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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Salve a pedreira. Antigamente, e talvez ainda seja assim da Bahia pra cima,  o dia 24 de junho, que celebra o solstício, era comemorado nos terreiros também com cerimônias de porte específicas para Exu.
Exu, claro, sempre é louvado antes de qualquer trabalho, até em festa da Beijada, mas eram comemorações grandes para ele, vinculadas ao dia de São João, que até os nossos dias é a maior festa do interior baiano, unindo católicos, majoritários, e os eventuais filhos de terreiro.
No Rio a tradição em algum momento se perdeu, mas está lembrada nos versos do ponto dos Compadres:
- A bananeira que eu plantei à meia-noite, e só deu cacho na noite de João...

Pois salve a pedreira, a bananeira, as pedreiras onde crescem bananeiras e salve acima de tudo a justiça tão lenta em alguns casos, deixando impunes mandantes e pistoleiros, roubadores da vida alheia...
Cauô Cabiecile, fulmine!


domingo, 17 de junho de 2018

notícia simpática e outra que poderá vir a ser

A simpática é que um determinado pastor evangélico, bem novo por sinal, quer despertar os seus  colegas e correligionários para a "pluralidade de vozes" brasileira. Em vez de quebrar imagem e gravar musiquinha louvando quem quebrou, (sigam o meu olhar, cariocas, é ele mesmo!) uma iniciativa de respeito ao próximo já começada pela pastora que ajudou a reconstruir o que os seus fiéis haviam quebrado, creio que em Nova Iguaçu.
Pormenores nos jornais que noticiaram ontem 16 de junho.

A que pode vir a ser simpática mas por ora inquieta apenas, e também carioca, é que existe uma fazenda linda e em bom estado, primeira feitoria do Brasil, na Ilha do Governador, Morro do Cabaceiro. A construção não está tombada e após denúncia, o INEPAC, Instituto Estadual do Patrimônio Cultural abriu processo de tombamento, que precisamos desejar acelerado para conter e reverter as obras indevidas que ameaçam a construção.

Notícias como  estas, com potencial para serem boas vêm sendo raras onde seja então aplaudo, porque na Copa arrisca não haver muita vontade de aplaudir...

domingo, 10 de junho de 2018

algo de podre no reino da Dinamarca. Só da Dinamarca?

Acontece de a gente apoiar uma causa, às vezes contra ventos e marés, para mais adiante vê-la seguir estranhos caminhos. Sempre participei das campanhas da Anistia Internacional, já do tempo em que as cartas eram manuscritas. Agora ficou mais fácil, é um clique, em compensação assino a página de 3 países e ainda há a Avaaz, a ForceChange e outras. Mas nem por isso concordo com a posição da filial tupiniquim de só pedir justiça para crimes da Polícia Militar, sem pedi-la para os cometidos contra os seus membros, dizimados por bandidos nas ruas. Cidadania para todos.
No tempo em que morava fora participava de boicotes ao apartheid sul-africano através da rejeição às laranjas do Transvaal entre outros. De volta aos pagos deparei-me com os brinquedos das lojas e a minha filha foi por longos anos uma das poucas, talvez a única, que possuía Barbies negras e morenas porque as pedi ao meu pai que servia fora. Nessa época, da Abertura, floriram bonecos de pano negros e brancos e bebês de borracha e plástico idem, que ainda se vendem. Mas Barbies não.
Agora porém numa onda cada vez mais patrulhadora, de que tivemos exemplo com o burríssimo ataque ao filme "Vazante", atacam de forma covarde uma atriz porque aceitou um papel sem ter a pele no matiz desejado pela patrulha.
Já foi dito o bastante, o pai da moça é negro. Mas se ela tem sobrenome e cara de italiana, e daí? Escolheu-a em vida a homenageada, e a sua família. E tem mais. Eu que vou pouco a teatro, assisti a duas peças de Shakespeare em que o protagonista era negro. Uma pelo menos era nacional. Não vi ninguém do "colorismo" dizer que dinamarquês no palco não podia ser negro. Talento é talento, e a cor não determina.
 Se Fabiana Cozza, que cumpre compromisso em Cuba, país mestiço como o nosso onde a terão apoiado, imagino, voltar atrás e encarnar a Dona Ivone farei questão de ir assistir. Senão nem as melhores críticas..
Tenho lido as declarações de negros e brancos lamentando essa desistência e essa patrulha. O sambista historiador. A jornalista perita em fotografia. Esse e aquele. Ninguém foi mais contundente do que o cronista que diz ter 17 leitores e meio: " A ira, o preconceito e o racismo demitiram Fabiana Cozza."
Um pouco de bom senso por favor.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

xícara de café

A editora Pallas publicou em seu blog, pela ocasião do Treze de Maio, um conto  avulso meu sobre um incidente sem-esquecido  da família, de antes da Abolição.
Tratei-o como uma história policial, o que na verdade é.
A Pallas me diz que o conto ficará acessível sempre por lá, ilustrado oportunamente com um desenho do Debret; e como dele gosto particularmente espero que entrem lá e o leiam!
Abraços

segunda-feira, 7 de maio de 2018

flotes e balas

Existe um livro muito bem pesquisado da Companhia das Letras sobre Abolição ("Flores, votos e balas").
Traz luz para certos aspectos.
Ao contrário do que se poderia imaginar, a maioria dos abolicionistas  de classe alta, negros e brancos, custou a libertar os próprios escravos. O próprio Rebouças, cobrado pela consciência e por alunos (que também os tinham, em casa de papai)  os foi alforriando uma a um; os derradeiros, três ou quatro, já meses depois do Ventre Livre. Pelo menos todos eles chegaram à Abolição sem cativos.
E nunca será demais dizer, o grande Luiz Sá nunca os teve e se recusava a considerar a idéia. Infelizmente morreu relativamente cedo, de tanto brigar na Justiça usando a lei contra ela mesma a favor dos escravos, e assim libertou muitos. (Luiz Sá é aquele mestiço que foi criado na casa-grande pelo pai português e por este pai vendido para saldar dívidas de jogo; e que prosperou graças ao apoio de rapazes de sua idade, filhos dos amos, e que se tornaram amigos).
Outro ponto esclarecedor é a resistência dos escravagistas no interior, muito maior do se imaginaria, às vésperas da Abolição. De um delegado fluminense linchado barbaramente em casa, diante de mulher e filha, porque era amigo de abolicionistas e se recusava a condená-los; até outras barbaridades, cometidas contra os escravos  (ilegalmente) enquanto "podiam", de pura raiva, por alguns escravagistas. Ilegalmente, porque no papel torturas estavam proibidas havia décadas; se tais relatos chegaram até nós porém, foi que mesmo depois da morte de Sá, ainda houve gente para denunciar.
No livro não consta o nome de minha tia-trisavó, primeira abolicionista mulher no Brasil, por se focar mais a Corte e aquelas províncias que libertaram os cativos antes do Treze de Maio. O que não foi o caso do Pará, onde nasceu e viveu Leonor Porto.
Mas batiza uma rua em São Cristóvão; salve a sua memória e acima de tudo salve os Velhos, no Treze de Maio e o ano inteiro.
Saravá Umbanda!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

pajés

Que venham boas vibrações e defesas para os indígenas do Norte do País, longe dos olhos das metrópoles. No Sul os Guaranis revindicam mais e costumam manter as suas Op- Y, Casas de Oração, com chocalhos e cachimbos e o que mais tiver de haver. Geralmente violões também, trazidos pelos jesuítas há séculos e muito bem recebidos. Chamam um de maracá e o outro de maracá-mirim.
Lá pelas regiões amazônicas são outros quinhentos.
Por volta de novembro na reserva dos Matsés no Acre redes cortaram, se a denúncia procede, uma sumaúma de simplesmente cinco mil anos, "por engano". Como e possível que na própria reserva se desmate sem controle? existem etnias pela região que  não permitem a aproximação de madeireiros. E bota "não permitem" nisso. Prestam um serviço ao país. Mas o caso para os Matsés parece ter sido outro. E um crime sem volta se cometeu. A sumaúma não era só deles e muito menos dos madeireiros. Era patrimônio universal.
Um pouco mais ao sul, Rondônia com Mato Grosso, os Suruís se deixaram inteiramente dominar pela agressividade de pastores evangélicos. Ninguém mais falava com o pajé ou ex-pajé, pois um pajé que não produz magia, em quem ninguém mais quer acreditar e cujas ferramentas foram queimadas junto com a resiliência e a combatividade, já se tornou ex-pajé. Para evitar o isolamento total, o pobre homem passou a ir aos cultos em português.
A ditadura expulsava rotineiramente padres católicos (e não raro os baleava ou torturava "por engano", como caiu a sumaúma)  e já é tempo que a democracia controle e remova, pacificamente, os missionários que se mostrarem incapazes de respeitar as diferenças,
Que os espíritos da mata iluminem o pajé suruí. E que ele saiba proteger os espíritos da mata.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

a guerreira e o Guerreiro

Dia 23 de abril chegando.
São Jorge corresponde a Ogun apenas no Sul, lá na Bahia o santo católico equivale a Oxoce e Ogun é São Bento, tão presente nos cantos da capoeira.
Mas peçamos todos ao santo, aos santos, que ajudem a solucionar o tenebroso caso da vereadora assassinada, e do motorista que cumpria junto a ela os seus últimos dias de contrato e tinha emprego novo esperando por ele; que as pistas achadas levem a buscas, apreensões e confissões. Que não sigamos precisando dividir o ar com mandantes e matadores.
Marielle era devota de São Jorge, não sei se de Ogun também porque não a conheci, e nem mesmo votei nela, votei no colega de chapa, a quem conhecia um pouco; ambos votadíssimos.
Não votei nela, só podendo escolher um vereador, não fui ao evento da Lapa,para o qual recebi um convite virtual, e acabaram-se as oportunidades de conhecê-la. Senti a perda como a maioria de nós sentiu e tenho rezado diariamente pelo que chegou a hora de pedir ao santo, caminhos que levem à punição dos culpados e à limpeza que a vítima preconizava.
Caminho de vida ela fez muito bonito, creio, e seguiu fazendo com a sua morte, tornando-se mais visível.
Que se abram as portas para as suas vitórias;
saravá Ogun guerreiro e salve São Jorge padroeiro do Brasil,

segunda-feira, 9 de abril de 2018

na esquina

Na minha esquina tinha uma mangueira,  ainda nova, plantada por morador, cercada com grade de ferro doada e instalada por outro morador, e regada quando estava muito seco por outra moradora que era eu.
Aí uma criatura convenceu a Prefeitura de tirá-la porque "manga mata criança".  Se cair na cabeça, mata. Bum, splaft! Não conheço casos desse calibre mas a Prefeitura se rendeu às razões.
Poste também mata se cair e a rua está cheia deles. Passei por acaso na hora, tiravam a mangueirinha com as raízes (tanto que foi Parques & Jardins que removeu, e não a infame viatura da Comlurb que cortaria) prometeram instalar numa praça e iam pôr um pau-brasil ainda menor no lugar. E depois que fui embora, levaram a grade que não era da Prefeitura e haviam prometido recolocar!

Bom. Ou ruim. Mas todos cuidamos do pau-brasil quando estava seco. Isso durou nem dez dias; a mesma criatura apareceu com mudas de jibóia e (depois que fui embora) uma lona verde, com que cercou o tronco; alergia às jibóias, à lona plástica ou à pessoa, o pau-brasil morreu em dois dias.
Aí começou o histórico de reclamações junto ao 1746 do senhor Prefeito, telefone criado pelo digno antecessor. Quatro protocolos, e nada. Ou por outra sim, refizeram as calçadas ao redor das três árvores do local, INCLUSIVE o falecido pau-brasil. Ficou uma beleza, parabéns sinceros. Mas cadê a árvore nova? E a grade que levaram indevidamente embora?

Hoje soube que um engenheiro esteve no local e não viu necessidade para a remoção. Indignada, abri nova reclamação e ... a atendente inteligente matou a charada,
O moço veio e viu que a árvore não perigava cair na cabeça de ninguém (bum splaft! pra cabeças vazias, árvore é só ceifador de cabeça)  e nada fez.
A gentil atendente explicou que algum colega errara ao digitar "remoção de árvore". Tinha de pôr "troca de árvore recentemente plantada", é OUTRO departamento e mais um protocolo.
 Mandem os seus pensamentos positivos; vamos ver se agora vai!

domingo, 8 de abril de 2018

contente, eu?

Como se pode estar contente? Claro que aquele ex-presidente se roubou devia ser preso; como já estão outros políticos que se criam intocáveis e ainda deveriam ser outros mais, idem idem.
Mas contente?
Contente com um sonho destruído de milhares e milhares? Não foi a condenação que destruiu o sonho, foi o próprio condenado.
Contente com a perspectiva de que, atrás das grades (ou de dentro da sala especial fornecida pelo presídio), se lance candidato novamente?
Contente com o ruído das casernas e com o regozijo daqueles que desde o primeiro dia já criticavam, porque tinham saudade dos tempos de ferro e chumbo?
E contente de ver um seu amigo político e odiador do verde.. se pre-candidatando fagueiro apesar de declarado inelegível? (imagina a hecatombe de árvores em todo o Estado do Rio..)
Contente de ver a classe dos magistrados se mobilizando para que não seja punida a loquaz desembargadora que repetiu os factóides grosseiros, lidos nas redes que escolhe visitar? Um de seus colegas declarou que ela é sempre criticada entre seus pares pela forma de se vestir; não por caluniar aos mortos, ou aos vivos. Contente com as nobres preocupações dos digníssimos juízes?

Só fazendo como a personagem do cartunista hoje no Globo, que não tem certeza se para melhor preparar-se às eleições deve praticar ioga; ou kickboxing.
Sugiro então que nos mantenhamos afiados com artes marciais que agucem ambos aspectos,
aikido por exemplo.
Vamos precisar dos dois.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

o mesmo céu

Semanas e semanas de perturbações eletrônicas nada são ao lado do que vivemos na cidade e no país. Ficamos cogitando qual será o candidato menos pior nas eleições vindouras, e cogitamos, mesmo sabendo que no frigir dos ovos haverá apenas dois, e pensar quais esses dois perigam ser, ou pelo menos um destes dois, é pensamento que não deixa dormir à noite.
Até porque deitamos sabendo que uma das melhores vereadoras que o país já se orgulhou ainda tem impunes seus matadores e mandantes. Estão entre nós nas ruas do Rio, sob o mesmo céu, o mesmo sol e a mesma chuva. Sim, há carradas de homenagens por toda parte, mas nem a trazem de volta nem apontam os culpados.
O México será um país belíssimo mas não queremos viver nele. Há corruptos que pulam da ponte ou se enforcam para não ser presos, há outros que mandam matar quem levanta a lebre. No Brasil, a primeira espécie é bem mais rara.
Basta de barbárie.



nem em SP nem em lugar algum!

Verdade que foi no que o Xexéu chamava a "estranha cidade ao sul do país".
Mas onde fosse é inacreditável o que o aluno branco postou ao ver um colega negro na área de fumantes (namorando uma menina branca o que deve ter piorado a coisa na cabecinha).
O agressor foi suspenso três meses, mas precisa ser é expulso além do processo que corre automaticamente quando se dá queixa em distrito policial. Pois claramente o seu lugar não é por enquanto na FGV.
O aluno, a vítima, declarou coisas do tipo "você não me conhece, sou mais antigo que você aqui"  o que nem vem ao caso. Fosse o seu primeiro dia na universidade, ser chamado de "escravo à espera do dono" simplesmente não pode existir.
E dias depois outro aluno com letra de analfabeto (DOIS motivos para também não ficar na FGV: nem em São Paulo, queridos) postou a sua solidariedade ao agressor.
Falta muita cidadania nesse país e a todos os níveis.  (12 de março 2018)

o estado é laico

Dei um bom crédito pro Senhor Prefeito em quem naturalmente não votei para ver se apesar dos antecedentes fazia alguma coisa boa. Me fiz em silêncio de advogado do diabo. (Será oportuno lembrar a respeito dos antecedentes que gravou uma musiquinha anos atrás defendendo o pastor chutador de imagens).

Mas agora precisa ser destituído, e já.
Estamos vendo que aquela tentativa de nomear o filhote foi apenas uma amostra. O MP já investiga os privilégios que a senhora mãe do político recebeu no hospital municipal (queriam não gastar, porém com tratamento diferenciado); os horrores que o ex-prefeito perpetrou junto a Parques e Jardins e Comlurb, referente às árvores, não foram desmanchados ainda por este; pegou pessimamente se queixar do frio para onde ninguém o mandou ir, quando  na cidade que o elegeu houve mortes devidas à chuva concentrada. E ainda chama essas férias européias de viagem de trabalho, pagas dos cofres públicos (sempre esse cuidado imenso com as finanças próprias... O MP também investiga.)
Mas o pior de tudo creio (ele não é obrigado a gostar de carnaval, nem tem culpa da chuva; só é um sem-noção inacreditável) o pior de tudo são os cultos evangélicos organizados na Prefeitura (me dizem que no pilotis, mas onde seja.)
NÃO PODE, Sr Prefeito. Se ainda fossem ecumênicos, com rabino, pais ou mães de santo, padre católico, ainda seria descabido porque ao contrário do que este senhor pensa O ESTADO É LAICO.
Mas não são ecumênicos não, que esperança. 

E me havia escapado mas acabo de ver, organiza cultos evangélicos em diversas escolas públicas usando como pretexto o famigerado ensino religioso, que os evangélicos impuseram.
Destituição já.
Xô Crivella, brocoió xô.

(texto circulado antes do anterior, fevereiro 2018,  e como ele agora inserido no que é o seu lugar correto: o blog caminhodasfolhas)

quantos mais...


De mortui nil nisi bonum. 
Esse refrão do tempo dos romanos foi desrespeitado pelas pessoas que postaram factóides contra a vereadora morta do PSOL. 
Leio que o partido de extrema-direita (eu considero extrema-direita) mbl (não merece maiúsculas) e de cujo inacreditável candidato à presidência  tomei ontem conhecimento da existência pela reportagem da "Época"  foi responsável por muitas dessas mentiras. Uma campanha orquestrada de difamação contra quem já tinha morrido, algo bem mais perverso e tentacular do que as sandices da nobre desembargadora que as leu e repassou.

Cabe outro chavão em latim, Cui prodest? A quem aproveita o crime?
Ambos crimes; o crime de divulgar factóides com propósitos indefensáveis, e o crime de morte.
Bem, não vou escrever o que penso porque gostaria de continuar viva mais um pouco, abençoando passarinho e coisa afim e condizente. Vale ler a matéria da "Época" inteira. 
Quando assassinam pessoa casada, diz que a polícia descobre que em mais da metade dos casos o mandante é o cônjuge.  Quando morre um parlamentar no Brasil...

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

cativeiros

A Líbia é um areal com oásis de fertilidade criados ou não pela mão do homem, onde coexistem (não se pode falar de convivência) três ou quatro tribos inimigas das quais pelo menos duas acolheram alegremente núcleos de matadores do E.I. quando este se expandia. A "revolução" consistiu em matar a pedradas o ditador, que pôs a Líbia no mapa porque na ONU votava consistentemente a favor dos desvalidos, contra o apartheid e tal; e após essa "execução" sem julgamento todos puderam se dedicar ao esporte de brigar entre tribos, o que o ditador não permitia até porque exaltava a sua própria em detrimento das demais.
Mas os líbios descobriram há poucos anos outro passatempo bem rentável, adaptado dos tempos antigos quando iam capturar escravos mais ao sul: apreender os candidatos a refugiados que aparecem no território fugindo de suas próprias guerras. Melhor ainda, trazidos por intermediários que aproveitam a falta de informação, analfabetismo, ausência de políticas públicas e tal para conduzi-los exatamente onde os estão aguardando com ansiedade para trabalhar nas residências e pomares, sem salário algum.
Isso soa familiar porque existe no Brasil, onde dão o injusto nome de "gato" ao intermediário, assim como na China o mesmo sujeito é chamado de "cobra". Só que aqui são quase sempre homens que caem na esparrela, e a Líbia aprecia cativas mulheres que têm mais de um uso. Da Nigéria chegam muitas, fugindo justamente de estupro familiar.
Isso também soa déjà vu, déjà entendu. No Brasil e no mundo, casos escabrosos resistem em lares de TODAS as classes. Não é privilégio da Nigéria, que está longe de ser o pior país africano para se viver. Inclusive para as mulheres; e por aí mesmo se vê o abismo que é preciso preencher com muita cidadania.
Enquanto subsistirem escravos e escravas legais (Mauritânia) ou tolerados pelo mundo, ninguém, como diz Caetano Veloso, ninguém é cidadão.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

vive la france

Intelectuais e artistas francesas se posicionaram, não a favor do assédio, mas contra a forma de que vem sendo tratado nos EUA (e por tabela aqui, onde não parecemos ainda capazes de construir pensamento independente).
Vive la France.
Está ficando ridículo. Evitemos o ridículo. Assobiar na rua pra uma mulher não é crime. Isso é coisa de quem não gosta de homem. E quem de fato não gosta mas se sabe bonita aos olhos masculinos, ora, que agüente, não tira pedaço. Eu também fui assediada algumas vezes por  mulheres com outra preferência sexual e tirei o corpo fora sem ter crise de asma nem ir à polícia.
O Brasil está ficando, nas metrópoles, ridículo, de tanto sectarismo e patrulha ideológica.
Assédio no trabalho, misturado com ameaça ou chantagem, é algo muito diferente- mas ameaça e chantagem já são crimes. O único assedio que me incomodou até hoje, e muito, foi em casa de santo, pela forma inadequada e deselegante; denunciei a quem devia, ao dono da casa que proibiu a entrada ao safado e ao então namorado de quem era supostamente amigo.
Comentei em "Umbanda Gira!" num pé de página e mais não merece o sem-vergonha que talvez já tenha partido ad patres. E embora levantasse ao vê-lo de mesa em que estivesse sentada, explicando o porquê aos presentes, nunca me ocorreu denunciar à polícia que nada tinha que ver com o assunto.
Vive la France! Assino embaixo. Um pouco de bom senso por favor

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

resgatando

Início de ano... a chuva apenas traz notícias alegres.
E também, ler que numa escola pública parisiense uma dupla de professores: um homem, uma mulher; ela judia, ele árabe pelos pais, dão juntos aulas de História das religiões para semear um pouco de paz e entendimento.
Sem isso há alunos muçulmanos que tentam censurar aos berros as aulas de História e impor o vestuário às mulheres que acham que deva ser o adotado.
Mas voltando à dupla, eles descobriram que durante a ocupação nazista um imã fez o que vários católicos fizeram e ajudou judeus a se esconder, fornecendo falsos certificados de religião muçulmana e até escondendo na mesquita várias pessoas. Os muçulmanos eram menos mal vistos pelo nazismo.
Infelizmente o imã foi denunciado ou descoberto, foi deportado e morreu em Auschwitz;  a memória deste herói foi resgatada pela dupla mista, e que o seu exemplo possa guiar.

Muitos padres franceses salvaram judeus, principalmente crianças, fornecendo falso certificados ou ajudando a se esconder; de muçulmanos é exemplo único, pelo menos entre os sacerdotes. Pode ter havido outros heróis anônimos laicos.

Que o ano que entra com chuvas tão refrescantes esfrie os ódios e sectarismos. Na França, no Brasil e em todo lugar.
Laroiê Exu.
Epa Hei Oyá.