve o dia de terça.
Salve o santo guerreiro sempre.
Saravá Ogun..


sexta-feira, 12 de abril de 2019

só falta dizerem "Saiu, pô!"

Queria saber o que o décimo soldado do Exército fez ou deixou de fazer para ser solto. Jogou o fuzil no chão e tentou demover os nove outros ? Ainda assim já devia estar morto o infeliz músico carioca.
Oitenta balas não é brincadeira, e se fosse realmente o carro do assalto, cujo motorista eles procuravam, seria reação descabida. Duas ou três nos pneus deveriam bastar, não?
Como descabido é o governador afirmar que não pode emitir julgamento.
E após seis dias de silêncio o presidente enfim se pronuncia, dizendo que é preciso aguardar, o culpado aparecerá (será que um dos soldados pertence ao PSOL e tentam pendurar a culpa nele ?) e..".o Exército não matou ninguém. Foi um incidente. Foi uma morte lamentável."
Será que ele pensa que foi suicídio? Nesse caso, concertado com os nove, ou dez, fuziladores. Crime, pela lei vigente.
Será que pensa que a população acusa o Estado-Maior de ter encomendado a matança?
Como é que uma pessoa morre de oitenta balas sem que haja dedos nos gatilhos disparadores?
Ou então, foi "canelada". Oitenta balas fora do lugar, nove ou dez canos de fuzil, pertencendo a soldado se chama incidente?
Será que os soldados vão adotar a técnica oratória do chefe da Nação e declarar, - Saiu, pô!
E o músico partiu perguntando, Por que o quartel fez isso?
Acho que todos estamos de luto.

sábado, 6 de abril de 2019

metáforas e realidades

Haverá pessoas mais afinadas com as metáforas presidenciais. Essa do xixi na cama acho deplorável, porque alude a áudios  que ele postou recentemente e nos quais diz não se reconhecer. Menos mal?
Aí completa, -Mas não vou pedir desculpa! vou pedir desculpa porque fiz xixi na cama aos cinco anos? Saiu, pô.
Bem. O País não é sua cama. O senhor não tem cinco anos. E se o que grava equivale a xixi, comentários se fazem desnecessários.

A da aliança ministerial tampouco entendi. Tirara a aliança da mão direita e botar na esquerda ou na gaveta? Mas aliança quem usa usa na esquerda mesmo; será um ato falho, indicando sucessor ao colombiano situado mais para o centro? Prouvera a Deus. Aquele do Instituto Senna saiu hoje no jornal lembrando que foi desconvidado porque para bancadas que apoiavam o presidente ele não interessava.

Enquanto a bagunça impera no ministério, sempre bom lembrar o que só vi até agora na ÉPOCA, num pé de página: o diretor da EBC foi exonerado em março pelo mandatário supremo. Por ora as rádios funcionam normalmente. Mas bom ficar de olho.
E onde quero chegar é que de fato o colombiano nada fez de válido por falta de experiência e mais ainda porque não o deixam.
Deixarão trabalhar o sucessor? E de que forma?
As perguntas que vejo serem feitas relativas a esse ministério são QUANDO E QUEM; parece-me que seriam bem mais oportunas COMO e COM A AJUDA DE QUEM.
Nem tanto "Quando et quis"  mas sim "Quomodo et Quibus auxiliis".

sábado, 9 de março de 2019

as datas

Nem é que eu guarde ou valorize muito a data; dia da Mulher é todo dia mas viva quem festeja!
 Nesta semana da Mulher, no Brasil, além de outras que ficaram anônimas, duas mulheres foram mortas pelo marido, longe das cidades grandes do Sul. Mas uma foi em Fortaleza, pera aí. E a outra no Estado do Rio, nenhuma delas em perdido sertão.
A de Barra Mansa, grávida, ainda chegou a denunciar o marido no hospital, ele foi preso e... solto.
A de Fortaleza levou tiro na cabeça com a arma oficial do marido. Esse foi detido, foi solto ao lhe verem a patente, mas prevaleceu o bom senso e tornou a ser preso.

Fico perplexa ao ler a declaração da ministra Goiabinha, segundo a qual se acharem menina igual a menino vão achar que menina também é pra apanhar. Ministra, também não quero que menino apanhe como a senhora está pensando, não aceito surras diferenciadas por gênero.
Não vi graça nenhuma (se foi gracejo, pode não ter sido) na afirmação presidencial declarando o seu ministério o mais equilibrado que já houve em termos de gênero porque só tem duas mulheres mas cada uma vale por dez homens.

E vai completando um ano o crime ainda sem solução que vitimou a vereadora Marielle Franco. Durante a apuração, ventou frio, trovejou e caiu chuva fina; sem estar acompanhando a votação percebi que ganhara a Mangueira, com a sua homenagem a ela.
Um dos primeiros-filhos postou que a escola era dominada por bicheiros, traficantes e milicianos. O carnavalesco na hora respondeu,
- Cara, que mundo pequeno! que coincidência! dizem a mesma coisa do teu irmão.

sexta-feira, 8 de março de 2019

sobrevivências

Só sei mesmo o que ela me contou. Foi pouco e o resto foi dedução.
Então em algum momento do início do século passado, tendo conseguido fugir dos pogroms na Polônia e na Rússia, e possivelmente pelo intermédio do casamenteiro, casaram-se em Paris dois sobreviventes da intolerância; não tiveram filho varão mas sim duas meninas que crescendo entraram para a indústria do couro, tido como mais limpa (um pouco) do que o ofício de sapateiro remendão que era do pai.
Mas veio a invasão alemã da França e vieram as leis discriminatórias. Além da estrela amarela que elas tinham de usar, todos os judeus não franceses deviam ser deportados. Essa parte ela não contava, mas se o casal e a tia sobreviveram é porque não apenas os vizinhos católicos não denunciaram como as duas moças alimentaram os três com as próprias e minguadas rações. Rações de tempo de guerra para duas pessoas e essas judias, para que cinco comessem.
Em 1942 foram avisadas pela vizinha mais chegada que era para se esconder imediatamente, num corredor embutido atrás de armário que já estava preparado. Pois acabava de começar a "rafle du Vel´d´Hiv´", Vélodrome d´Hiver, demolido depois da guerra por ter servido de depósito transitório de judeus franceses rumo aos campos de extermínio.
Até Paris ser liberada em maio de 44 pelas tropas norte-americanas, os cinco viveram ali dentro, sem dúvida colaborando com muito remendo em sapato alheio, e sem que nenhum outro vizinho denunciasse a presença deles. A coragem dos moradores da Escada X do prédio da rua de Ménilmontant, ladeira tradicional em bairro popular, protegeu a família por cerca de dois anos e pormenores práticos podem ser intuídos.
Depois da guerra foi casada por breve tempo com outro sobrevivente, que fugira a pé da Bessarábia deixando para trás a vida antiga. O ditador da Romênia tinha simpatias pro-nazistas e o moço imaginava sem dúvida que a Zona Livre francesa o acolheria. Ao chegar no que já fora anexado igualmente, onde vigiam agora as mesmas leis que em Paris, após peripécias que ela não queria saber de contar embora devia ter ouvido, teve a sorte de ser achado primeiro pela Resistência francesa e não pelos nazistas. Como todo judeu culto da Europa central, falava francês fluente.
Se caísse seria fuzilado como resistente em vez de ser deportado. Mas não caiu e casou-se com a moça do armário meses depois do fim da guerra.
Essa moça, agora anciã, deixando filho e netos, acaba de fechar os olhos, como o ex-cidadão romeno também fechou há tempos. Sobreviventes.
Salve a resistência de quem preferiu a vida.



sobrevivências

nnn

segunda-feira, 4 de março de 2019

itinerâncias

A jornalista e professora emérita de Bolle tem sido atacada, denuncia, nas redes onde possui contatos por agressores sempre homens brancos de classe media que têm a ver com o mercado financeiro. Muitos lhe fizeram ameaças veladas ou explícitas, pela sua posição crítica ao atual governo.
Acrescenta ela que de alguns recebeu solidariedade; e que por outro lado, é impossível usar rede social sem deixar rastros, e rastros foram deixados e ela comprou a briga.
 Parabéns a ela.

O filho mais velho do presidente, investigado por alguma (outra, não ligada àquele senhor careca)  irregularidade financeira, declarou que não tinha conhecimento do assunto pois nunca vira notícias do andamento do seu caso. Mas seguindo o rastro viram que ele acessara 66 vezes o portal do usuário ou seja, perfeito conhecimento tinha.

E o preclaro edil de São Sebastião do Rio e Janeiro nos explica que quer tornar todos os assentos dos ônibus "especiais".
Como é que é, senhor?  Contradição em termos. Se são TODOS, então nenhum é especial. Senhor Prefeito, poupe aos cofres públicos o ônus de vestir todos os assentos de amarelinho. Voltamos à estaca zero, demos a volta completa, o que induz o deixar o assento para gravidezes visíveis ou idade indiscutível é a educação e pronto. Proibir o grosso da população de sentar é ridículo e não vai funcionar.

Por fim, que o Igarapé tenha um bom caminho escondido sob as ramagens que nutre como lhe é próprio e longe das rampas brasilienses. Longa vida a essa fundamental itinerância.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Dando continuidade a declarações do eleito durante a campanha, a sempre surpreendente ministra das Famílias e Tal declara que vão tornar possível o ensino em casa supervisionado pelos pais.
Assim é bom, nem paga professor, nem renova escola (só aquela em Caxias com o nome do pai do dito cujo, e é pra filhos de militares )  e nem há preocupação com a merenda escolar.
Vai haver pai pesando na balança se é melhor mandar o rebento comer a merenda ou botá-lo na lavoura.
A ministra, que na adolescência padeceu com violência em casa, e na mão de supostos benfeitores da família, violências essas inclusive sexuais, que a levaram a pensar em suicídio, mais do que ninguém deveria saber que há famílias que se devem fiscalizar e de quem se deve até muitas vezes retirar a guarda dos filhos.
Pais que não são confiáveis para simplesmente criar os filhos com saúde, o que dirá educá-los "cinco horas por dia" como ela recomenda.
A repórter quis saber quem haveria de fiscalizar tamanha empreitada e ouviu que "poderia ser o Conselho Tutelar" que então vai precisar triplicar os efetivos, pois agora dão conta da violência familiar e abandono de menor. Fiscalizar estudos já é outro capítulo. Isso num país imenso onde o Conselho, creio, não chega a todas as glebas e recantos.
Ministra, pode ser que se reduz assim a categoria dos perigosos docentes, mas haverá que pagar esse povo. Já pensou?
A vantagem que vislumbro é que analfabeto não acessa rede social. É minguada.
Que vergonha.
Ministra, fique a senhora em casa!



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

tudo pelo social?



 Regimes autoritários e violentos não merecem aprovação. Na mesma semana em que morreu o jornalista saudita, um venezuelano não resistiu às torturas, e como ele há outros. Não se entende o que o PT foi fazer naquela posse nem se podem perdoar camisetas da "Ursal" como as que vi expostas em Laranjeiras, e que o MST vendeu recentemente na Carioca. Por um lado se diz aos extremista de direita deste país que tal coisa não existe. Por outro se alimenta o mito. E claro, um dos países "socialistas" seria a infeliz Venezuela.
Socialismo é um dos termos mais vilipendiados do Brasil onde nunca existiu um PS nos moldes europeus para demonstrar a diferença. Quase todos os partidos possuem o S de Social (até AQUELE) e o mais parecido com certeza é o PSOL.
Regimes totalitários podem se chamar como quiserem, socialismo não é o que tropas, torturas e policiais armados impõem. Não sujem a memória de Salvador Allende.

Com tudo isso deve o Brasil intervir com sanções à Venezuela? Não e não; primeiro porque fere a tradição de neutralidade itamaratiana, que se relaciona com nações e não com governos. O que está Maduro deve cair por vontade da população. Depois o candidato mais óbvio, que agradece a ajuda obtida do atual governo brasileiro, periga trazer algo não necessariamente melhor, apenas diferente. Tem estreitas ligações familiares com o Exército, negou-se a comentar para os jornalistas brasileiros, e a ajuda que tanto preza é de um ex-capitão que povoou o governo de generais. Temos muitos problemas a resolver, não acrescentemos essa eventual culpa no futuro alheio.

Generais são insubstituíveis em seus lugares, e festejada seja a volta do general Franklimberg, de origem indígena por sinal, à Funai. Além das qualidades demonstradas, interessante no posto alguém que saiba e queira vigiar as fronteira, não pelo temor de invasões bélicas mas pela nefasta ação dos madeireiros.

Mas falando em fronteiras, o estranho filósofo que vive fora delas mas indica ministro xingou muito os parlamentares do partido do presidente que foram à China. Não porque eram muitos, e um ou dois bastavam para aprender sobre reconhecimento facial. Não porque não fosse, talvez, de bom alvitre, ou de bom agouro. Nada disso. O filósofo exaltou-se porque foram visitar um "país socialista". E isso ele proibira.
Obrigada, filósofo. Deu para rir bem num momento tão tenebroso.
 
 
 
Gisela D'Arruda